HECTOR (Crítica)

Matheus Souza

Assim como ocorreu em “Toro”, voltamos a ver um coadjuvante dos demais filmes assumir o papel de protagonista, e agora cabe a “Hector” fechar a Trilogia da Vida. O parceiro de Carlão e Diana, que apareceu nos longas anteriores sendo chamado de Latrina, agora busca a remissão dos seus excessos cometidos durante o tempo em que trabalhou na polícia. Hector encontra na fé uma forma de superar seus fantasmas, mas tem de viver com a culpa por seu passado alcoólatra e por seu fracasso como marido e pai.

Semelhantemente ao seu antecessor, o filme não causa o estranhamento do primeiro, mas falha feio no roteiro, que consegue ser muito enfadonho. Embora clichê, a premissa é interessante, porém muitas escolhas erradas foram tomadas na forma de apresentar a narrativa. Os dois primeiros terços do filme é sustentado em boa parte por flashbacks (alguns trechos das películas anteriores e outras cenas inéditas) que conseguem auxiliar na compreensão da história e também serve para “encher linguiça” com mais do mesmo, tornando o desenvolvimento lento.

O maior erro do filme foi deixar o grande plot twist, o verdadeiro gancho de tudo, para os momentos finais. Faltando cerca de meia hora para o término, acontece ao menos um fato que desperta o público do ritmo monótono apresentado. Até isso, é provável que muita gente já tenha cochilado ou desistido do filme.

O narrador, que foi um dos ingredientes principais em Insubordinados, agora foi muito mal utilizado. Além de ser quase desnecessário, as tentativas de colocar frases de efeito e assim criar uma poesia audiovisual falham completamente, nem as analogias entre passagens bíblicas e as cenas mostradas funcionam.

As atuações são satisfatórias assim como nos demais componentes da trilogia, com destaque para Sérgio Cavalcante, que consegue expressar bem a distinção entre as diferentes fases do protagonista, que praticamente faz com que Latrina e Hector pareçam ser pessoas diferentes e não o mesmo personagem. A trilha sonora que nos demais ajudava a criar uma atmosférica dramática, neste não tem expressividade nenhuma. A fotografia se qualifica apenas como “okay”.

“Hector” ganha o título de filme mais fraco da Trilogia da Vida. Por mais que tivesse uma boa proposta, como os demais títulos, sua montagem falha e o resultado é uma obra que não consegue fisgar o público. A reviravolta chega tarde demais, quando muitos já desistiram e tomaram uma má impressão, e assim não consegue cumprir seu objetivo.

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SINOPSE

Hector não sabe mais o que fazer para suprimir a dor advinda das lembranças do passado. Conhecido como Latrina, o ex-policial de personalidade conturbada passa seus dias revivendo o passado com o objetivo de enxergar a redenção de seus pecados e o alívio para sua angústia. Depois de ter se tornado um evangelista, ele tentar alcançar isso através da fé.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Júlio Meloni
Título Original: Hector
Gênero: Drama
Duração: 1h 26min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 24 de novembro de 2016 (Brasil)

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