GOSTOSAS, LINDAS & SEXIES (Crítica)

Kadu Silva

Uma boa proposta, mas…

Não é de hoje que a TV e o cinema vêm retratando a igualdade de gênero em suas produções, uma onda que merece respeito e precisa continuar presente até as coisas fora da ficção se mostrarem adequadas ao que acreditamos ser o correto, no entanto, essas obras nem sempre acertam o tom ao mostrar esse sentimento, é o caso de Gostosas, Lindas e Sexies, que além de criar um roteiro novelístico, exagera na inversão de papeis causando mais um desconforto que uma identificação com o público.

No filme quatro amigas inseparáveis, todas de manequim plus size, vivem aventuras amorosas e profissionais sem ter o peso como problema para o que elas bem entenderem fazer. Todas são independentes e nutrem da liberdade de atitude em suas vidas.

O roteiro do estreante no cinema Vinícius Marquez tem alguns acertos, mas em geral erra na proposta de empoderamento feminino. Acerta em colocar uma mulher negra, gordinha como rica e protagonista de sua história, acerta também em usar alguns diálogos sem pudor entre as mulheres quando falam sobre sexo e relacionamento, mas erra em narrar a trama num formato que lembra uma novela global, isso do começo ao fim, além disso, mostra em sua história que para uma mulher ser vista ou “aceita” igualmente como os homens, elas precisam ter as atitudes mais questionáveis deles. Marquez perdeu a oportunidade de mostrar que a mulher pode continuar a ser feminina e delicada e ainda assim ser forte e poderosa, já que a ideia do filme tinha tudo para resultar em uma produção muito interessante. Pelo pôster e tudo que vemos na telona a inspiração foi a série americana “Sexy in the city”, mas um problema que só ressalta a falta de originalidade do projeto.

Outro estreante é o diretor Ernani Nunes, que mostra sua falta de bagagem ao dirigir o filme sem nenhuma criatividade e com um sério problema de ritmo narrativo. Outro momento que é visível sua imaturidade é na condução dos atores, o que acaba mostrando a limitação de vários deles. Mariana Xavier e Marcos Pasquim são os que ainda entregam bem o que é pedido, o restante está bem abaixo do esperado. A participação especial de Márcia Cabrita e Eliane Giardini são as que salvam o filme de ser algo no mínimo aceitável, já que as cenas com elas são as melhores, seja pelo humor elevado ou pelo texto que representa a ideia central do enredo.

É preciso enaltecer a proposta de colocar mulheres plus size como protagonistas, ter uma negra como a rica e bem-sucedida na história, ainda que a obra não consiga entregar o que é esperado. Com produções assim, a mensagem possivelmente possa chegar a mulheres que estão na mesma condição, e talvez consigam através do filme, perceber que podem ser um dia como as personagens, ou seja, ter o estimulo para a liberdade de atitude que tanto as mulheres almejam.

Infelizmente não foi dessa vez que o cinema nacional conseguiu mostrar na telona esse empoderamento feminino sem querer fazer da mulher um homem com suas mais detestáveis atitudes.

Gostosas, Lindas e Sexies tem uma excelente proposta, mas não consegue entregar de forma adequada o que promete.

Pôster de divulgação: GOSTOSAS, LINDAS & SEXIES

Pôster de divulgação: GOSTOSAS, LINDAS & SEXIES

SINOPSE

No Rio de Janeiro vivem quatro grandes e inseparáveis amigas: Beatriz, Tânia, Ivone e Marilu. Elas vestem manequim plus size e enfrentam todas as aventuras e desencontros amorosos e profissionais que quatro jovens mulheres podem enfrentar na capital carioca, (quase) sempre de bom humor.

DIREÇÃO

  • Ernani Nunes Ernani Nunes

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Vinícius Marquez
    Título Original: Gostosas, Lindas e Sexies
    Gênero: Comédia
    Duração: 1h 50min
    Classificação etária: 14 anos
    Lançamento: 20 de abril de 2017 (Brasil)

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