HÉRCULES (Crítica)

Hercules

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Por Pedro Vieira

BOAS CENAS DE AÇÃO E PERSONAGENS DIVERTIDOS SALVAM NOVO HÉRCULES DE HISTÓRIA BATIDA

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Que as adaptações de contos da mitologia grega estão em alta em Hollywood todos já devem saber. Dessa leva de produções, o “Hércules” estrelado por Dwayne Johnson é até o momento a melhor – embora isso não signifique grande coisa, uma vez que os demais filmes foram fracos ou medianos, ainda que bebam de uma fonte quase inesgotável e cheia de possibilidades como as lendas gregas.

A nova roupagem assumida por essa adaptação é o do interessante conceito de desmistificação da figura de Hércules. Aqui o herói é um mercenário que, junto de um pequeno grupo de companheiros, concorda em ajudar o rei da Trácia a enfrentar a ameaça do guerreiro Rhesus e seu exército que está devastando a região.

É um enredo já conhecido, e que se torna ainda mais batido quando Hércules percebe que terá que lidar com problemas do passado que o assombram. Ainda assim, seu desenrolar é aceitável e a história cresce muito após a pequena reviravolta pouco antes do terceiro ato – acontecimento que surge sem grandes surpresas, é verdade, mas ainda assim é bem estabelecido na trama.

O que faz com que o roteiro genérico não se torne entediante são as boas sequências de ação. Empolgantes, elas se encaixam no enredo de forma equilibrada e são capazes de desenvolvê-lo, sem serem demasiadamente longas para se tornarem chatas e cansativas, e ao mesmo tempo dão espaço para que cada um dos personagens do grupo de Hércules exponha aquilo que lhe faz único e especial.

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Todos os principais personagens conseguem se diferenciar em tais cenas, e possuem uma significância plausível para a trama, mesmo que as histórias pessoais de cada um (e assim o motivo que os liga a Hércules) sejam expostas de forma rápida. Somente Iolau (Reece Ritchie) fica perdido. Sua habilidade especial (a fala, ou seja, a capacidade de fazer os outros crerem nas histórias que ele conta sobre Hércules) parece muito subestimada quando posta ao lado dos feitos de seus companheiros guerreiros, além do fato de que o próprio personagem parece não ter autoconfiança suficiente para acreditar naquilo que diz. É um personagem que fica enfraquecido e sempre que surge na narrativa parece forçado demais.

É o total oposto do que acontece com Amphiaraus (Ian McShane). Engraçado e beneficiado com a boa atuação de McShane, o divertido vidente rouba a cena sempre que aparece e tem convicção para confiar no que os deuses lhe dizem através de suas profecias. O Hércules de Jonhson também possui carisma e é natural, mesmo tendo de ficar por trás de uma expressão severa a maior parte do tempo.

Com os personagens se desenvolvendo bem em meio a ação, é estranho que o filme procure insistir em pequenas cenas dramáticas sem nexo justamente durante lutas importantes. É um drama que chega a ser exacerbado, pouco acrescenta à história como um todo e enfraquece o filme.

Se o longa pretende demonstrar uma melhor execução de sua trama, deveria fazer isso quando Hércules tem de enfrentar seus inimigos ou escapar de alguma armadilha. Seria possível expor como o herói é capaz de superar tais situações a partir de saídas inteligentes e boas estratégias. Mas ao invés disso, o roteiro busca demonstrar a predominância do mais forte sobre o inteligente, e então Hércules alcança suas metas com a força bruta, nunca pelo seu raciocínio – e novamente o roteiro bate de frente com aquilo que o público já esperava do filme.

Não é possível dizer que “Hércules” se torne um filme altamente envolvente, mas ele também não se torna maçante. É um longa que tem seus pontos positivos e negativos, podendo ser divertido, mas para isso, não se deve esperar que ele tenha as mesmas qualidades que fizeram o seu personagem principal ficar conhecido na mitologia: capaz de executar grandes feitos e ser surpreendente.

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SINOPSE

Filho de Zeus, o semi-deus Hércules (Dwayne Johnson) sofre há 400 anos, por ter perdido toda a sua família. Após realizar os doze trabalhos, ele conhece seis homens sanguinários e impiedosos, e une-se ao grupo em busca de novas tarefas e de qualquer trabalho que puder encontrar, com a condição de ser remunerado. Esses homens assassinam diversas pessoas em seu caminho, e com isso acabam despertando fama na região, até que o rei da Trácia chama Hércules e convida-o a treinar o seu exército, na intenção de transformá-los em verdadeiros mercenários.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Brett Ratner” espaco=”br”]Brett Ratner[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Evan Spiliotopoulos e Ryan Condal
Título: Hercules
Gênero: Ação , Fantasia , Épico
Duração: 1h 38min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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