GOSTO SE DISCUTE (Crítica)

Emílio Faustino

O filme que esta em cartaz nos cinemas, apresenta uma comédia romântica, que de romântica não tem nada. Temos uma Kéfera disposta a mostrar versatilidade e se desvincular do estigma de atriz de público infantil que ela cunhou em seu filme “É Fada”. Porém, embora a intenção tenha sido boa, a execução deixa muito a desejar.

Não sabemos exatamente a ordem em que o filme foi gravado, mas arrisco o palpite de que a sua maior parte tenha sido feita em ordem cronológica, isso porque a atriz começa de forma absurdamente robótica e depois progride para um nível aceitável. É ruim num ponto em que certos momentos a forma como ela fala é tão artificial, que dá a impressão de que ela esta se dublando.

Mas a atuação medíocre de Kéfera, de longe não é a pior parte do filme. O roteiro é absurdamente mal elaborado e peca no desenvolvimento do que era pra ser um par romântico. Pense em duas pessoas que passam o filme inteiro se odiando e que em determinado ponto da história resolvem ficar juntas do nada. Não existe algo que uma das partes faz que faz a outra mudar o seu olhar, o que existe é um “eu vou pra onde você for” forçado que causa em quem assiste a cena risos e uma certa vergonha alheia.

Pra ser totalmente franco com vocês, acho que é a primeira vez que vejo um filme onde torço para que o casal não fique junto, não por conta da diferença de idade, até porque existem filmes como “Fala Comigo” que exploram isso maravilhosamente bem, mas porque o casal simplesmente não apresenta nenhuma química em cena.

Pra dar aquela alavancada no ibope e dar assunto pro povo falar, criaram também uma cena de sexo que não acrescenta em nada a história. Por favor, não pensem que eu sou moralista, longe de mim isso. Mas é que simplesmente não faz sentido um filme que apresenta um festival de piadas infantis digno de “A Praça é nossa”, do nada mostrar uma cena de sexo digna de Sense8. Falta coerência.

Mas de tudo o que mais me indignou da trama foi o tratamento que deram para um trabalhador que limpa fossa. Para contextualizar vocês, a trama de “Gosto se Discute” se passa num restaurante que corre o risco de fechar por conta da evasão de seu público. Pois bem, neste contexto surge de quebra um agente sanitário para vistoriar o restaurante e neste momento aparece o cara da fossa (fedendo e pondo em risco a higiene do lugar) para cobrar o seu salário.

A postura do dono do restaurante (Cássio Gabus Mendes) é tratar o cara da fossa com uma falta de respeito sem tamanho, expulsando o mesmo. Porque destratar alguém que faz um trabalho braçal é muito engraçado mesmo, né?

Na sequencia a personagem de Kéfera que esta ali para gerenciar o restaurante é surpreendida em seu escritório pelo mesmo cara da fossa que estava ali para cobrar o seu salário. E sua reação não poderia ser pior: ela humilha o trabalhador, trata como se fosse um excremento humano e de quebra ainda dá um choque no cara para fazer ele ir embora. OI?!?!!?

Vale lembrar que se o cara esta ali trabalhando no restaurante é porque ele foi chamado pelo mesmo né…

O filme também conta com a participação de Mariana Ximenes (que eles fazem questão de destacar), mas que na prática só aparece em uma cena pra mostrar que esta no restaurante. Ou seja, mais um dos itens do filme que não acrescenta nada.

Conclusão: o filme “Gosto se discute” é uma excelente aula de como misturar ingrediente aleatórios pode resultar em uma receita fadada ao fracasso.

Ruim, ruim, ruim. Sem dúvida um dos filmes mais descartáveis de 2017.

Pôster de divulgação: GOSTO SE DISCUTE

Pôster de divulgação: GOSTO SE DISCUTE

SINOPSE

Augusto (Cássio Gabus Mendes) é o chef de um restaurante requintado, estabelecido há anos, que está em baixa devido ao sucesso de um ex-pupilo, Patrick (Gabriel Godoy), que trabalha em um food truck bem na praça em frente ao estabelecimento. Devido à situação, o banco que também é sócio do restaurante indica a rigorosa Cristina (Kéfera Buchmann) para ser a nova gerente. Ela de imediato bate de frente com Augusto, já que deseja alterar a rotina do local de forma a torná-lo rentável. Só que, em meio à pressão em criar um novo cardápio, Augusto passa a ter uma rara síndrome que faz com que perca o paladar.

DIREÇÃO

  • André Pellenz André Pellenz

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: André Pellenz
    Título Original: Gosto se Discute
    Gênero: Comedia
    Duração: 1h 30min
    Classificação etária: 12 Anos
    Lançamento: 9 de novembro de 2017 (Brasil)

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