FUNCIONÁRIO DO MÊS (Crítica)

Davi Gonçalves

Em época de crise, quem é que não almeja a estabilidade (e regalias) de um emprego público? Para Checco, que desde cedo sonhava em ser funcionário do governo assim como seu pai, o cargo no Departamento de Caça e Pesca é tudo o que ele pediu a Deus. Com um bom salário, solteiro, sem filhos e ainda morando na casa dos pais, ele tem seu posto ameaçado quando uma mudança política faz com que o governo tenha que cortar alguns gastos. Agora, resta ao egoísta Checco escolher entre uma demissão voluntária ou ser transferido para um lugar distante.

O Funcionário do Mês chega timidamente aos cinemas brasileiros, apesar das boas críticas ao redor do mundo e, principalmente, do título de maior bilheteria italiana de todos os tempos. Sob a direção de Gennaro Nunziante, esta comédia do absurdo explora os abusos do funcionalismo público na Itália. Além disso, o roteiro também critica de forma bem-humorada a arrogância do poder público, especialmente na construção da personagem Sironi, a advogada responsável por fazer Checco finalmente pedir as contas. Entre armadilhas e viagens para os locais mais improváveis, ela faz de tudo para que Checco ceda aos seus caprichos – a doutora só não imaginava que tudo o que Checco menos deseja é perder esta “mamata”.

Em meios a risos provocados por piadas dos mais diversos gêneros, O Funcionário do Mês conta com boas atuações por grande parte do seu elenco. Inegavelmente, é o humorista Checco Zalone quem mais se destaca: seu tipo é divertidíssimo e o ator consegue ir de uma emoção à outra com muita fluidez e naturalidade. Ele faz com que, por mais que desaprovemos algumas de suas ações, realmente nos identifiquemos e torçamos pelo protagonista da história. O alívio da trama fica por conta de Eleonora Giovanardi, na pele de Valeria – é essa personagem quem trará à tona o lado mais “racional” de Checco, fazendo com que sua decisão se torne cada vez mais difícil.

Talvez devido à imigração europeia a partir do século XIX, Brasil e Itália são países que possuem muitas semelhanças entre si – e o cinema reflete um pouco dessas características, é verdade. O Funcionário do Mês até se parece com as nossas comédias nacionais, seja no tom pastelão, no desenvolvimento de seu protagonista ou mesmo nas situações absurdas que o argumento propõe. No entanto, mesmo com seus exageros e aos trancos e barrancos, O Funcionário do Mês diverte e muito o espectador que se propuser a conferir esta obra – que além de fazer rir faz com que o público se enxergue nela e ria de si mesmo. E é isso que esperamos de um humor inteligente.

SINOPSE

Checco (Checco Zalone) é um homem que tem a vida que sempre desejou. Nascido em uma família rica, ele nunca sentiu falta de nada na vida e, já adulto, conseguiu um emprego como funcionário público que lhe demanda muito pouco. No entanto, cortes nos gastos do Governo fazem com que a vida de Checco seja virada de cabeça para baixo quando ele precisa decidir entre abandonar o seu sagrado emprego ou ser transferido para o Pólo Norte.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Gennaro Nunziante” espaco=”br”]Gennaro Nunziante[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Checco Zalone e Gennaro Nunziante
Título Original: Quo vado?
Gênero: Comédia
Duração: 1h 26min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 18 de agosto de 2016 (Brasil)

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