HOJE (Crítica)

HOJE

Extrair o máximo do mínimo, com criatividade

É extremamente gratificante observar como um toque criativo pode mostrar algo completamente novo para um assunto de certa forma batido. O filme Hoje utiliza o intimismo emocional para retratar o período negro da ditadura de forma tão intensa, que qualquer outro filme visual sobre o assunto até hoje não conseguiu fazer.

A sinopse do filme a principio parece banal, conhecemos Vera (Denise Fraga) uma ex-militante política que acaba de se mudar para o novo apartamento, que foi comprado com a indenização concedida pelo governo em decorrência do desaparecimento do seu marido, durante o período da ditadura militar.

Assim que entra em seu novo lar e os seus moveis começam a chegar, lembranças do seu passado veem a tona e então Vera passará por uma auto avaliação mental para tentar superar esse período repleto de marcar profundas.

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O roteiro escrito a seis mãos por Felipe Sholl, Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald utiliza da palavra como forma de comover o público é nos diálogos impactante entre Denise Fraga e seu marido (Luiz) César Troncoso, que conhecemos toda a dor que essa mulher sofreu em um passado próximo e como essa nova fase é o primeiro passo para uma vida nova.

A paulista diretora Tata Amaral, consegue dentro de um único cenário narrar esse drama intimo de Vera de forma extremamente criativa, a projeção e a utilização dos recursos de câmera conferem ao filme uma atmosfera fascinante.

E vários são os recursos que mostram como a direção de Tata Amaral foi criativa, dentre elas a escolha do ator uruguaio César Troncoso, que por si só mostra que a ditadura também foi sofrida por nossos países irmãos.

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Mas o que provoca mais encantamento é a forma como Amaral utiliza o mínimo possível para passar de forma ampla e marcante esse período negro da história do Brasil, ela prova que não é necessário uma retratação visual de um fato para que seja absorvido pela plateia o que de fato aconteceu em uma determinada história.

Denise Fraga extremamente inspirada, consegue nos fazer sentir na alma toda a dor que seu personagem viveu durante a ditadura. Fraga passeia pelos diversos estados emocionais da personagem no timing impressionante, sem exagerar em nada. É sem dúvida uma das mais impactante atuação do ano até agora.

Hoje é um filme que não tem a formula mastigada e fácil que o grande público costuma consumir, mas é sem dúvida um dos mais impactante filmes lançados no cinema esse ano e que merecia ser assistido por o maior número de pessoas. É o tipo de filme para mostrar para quem ainda duvida que o cinema nacional é bem mais criativo que as comedias simplórias que dominam as salas do circuito comercial cinematográfico aqui no Brasil.

DESTAQUE

Para os atores coadjuvantes que mesmo aparecendo pouco, sendo usados praticamente só para dar um alivio da tensão emocional vivida pela personagem, se mostram perfeitos no ritmo do filme.

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SINOPSE

Vera (Denise Fraga) é uma ex-militante política que recebe uma indenização do governo, em decorrência do desaparecimento do marido, vítima da repressão provocada pela ditadura militar. Com o dinheiro ela consegue comprar um apartamento próprio, além de enfim poder ser reconhecida como viúva. Só que, quando está prestes a se mudar, recebe uma visita que altera sua vida.

ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Denise Fraga (Vera/Ana Maria)” espaco=”x”]Denise Fraga[/do][do action=”cast” descricao=”César Troncoso (Luiz/Carlos)” espaco=”x”]Cesar Troncoso[/do][do action=”cast” descricao=”João Baldasserini (Carregador 1)” espaco=”x”]Joao Baldasserini[/do][do action=”cast” descricao=”Lorena Lobato (Síndica)” espaco=”br”]Lorena Lobato[/do]

DIRETORA

[do action=”cast” descricao=”Tata Amaral” espaco=”br”]Tata Amaral[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Felipe Sholl, Jean-Claude Bernardet, Rubens Rewald
Título Original: Hoje
Gênero: Drama
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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