GÓRGONA (Crítica)

Emílio Faustino

Dirigido pelos estreantes Fábio Furtado e Pedro Jezler, estreia nesta quinta-feira, dia 29 de março o documentário Górgona. Ao longo de cinco anos, durante as temporadas da peça “As Três Velhas”, os cineastas acompanharam os bastidores da montagem dirigida e estrelada por Maria, considerada uma das maiores atrizes de sua geração.

Aos mais jovens que talvez não conheçam o legado de Maria Alice Vergueiro, a atriz viralizou no Youtube com a personagem do vídeo “Tapa na Pantera”, que rendeu vários memes e hoje soma mais de 8 milhões de visualizações.

Dona de uma personalidade singular e inspiradora, não seria nenhum exagero dizer que o melhor do documentário é o próprio objeto de estudo, no caso a Maria Alice. Porém, este é um dos casos onde o documentário não consegue fazer jus da grandeza da personagem, entregando ao público uma obra repleta de silêncios (que certamente irão justificar com “faz parte da proposta”) e recursos repetitivos, como a tomada de câmera que da a volta em torno de um eixo várias vezes.

GÓRGONA (Crítica)

(Eles usam estes recursos tantas vezes, que o filme deveria ter em seu início um alerta para pessoas com labirintite não verem. E o pior: o recurso é usado de forma gratuíta sem nenhum propósito. A impressão que dá, é que o diretor de fotografia aprendeu a usar este recurso no dia anterior do começo das filmagens e resolveu aplicar o que aprendeu em vários momentos do filme)

A parte disso, o longa “GÓRGONA”, traz um recorte sensível desse momento na vida da atriz de 83 anos, que convive com o Mal de Parkinson desde 2001. O documentário aborda temas como a proximidade da morte, o envelhecer em cena e passa até mesmo pela polêmica eutanásia.

Outro ponto muito interessante do filme é o custo das convicções artísticas de Maria Alice, que de tão apaixonada por seu ofício não mede esforços para estar em cena. Colocando até mesmo dinheiro de seu próprio bolso para custear a peça. Um retrato fiel não só a dela, como dos demais trabalhadores que vivem do teatro no Brasil.

O documentário consegue capturar bons registros que variam do drama de uma pessoa com suas funções mentais e físicas limitadas, ao risível de uma personalidade implacável.

Sem dúvidas, uma homenagem mais que merecida a Maria Alice Vergueiro que estreia nesta quinta, dia 29 de março.

Pôster de divulgação: GÓRGONA

Pôster de divulgação: GÓRGONA

SINOPSE

Maria Alice Vergueiro, uma atriz já idosa com uma extensa carreira nos palcos, está completamente endividada pela montagem de sua última peça de teatro. Portadora do mal de Parkinson, ela vive nos dias atuais rodeada pela aclamação da crítica, ao mesmo tempo em que sente a indiferença da indústria.

DIREÇÃO

Pedro Jezler, Fábio Furtado

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Fábio Furtado
Título Original: Górgona
Gênero: Documentário
Duração: 1h 17min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 29 de março de 2018 (Brasil)

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