FRUITVALE STATION: A ÚLTIMA PARADA (Crítica)

Fruitvale Station - A Ultima Parada

3estrelas

Por Carlos Pedroso

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Da leva de filmes independentes que saíram do Sundance ano passado, A Última Parada foi talvez o que mais repercutiu fora do festival, ganhando o aval da imprensa e sendo até a aposta indie no Oscar. Mas no meio do caminho, durante a temporada de prêmios, parece que o estreante Ryan Coogler não conseguiu emplacar seu filme como muitos críticos previam por aí. Numa abordagem político-social dos fatos verídicos que marcaram a noite de ano novo de 2008, o filme (re)constrói, aos moldes de um registro documental, as horas que antecederam o assassinato do jovem Oscar Grant pelo policial Ingram na Estação Fruitvale.

Mesmo não sendo familiarizado com o caso, não é muito difícil ver que o que Ryan Coogler concretiza aqui é (mais) uma tentativa clara de usar o Cinema como arma de justiça e gerar algum debate sobre a intervenção policial nesse tipo de situação. Talvez um tanto ingênuo -ou puramente equivocado- ao escolher retratar os fatos numa dramatização que eleva Oscar à imagem de anti-heroi interrompido, o que era esperteza por parte de Coogler, por não se prender a veracidade apurada dos fatos (mesmo estampando no início que o mesmo é baseado em fatos reais), pela suavidade com a qual sua câmera transgride ao redor de cada ato do jovem, se torna o grande deslize de A Última Parada. Coogler vende um ideia, mas à medida que somos apresentados aos personagens, o estudo pré estabelecido por eles se torna meramente um (melo)drama industrial, e toda ou qualquer crítica que se queria conceber através da inevitável tragédia envolvendo Oscar acaba ganhando o contorno manipulativo e sensacionalista do pior exercício jornalístico, que pouco ou nada tem a dizer sobre a insensibilidade do ocorrido. Por mais que Oscar encontre dignidade na personificação irretocável de Michael B. Jordan, que aqui o experimenta em suas multi-facetas de cidadão americano, a idealização emocional e racial que Coogler quer a todo custo imprimir no espectador, na geração de um debate, faz do retrato honesto de um jovem à mercê do preconceito e do despreparo policial apenas mais um drama maquiado de crítica social.

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Por maiores as irregularidades, Coogler tem muita autenticidade fílmica (há um suspense ao melhor estilo Colateral, do Michael Mann, sendo construído em A Última Parada), e seu estilo se faz presente principalmente na intenção de potencializar a ação subvertida do filme e da narrativa que, por mais subjetiva e imponente, é bastante sólida. Porém, as intenções e o timing usado para perpetuar um personagem cuja compreensão fica totalmente por conta do espectador, a estréia de Coogler cabe somente em ser um drama eficiente e bem atuado/dirigido, que deixa expectativa para próximos projetos do diretor. Não mais que isso, a discussão que o filme ocasiona se eleva bem mais na revolta do espectador para com a crueza do ato, do que para a justificativa cinematográfica dada por Coogler.

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SINOPSE

Estados Unidos, 2007. Oscar Grant (Michael B. Jordan) tem 22 anos e acaba de ser demitido do emprego por chegar constantemente atrasado. Ele esconde esta notícia de Sophina (Melonie Diaz), a mãe de sua filha, por achar que pode recuperar o emprego após conversar com seu chefe. Bastante ligado à mãe (Octavia Spencer), Oscar enfrenta problemas quando resolve ir com Sophina ver as festividades de ano novo em San Francisco.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ryan Coogler
Título Original: Fruitvale Station
Gênero: Drama
Duração: 1h 25min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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