FRANKENSTEIN DE MARY SHELLEY (Crítica)

FRANKENSTEIN DE MARY SHELLEY

3emeio

FICHA TÉCNICA

Título Original: Frankenstein
Ano do lançamento: 1994
Produção: Estados Unidos da América e Japão
Gênero: Terror, Drama
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Frank Darabont

Sinopse: Em 1794, um explorador no Ártico ao tentar abrir caminho através do gelo encontra Victor Frankenstein (Kenneth Branagh). Logo depois os cães decidem atacar uma criatura (Robert De Niro), que os mata rapidamente. Assim, Victor decide contar-lhe, como tudo começou, quando ele foi estudar medicina em Ingolstadt, deixando para trás sua noiva e levando consigo uma única obsessão: vencer a morte. Na faculdade, ao discordar de um renomado mestre, acaba chamando a atenção de outro, que revela seus experimentos em reanimar tecidos mortos. No entanto, este pesquisador assassinado e o culpado pelo crime enforcado, então Victor decide colocar o genial cérebro do mestre no vigoroso corpo do assassino, mas as conseqüências de tal ato seriam inimagináveis.

Por Jason

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Após encontrar o Capitão Walton a caminho do polo norte com sua tripulação numa embarcação, o doutor Victor Frankenstein decide contar-lhe sua história. Através de flashbacks, é mostrado quando ele era jovem, sua morreu num parto difícil e ele foi estudar medicina com a intenção de realizar experimentos para driblar a morte. Na escola de medicina, conhece o Dr. Walderman, que lhe conta que tem feito experiências, na tentativa de reanimar tecidos mortos mas que não houve sucesso. Ele alerta para o fato de que a criatura criada jamais reagirá bem ao fato de ter sido ressuscitada se isso ocorrer. Após a morte do professor, contudo, Victor recolhe pedaços de cadáveres e utiliza seus experimentos para trazer à vida a criatura.

O filme Frankenstein, produzido por Francis Ford Coppola e dirigido por Kenneth Branagh é um primor de técnica. Fotografia, direção de arte, figurinos, efeitos e maquiagem, tudo é rico e criativo e ainda hoje se sustenta muito bem. O elenco é primoroso, ambicioso, e é outro ponto forte da produção. Robert De Niro, de doente e executado pelo assassinato do doutor, se transforma na própria criatura. Branagh passa toda a ingenuidade e ao mesmo tempo piração como o doutor Victor Frankenstein. Há ainda a competência tradicional de Ian Holm, como pai de Victor, e de Helena Boham Carter, o interesse amoroso. O filme ainda conta com Aidan Quinn de acessório e Tom Hulce, que recebeu indicação ao Oscar pela interpretação bastante lembrada de Mozart em Amadeus – e cuja carreira não decolou.

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Há nojeiras de todos os tipos. Sai o terror e entra o asco. O próprio parto do monstro é algo bizarro e chocante, assim como a ressurreição de Elizabeth (que não existe no original e aqui soa como se fosse encaixada as pressas pelo roteiro, para homenagem desnecessária ao filme A noiva de Frankenstein, de 1935, já que a personagem ressuscitada não dura muito) por quem Victor é apaixonado e acha que resolverá todos os problemas criando outro maior. O filme, que já vinha cambaleando desde o começo com seu tom histérico, desce ladeira abaixo. De Niro aparece coberto por maquiagem bizarra pesada – e em closes -, ou seja, não há preocupação em criar uma atmosfera de horror ou suspense nem de esconder a criatura. O filme mais parece um drama de um leproso na idade média tentando arranjar amigos para brincar e uma mulher para ter uma noite de sexo, coisas que o roteiro, do ótimo Frank Darabount, não consegue solucionar. Há outros problemas, entretanto, que saltam os olhos.

Além dos pulos enormes que o roteiro do filme dá, tudo é apressado e por vezes mal desenvolvido. Pessoas entram rapidamente e não se dá importância (o personagem Justine, nota-se, é o mais grave). Não há um trabalho no sentido de se aprofundar nos inúmeros temas discutidos na obra original. Frankenstein, no original, discorre nas entrelinhas a religião (o dom da criação e suas responsabilidades), sobre ciência e tecnologia, mas sobre o ser humano como o verdadeiro monstro da história – e não o monstro em si. A grande sacada – e pelo menos nisso o filme se esforça – é mostrar o monstro como uma criatura que carrega pureza e ingenuidade, mas que é traída pela sua aparência já que a humanidade não consegue enxergar além do que os olhos humanos veem e que desenvolve, graças a isso, os sentimentos ruins como inveja e vingança.

Os questionamentos filosóficos, éticos, científicos e morais tão presentes no texto original assim são subtraídos e condensados sem profundidade. Completam o combo a música, que é incisiva desnecessariamente, como uma ópera histérica que não para um só momento e que beira o insuportável.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicação: Melhor Maquiagem

BAFTA
Indicação: Melhor Design de produção

TRAILER

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