GINGER & ROSA (Crítica)

GINGER e ROSA

Um olhar feminino sobre a guerra fria

Difícil escrever sobre Ginger & Rosa sem falar de Sally Potter, afinal Ginger é praticamente seu alter ego em cena.

Potter é filha de um poeta e uma professora de música, portanto cresceu em um ambiente onde todos eram ateus e existe entre os princípios familiares a anarquia, tanto que seu irmão se tornou membro de uma banda punk. Como a personagem do longa, Potter nasceu próximo do lançamento da bomba de Hiroshima, portanto viveu sua adolescência em plena guerra fria, onde o medo por uma guerra nuclear estava sempre presente, é diante dessas lembranças de sua vida que ela escreveu essa história de amizade entre Ginger & Rosa.

A trama é uma analogia representando a guerra fria, Ginger (Elle Fanning) é anarquista, questionadora e revolucionaria, sem contar que luta pelo direto feminino de ser independente (ele representaria quem luta contra a guerra, engajados – os europeus) Rosa (Alice Englert) sua amiga da vida toda é romântica sonhadora (ela seria os que ficam a margem dos acontecimentos, boa parte da população norte americana). As duas cresceram juntas, já que suas mães se conheceram durante o parto. A amizade forte e verdadeira acabou sendo abalada quando o pai de Ginger o pacifista Roland (Alessandro Nivola) começa a despertar certa idolatria nas garotas, as incentivando a lutar contra as bombas. Enquanto Ginger seguia o que o pai incentivava, Rosa demonstrava outros interesses com essa aproximação.

É nesse ambiente de descobertas e de insegurança que a trama se passa, as garotas descobrem o sexo, o amor, as drogas e assim vão construindo seus ideais. É interessante que Sally mesmo usando da contemplação para narrar boa parte do filme, não deixa de usar a personagem de Ginger para declarar seus ideais feministas.

E o uso dessa narrativa mais lenta e de uma edição de cortes secos, que o filme apresenta seu grande problema, essa construção acaba deixando o filme sem o envolvimento com o público, sempre que acontece uma cena mais envolvente, existe um corte brusco para algo totalmente diferente. Inclusive na trilha sonora existe esse corte, esse pecado é o que faz do filme algo bem difícil de ser digerido por muitos, mesmo com um roteiro muito competente e inventivo.

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Mas seu trunfo se encontra na bela e inspirada Elle Fanning que rouba o filme para ela, sua atuação é brilhante. Ela consegue se mover entre as várias emoções que a personagem exige, hipnotizando o espectador com seu grande carisma.

Até a menos carismática Alice Englert mostra uma bela atuação, pautada pela sexualidade da personagem romântica e com os hormônios efervescentes.

Todos no elenco se apresentam bem, mesmo que a maioria tenha pouca presença na história como o todo, o filme é praticamente todo focado na relação das garotas.

Sally Potter mostra uma direção segura e poética, onde prefere deixar para o espectador boa parte das interpretações sobre os fatos. Não existe nada mastigado, temos que nos envolver e participar da amizade das garotas para compreender a intenção de sua mensagem, mas não é nada complexa, só é feito de forma mais lenta, do que estamos acostumados.

Ginger & Rosa ainda apresenta uma trilha sonora belíssima, ótima direção de arte e uma fotografia que busca transformar aquele ambiente perturbador em algo singelo e delicado.

Portanto é um filme que mesmo com algumas falhas no quesito envolvimento, apresenta uma mensagem que vale a pena ver para refletir.

DESTAQUE

A fina e eficiente mistura da ficção com os fatos políticos, sem perder um do outro no roteiro é o grande destaque.

SINOPSE

Londres, 1962. Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert) são amigas inseparáveis. Elas sonham com uma vida melhor que as de suas próprias mães, sempre presas à rotina doméstica, mas a crescente ameaça de uma guerra nuclear as amedronta. Não demora muito para que ambas entrem em conflito com as mães, ao mesmo tempo em que passam a idolatrar Roland (Alessandro Nivola), o pai pacifista de Ginger. Ele encoraja na filha a “lutar contra a bomba”, mas aos poucos Rosa demonstra ter outros interesses envolvidos.

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ELENCO

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DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Sally Potter
Título Original: Ginger e Rosa
Gênero: Drama
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

4emeio

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1 Comentário

  1. Laura

    Esse filme de longe É um dos mais perturbadores que Já vi