GANGUES DE NOVA YORK (Crítica)

GANGUES DE NOVA YORK

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Gangs of New York
Ano do lançamento: 2002
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Jay Cocks, Steven Zaillian e Kenneth Lonergan, baseado em livro de Herbert Asbury
Classificação etária: 16 Anos

Sinopse: Em plena Nova York de 1840, o jovem Amsterdam (Leonardo DiCaprio) busca se vingar de William “The Butcher” Cutting (Daniel Day-Lewis), o assassino de seu pai (Liam Neeson), que era o líder da gangue Dead Rabbits. Em sua jornada Amsterdam acaba se tornando amigo e homem de confiança de William, apaixonando-se também por Jenny Everdane (Cameron Diaz), uma bela jovem que é integrante de uma gangue rival.

Por Jason

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O jovem irlandês Amsterdam Vallon (Leonardo di Caprio) volta a Manhattan para vingar a morte do pai (Liam Neeson), assassinado por Bill the Butcher (Daniel Day-Lewis, personagem baseado num líder real) num conflito de gangues ocorrido 16 anos antes.

Grandioso, pretensioso, tecnicamente bem realizado, com orçamento inchado de 97 milhões de dólares, mas excessivamente longo, de ritmo entediante, desinteressante e arrastado: é assim que pode ser definido o filme Gangues de Nova York, de Martin Scorsese.

No filme, o jovem irlandês Amsterdam Vallon (Leonardo di Caprio) volta a Manhattan para vingar a morte do pai (Liam Neeson), assassinado por Bill the Butcher (Daniel Day-Lewis, personagem baseado num líder real e que o ator aqui consome tudo ao redor com uma excelente atuação) num conflito de gangues ocorrido 16 anos antes. No meio do caminho, surge um triângulo amoroso, no qual um dos vértices é uma batedora de carteiras (Cameron Diaz).

O filme teve uma produção um tanto turbulenta (reza a lenda que DiCaprio e Day Lewis se estranhavam nos sets de filmagem — o primeiro já é famoso pelas discussões homéricas com o diretor James Cameron nos sets de Titanic e o segundo ganhou fama de difícil pelo colega de trabalho) e foi vitimado também, ironicamente, pelo momento histórico no qual se inseriu. O projeto surgiu inicialmente com a tentativa do diretor de levar o romance em que é baseado, de autoria de Herbert Asbury, às telas do cinema em 1978. Sem conseguir apoio para tal, foi engavetado e só em 2001, depois que vários atores foram cotados para o filme, como Robert De Niro, Willem Dafoe, Heather Graham, Mena Suvari, foi filmado em cenários construídos na Itália — filmagens que demoraram assustadores 220 dias.

Era a época, para quem não se recorda, dos atentados de 11 de setembro de 2001 e o filme estava programado para ser lançado nos cinemas norte-americanos em dezembro de 2001, mas devido a problemas entre o diretor e produtora e os problemas econômicos atravessados pelo mundo paranoico pós-atentado que vitimou Hollywood e lançamentos importantes do cinema, ele foi adiado inicialmente para julho de 2002 e, posteriormente, para dezembro do mesmo ano.

Não se sabe o quanto isso afetou a produção, mas o fato é que “Gangues de Nova York” não se pagou nos EUA (parou nos 77 milhões) e não foi sucesso de bilheteria ao redor do mundo, nem unanimidade de crítica, quando os especialistas consideram que um filme, para se pagar, precisa arrecadar ao menos três vezes mais o que custou.

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Parte dessa dificuldade de comunicação do filme com o público vem da sua longa duração, porque assistir ao filme é ter uma aula de paciência. Nem todo filme grande demora a passar, mas aqui são 2 horas e 40 minutos, muitas das quais nada acontece. O roteiro traz uma interessante abordagem política: era a época da imigração irlandesa, período em que milhões de irlandeses abandonaram o seu país devido à

fome e condições de vida horríveis e muitos ficavam nas cidades onde os seus navios ancoravam, como a própria Nova York. Há a problemática civil como pano de fundo, pois se trata do período da Guerra Civil Americana e de conflitos entre a região Norte e Sul do país. E, ainda, a questão social norte-americana: há uma crítica ferrenha a violência, seja contra imigrantes ou negros; o problema da corrupção, das máfias, e da elite esnobe. É a falta de melhor condensação de tanto tema que luta contra o filme. Para completar, o triângulo amoroso complementado por Cameron Diaz, insinuado no filme, é frustrante, sem química, tedioso e mal arquitetado. Nenhum dos atores, tirando Day Lewis, consegue se sobressair ao marasmo das interpretações do elenco.

É então, dessa forma, que apesar de dez indicações ao Oscar, é fácil perceber porque o filme saiu de mãos abanando da premiação. Gangues tem realmente uma produção caprichada, do ponto de vista técnico: a Nova York de meados do século XIX é reconstruída nos detalhes, mérito da pesquisa da produção e do trabalho meticuloso da direção de arte e cenários indicada ao Oscar, que por sua vez é apoiada nos bons efeitos especiais, e que fazem tudo parecer real e autêntico; vale citar também os figurinos e maquiagem, ambos caprichados, como uma cara produção de época requer.

Ocorre, no entanto, que o filme de Scorsese era o mais fraco diante da concorrência do ano, capitaneada por O senhor dos Anéis, O pianista e Chicago. Além de ser um filme difícil, Martin Scorsese, que ganhou indicação ao Oscar de direção pelo filme, divide com a montadora Thelma Schoonmaker a falha de não conseguir dominar a produção e dar a ela o ritmo necessário para entreter, ao invés de massacrar a audiência com sua trama monótona. A sensação ao se assistir Gangues de Nova York é que ele parece pretensioso demais, grande como um bicho demasiadamente pesado para se locomover.

Por fim, o filme joga contra o orgulho americano, mexe em uma ferida escancarada em sua sociedade ao retratá-la com veracidade e crueza. Sua trama evidencia o preconceito racial e social no qual a sociedade norte-americana foi erguida, com seus ladrões, traidores, mafiosos, assassinos, escravos, vagabundos, imigrantes ilegais e prostitutas. Os EUA de hoje tiveram sua base aí, no “lixo” social, base esta que ainda pode ser identificada facilmente na atualidade e isso, para uma nação de primeiro mundo cheia de valores conservadores e de hipocrisia só pode resultar em sentimento de ofensa. Só que no fundo, no fundo, como o filme deixa claro no elogioso final, nada mudou de lá para cá.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicações: Melhor Ator – Daniel Day-Lewis, Canção – “The Hands That Built America”, Direção de Arte, Figurinos, Melhor Filme, Fotografia, Melhor Diretor – Martin Scorsese, Montagem, Roteiro Original e Som.

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Diretor – Martin Scorsese e Canção “The Hands That Built America” – U2

Indicações: Atriz Coadjuvante – Cameron Diaz, Ator – Drama – Daniel Day-Lewis e Filme – Drama.

TRAILER

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