FRANKENWEENIE (Crítica)

FRANKENWEENIE

Uma linda homenagem aos clássicos do terror de antigamente

Tim Burton é um diretor peculiar, com um estilo próprio. Nunca tentou se adaptar aos padrões, conseguiu com seu talento que a industria se adaptasse a ele. Mas é um diretor que tem quem o ama e quem o odeie, tudo porque o cineasta não muda sua linguagem e os temas na maioria de seus longas. Ao meu ver se Burton a essa altura da carreira tentasse inovar em sua linguagem característica, causaria tanto espanto que não sei se valeria a pena tal risco, mas muitos críticos dizem que isso pode acontecer, já que a volta ao passado nesse novo filme pode ser um fechamento de ciclo, é esperar para ver.

Essa volta se dá porque Tim Burton a 28 anos atrás realizou o elogiadíssimo curta-metragem Frankenweenie e agora transforma essa micro história em um longa repleto de nostalgia e referencias a clássicos do terror de monstros dos anos 30, 40.

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A trama gira em torno de Victor, um garoto introspectivo, caseiro, que gosta mais das aulas de ciência do que das de educação física e que tem em seu cão Sparky seu único amigo. Após um trágico acidente Victor perde Sparks. Ainda desanimado pela morte de seu cão, Victor acaba tendo uma ideia que surge durante uma aula de ciências, em que é o professor mostra que é possível através da eletricidade reativar o sistema nervoso de um cadáver. Como o próprio titulo da animação diz, Victor consegue dar vida novamente a seu cão como acontece no filme Frankenstein, mas o problema surge, quando ele não sabe como esconder esse feito da familia e vizinhos.

O roteiro é do próprio Tim Burton ajudado por John August e Leonard Ripps e como já citei é uma volta ao passado e uma grande homenagem a filmes que formaram a identidade do cineasta.

O interesse do roteiro é que mesmo sendo de um conto de 28 anos atrás, houve um grande cuidado em mostrar que hoje em dia ser “diferente” não quer dizer muita coisa, já que hoje em dia os deslocados e excluídos estão ganhando mais espaço e visibilidade e deixaram de ser algo “bizarro”, se tornou estilo, e isso acontece tanto nos ótimos diálogos como na turma da escola de Victor onde quase todos seus colegas são bem estranhos, uma clara adaptação da linguagem.

O saudosismo de Burton está em cada detalhe a começar pela escolha do preto e branco, remetendo diretamente aos clássicos filmes em que há a inspiração para a fita, depois a técnica da animação que é em stop-motion, algo retrô, mas que confere ao longa um charme único. A inovação se dá pela escolha do uso do 3D, que Burton consegue bons resultados, principalmente na textura estética dos personagens, e isso se dá dos pelos aos traços da expressão facial, tudo fica bem perceptivo com a técnica, o que confere mais realismo ao longa-metragem.

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Dois outros aspectos técnicos ganham destaque pela excelência nessa animação; a trilha sonora que se inspira também no terror clássico, com muito órgão gótico e os tons sóbrios nas notas musicais e a montagem, que é um caso a parte, a escolha pelo dinamismo consegue deixar a narrativa atual, mesmo tendo como inspiração filmes com levadas mais lentas e intimistas.

Apesar de todas essas qualidades citadas, acredito que o filme não vá ter todo o sucesso que merecia por dois aspectos simples. Primeiro pela escolha do preto e branco, fato que infelizmente deve afastar muitas crianças e alguns adultos da fita. E segundo pela falta de conhecimento dos filmes que são citados e homenageados no longa, porque se assistirmos a animação sem nenhum conhecimento ela se torna simples e até sem graça, fato que também acredito ser de grande parte do público alvo.

A verdade é que para quem ama o cinema e acompanha suas noticias e respira seu mundo mágico, vai adorar essa linda homenagem que Tim Burton presta com grande competência ao terror clássico, sem contar que o diretor volta a sua própria infância já que assim como em Edward Mão de tesoura, o Victor de Frankenweenie é um claro auto retrato do diretor, ou seja mais um filme único e imperdível do diretor Tim Burton!

DESTAQUE

Para os belíssimos cenários criados por Burton, cada detalhe é muito bem pensado deixando tudo ainda mais belo, e o uso da tecnologia 3D consegue dar a profundidade necessária a cada quadro da fita.

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SINOPSE

Victor (Charlie Tahan) adora fazer filmes caseiros de terror, quase sempre estrelados por seu cachorro Sparky. Quando o cão morre atropelado, Victor fica triste e inconformado. Inspirado por uma aula de ciências que teve na escola, onde um professor mostra ser possível estimular os movimentos através da eletricidade, ele constrói uma máquina que permita reviver Sparky. O experimento dá certo, mas o que Victor não esperava era que seu melhor amigo voltasse com hábitos um pouco diferentes.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: John August, Leonard Ripps, Tim Burton
Título Original: Frankenweenie
Gênero: Animação, Comedia
Duração: 1h 27min
Ano de lançamento: 2012
Classificação etária: Livre

TRAILER

4estrelas

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