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Por Igor Pinheiro

Por incrível que pareça, Glee seria o tema de um dos próximos textos de série do CCine, o de amanhã ou da próxima semana, ainda não estava decidido. Pouco antes da notícia da morte sair, mandei um email para o Kadu (editor) falando exatamente sobre isso. Acordei, vi a notícia sobre a morte de Corey Monteith e não deu para não me arrepiar. Por mais que eu esteja longe de ser um bom fã da série (vocês verão isso a seguir), não tem como não ficar abalado com a morte do ator. #RIPCoryMonteith

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Glee começou de forma estranha. Seu piloto foi lançado em maio de 2009, quatro meses antes do resto da temporada começar. A proposta de uma série adolescente musical sobre um grupo de losers no coral do colégio parecia inovadora até então e tem um episódio inicial que chama atenção. Mesmo que muitos tenham abandonado a série, não há como negar que é um bom episódio. Vende bem todos os personagens, desde a sonhadora aspirante a cantora que não se enquadra nos padrões de popularidade do colégio até seu futuro par romântico, o popular quaterback do time de futebol, passando por um nerd na cadeira de rodas, uma líder de torcida e vários outros estereótipos de colegiais americanos. Mas o principal está no fato de Glee (e sempre achei isso, juro) ser uma série ‘bonitinha’ disfarçada de série descolada, que tira sarro de dramas adolescentes. O tempo fez esse disfarce cair, mas ele foi o pontapé inicial para a incontestável fama do seriado.

Boa parte de seu sucesso se deu pelos personagens marcantes, até porque a história não muda muito ou muda tanto em alguns momentos que os episódios parecem ser soltos. Sue Sylvester, interpretada por Jane Lynch, é um dos melhores personagens da TV. Por mais que seja completamente desconstruída em alguns episódios, a treinadora das líderes de torcida já virou referência e carrega as melhores quotes da série. Kurt também é um personagem importante, por mais que irrite com todas as suas canções de musicais, a importância dele é essencial, socialmente mesmo, para os principais temas abordados pela série, como “viva às diferenças!”, bullying, etc. No geral, entretanto, o roteiro é bem batido, as mesmas coisas acontecendo, o coral em busca da vitória nas competições regionais e nacionais, Sue tentando destruir o glee club, tudo igual…

As coisas começam a mudar no fim da terceira temporada. Criticado negativamente por boa parte dos fãs, é o meu momento favorito da série. Foi aí que percebi que minha relação de amor e ódio com Glee nunca mudará. Já tive vontade de abandonar a série diversas vezes, mas alguma coisa me prende, não sei explicar, e acredito que o episódio que marca o fim do terceiro ano deveria ser o final do programa. Finn e Rachel parecem ir se casar, mas por amar tanto a aspirante a cantora, ele abre mão do relacionamento dos dois para deixá-la tentar a vida em Nova Iorque, seguindo seu sonho. Tudo é incrível, Lea Michele e Cory Monteith (casal na vida real) estão incríveis na cena da despedida no carro, “that’s how much I love you” é uma das frases mais marcantes da série, assim como a performance de “Roots Before Branches”, que encerra a temporada (eu amar Lea Michele e Rachel também é um fator que me diferencia dos super fãs de Glee). Não ia ser bonito terminar tudo assim?

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As coisas continuaram. A parte do elenco morando em Nova York (Rachel, Kurt e Santana) me mostraram que nem tudo estava perdido. Por outro lado, a leva de personagens novos no colégio não era tão cativante quanto a primeira, a “nova protagonista” Marley é bastante sem carisma (só lembrar da história da bulimia já dá sono) e a relação entre os personagens antigos não é mais a mesma. A coisa só melhora na reta final, tem o caso do perfil fake que faz Ryder se apaixonar, mas tem um péssimo desfecho. Tem Kate Hudson, que tira qualquer produção de qualquer buraco, tem as performances bonitas e em conjunto do elenco nos fins dos episódios, enfim… Atrativos para quem não gosta tanto da série no geral (eu) é o que não falta.

Não sei até que ponto a trama de Nova Iorque continuará presente na série e se as histórias no colégio passarão a ser mais… “Assistíveis”. Fato é que já tive oportunidades e (muita) vontade de largar Glee, mas, sem motivo, nunca o fiz e nem vai ser agora que o farei. A estreia da quinta temporada já tem uma alta audiência garantida após a já citada morte de Cory Monteith, todos querem saber como a história vai seguir a partir daí e como uma homenagem será prestada. Glee também já garantiu uma sexta temporada e nada parece impedir a sua renovação para mais alguns anos.

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Aos Gleeks (…), por mais que eu não goste de vocês em boa parte do tempo, fica aqui compartilhado o meu triste sentimento de perda por Cory, excelente e divertido ator, e por seu personagem, atrapalhado e sem jeito para dança, Finn Hudson.

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