GUERRA AO TERROR (Crítica)

GUERRA AO TERROR

4emeio

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Hurt Locker
Ano do lançamento: 2008
Produção: EUA
Gênero: Drama, Guerra
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal

Sinopse: JT Sanborn (Anthony Mackie), Brian Geraghty (Owen Eldridge) e Matt Thompson (Guy Pearce) integram o esquadrão anti-bombas do exército americano, em ação em pleno Iraque. Eles trabalham na destruição de um explosivo, fazendo com que seja detonado sem que atinja alguém. Entretanto, um erro faz com que o artefato exploda e mate Thompson. Em seu lugar é enviado o sargento William James (Jeremy Renner), que possui grande sangue frio em ação. Isto gera alguns desentendimentos com Sanborn, que o considera irresponsável. Apesar disto, o trio segue na ativa, tendo consciência de que cada dia concluído de trabalho é um dia a mais de vida.

Por Carlos Pedroso

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“A guerra é uma droga!”, diz a ambígua frase de abertura de Guerra ao Terror. Sim, a obsessão e a adrenalina pela guerra, na visão de Bigelow, são a chave para entender as motivações de soldados americanos em combate. E é numa espécie de estudo subvertido dos filmes de ação sobre guerra que a diretora constrói sua obra mais interessante e, também, a mais imperfeita.

Equivocadamente confundido com um filme de panfleto, cuja premissa usa os meios para justificar seus fins, engana-se quem pensa que as ideias de Bigelow em Guerra ao Terror se resumem a de um patriota americano assíduo. Capturando as imagens num olhar clínico que compreende as ações quase episódicas dos personagens num ciclo vicioso e cômodo, o que Bigelow insere dentro dos movimentos frenéticos e dos cortes bruscos de planos inconstantes da anemia do Iraque é justamente o conflito subvertido daqueles homens em relação ao seu objetivo na guerra. Carregados por expressões cansadas e relutando o comodismo técnico-tático de comandantes de sofá, responsáveis pela imagem americana em combate, o que se observa junto à construção da mise en scène é expressamente a desmistificação do herói de guerra, que questiona sua posição em meio àquilo e se coloca nesse jogo sem volta em função do que já não faz mais parte da sua ética social.

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Sendo realizado por uma Bigelow um tanto técnica e, intencionalmente, mais séria que de costume, Guerra ao Terror, diferente de seus longas anteriores, é levado à audiência pela incompreensão do que nem mesmo Bigelow tem respostas. Por vezes ingênuo ou meramente um retrato de guerra que se quer ser competente, os equívocos e imperfeições colaterais de Guerra ao Terror são inúmeros, e discutivelmente necessários. Por ser voltado ao estudo de personagem, as questões interpessoais e as conseqüências de decisões cabem especificamente em ser o argumento exploratório para o desenvolvimento da persona de Bigelow junto ao filme. Tão obsessiva quanto o próprio personagem -brilhante- de Jeremy Renner, a desenvoltura de Bigelow adjunta a trama é acometida pela falta ritmo e clareza catártica, acarretando em inúmeros questionamentos sobre a validade de suas intenções.

Polêmico por excelência, e divisor de opiniões pela forma e estilo, Guerra ao Terror pode não ter a classe de um K-19, dirigido pela própria Bigelow, ou ser tão visceral quanto deseja ser, mas é sempre interessante ver até onde Bigelow chega para provar-se capaz, principalmente num gênero e estilo de fazer cinema dominado pela idealização masculina de ser.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor – Kathryn Bigelow, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Edição de Som

Indicações: Melhor Ator – Jeremy Renner, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor – Kathryn Bigelow e Melhor Roteiro

BAFTA
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor – Kathryn Bigelow, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Som e Melhor Edição

Indicações: Melhor Ator – Jeremy Renner e Melhores Efeitos Especiais

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Indicações: Melhor Ator – Jeremy Renner e Melhor Ator Coadjuvante – Anthony Mackie

FESTIVAL DE VENEZA
Ganhou: Prêmio Gucci, Prêmio SIGNIS, Prêmio Sergio Trasatti, Prêmio Young Cinema e Prêmio Human Rights Film Network

FESTIVAL DE SEATTLE
Ganhou: Melhor Diretor – Kathryn Bigelow

TRAILER

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