HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO (Crítica)

HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

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Por Emílio Faustino

Se você gostou do curta, vai amar o longa! Se não viu o curta, vai amar do mesmo jeito.

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Após 3 anos do lançamento do curta “Hoje eu não quero voltar sozinho”, sucesso que virou febre no Youtube e contabiliza mais de 3 milhões de visualizações, chega aos cinemas o tão esperado longa “Hoje eu quero voltar sozinho” do diretor Daniel Ribeiro.

Isso mesmo, vocês não leram errado, agora no lugar da negativa, o que temos é uma afirmação no título do filme, e isso é sabiamente explorado na trama que não apenas surpreende como também encanta e diverte o público.

Para quem ainda não viu o curta e esta se sentindo deslocado, a boa notícia é que o filme não é uma continuação. Então é possível ir ao cinema sem aquela neura: “se eu não ver o curta não vou entender o filme”.

Vamos à história… Na trama Leonardo (Ghilherme Lobo) é um adolescente cego que, como qualquer adolescente, está em busca de seu lugar. Para tanto, ele precisa lidar com suas limitações e a superproteção da mãe.

“Porque tem que ser diferente? Porque você não tenta fazer ser igual?” Esta frase dita pelo personagem Leonardo para a mãe, ilustra bem a relação dos dois. Aliás, de modo geral, o texto do filme esta ótimo, incrivelmente atualizado com o vocabulário jovem, sem cair no erro de tentar ser moderninho demais, ele simplesmente flui transmitindo verdade.

Mas a história é centrada mesmo na relação do trio de amigos Leonardo, Giovana (Tess Amorim) e Gabriel (Fabio Audi). Onde Gabriel é o garoto novo da escola que irá despertar sentimentos até então desconhecidos em Leonardo.

E ainda que a história do garoto novo que chega na escola seja pra lá de recorrente, o fato do protagonista ser cego e vivenciar um romance gay fez com que ao diretor pudesse trabalhar o tema de forma original, explorando de forma sensível a sutiliza dos detalhes.

Talvez o grande mérito do filme esteja na forma como ele foi conduzido, com um ritmo que flui tão bem quanto o curta, mesmo ao aprofundar mais a história.

As cenas em que Leonardo não esta vendo algo especifico e a gente vê o que ele não esta vendo, funcionam muito bem causando no telespectador reações. A vontade mais eloquente que nos dá em alguns momentos é a de emprestar os nossos olhos ao protagonista, mas é justamente o oposto que o filme faz, ele nos faz ver o mundo através da perspectiva do personagem. (Um grande feito, diga-se de passagem).

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Tudo que tem no curta esta no filme de alguma forma, a história muda um pouco para dar ao longa mais complexidade, alguns personagens são acrescentados, mas a leveza e o tom singelo do curta são mantidos, assim como a belíssima e sensível fotografia que sem dúvida é o melhor do filme.

Daria para escrever uma página de Word só para tecer elogios à fotografia. Os enquadramentos ora super focados nos detalhes como olhos, orelhas, costas, mãos e ora colocando os atores no canto da tela, proporcionam mais do que boas imagens, transmitiram sensações e contribuíram de forma decisiva no resultado do filme.

Não bastasse isso, as cores vibrantes chamam atenção, como o violeta que predomina na cena em que os personagens Gabriel e Giovana estão conversando no chão do banheiro e o vermelho que predomina na cena da festa. Aliás… Esse momento do filme lembrou e muito “As vantagens de ser invisível”, ao mostrar o protagonista sozinho no sofá, enquanto a festa rola em torno dele.

Para poder aproveitar os mesmos atores do curta (que a propósito dão conta do recado), o diretor optou por contextualizar a história no colegial, ao invés do ensino médio. Com conflitos mais maduros, o filme ganha mais sobriedade que o curta ao explorar as aflições típicas da adolescência, sobre tudo as que estão no campo sentimental.

E para embalar todos os encontros e desencontros amorosos, o filme conta com uma ótima trilha sonora. Um misto de mpb, rock e música clássica, passando por Marcelo Camelo, Cicero, a banda indie Belle and Sebastia até chegar aos clássicos de Bach. (Há tempos não assistia um filme com uma trilha sonora de tamanho bom gosto)

Na atuação Ghilherme Lobo e Tess Amorim se destacam, ele por convencer ao fazer um deficiente visual. (Tem gente até hoje que se espanta quando descobre que o ator enxerga na vida real). E ela por garantir boas risadas com a sua personagem deslocada.

Tão bom quanto à introdução e o desenrolar da história é o desfecho, que na cerimonia de lançamento do filme que aconteceu no Cine Sesc de São Paulo conseguiu retirar aplausos da plateia.

É o tipo de cena que dificilmente irá sair da cabeça das pessoas, e não estou falando de beijo gay ou de algo dramático, a cena final consegue ser ao mesmo tempo forte e delicada.

Com tantas qualidades, pequenos errinhos de continuidade como a cena do protetor solar onde o protetor some e depois volta a lugares da pele que já tinham sido espalhados, passam quase despercebidos.

“Hoje quero voltar sozinho” que estreia em todo Brasil dia 10 de abril, não só conseguiu superar as expectativas, como se estabelece como um dos melhores filmes nacionais do ano até o presente momento. (Se não for o melhor)

Consegue ser um filme jovem sem ser bobo, polêmico sem ser pesado e sensível sem ser careta. Da vontade de ver de novo!

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SINOPSE

Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego, tenta lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel (Fabio Audi) chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Daniel Ribeiro
Título Original: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
Gênero: Drama
Duração: 1h 36min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

ENTREVISTAS ELENCO E DIRETOR

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8 Comentários

  1. André

    Olá,
    Esse filme tem legenda? Espero que sua resposta…. Obrigado!

    • go4891

      Amigo, o filme é brasileiro. rs

  2. Ismael

    Classificação 12 anos…????
    Não sou contra o homossexualismo, mas empurrar guela abaixo em crianças não acho certo… tudo começa assim….ha eles vêem coisas piores, isso já não é mais novidade e tal…

    • Kadu Silva

      Ismael,

      Como você não é contra? No seu comentário tem diversas expressões homofóbicas. Não existe homossexualismo a muito anos. A OMS Organização Mundial de Saúde, há anos, declarou que ser homossexual não é ser doente. ” Homossexualismo é uma expressão errônea e considerada pejorativa nos dias atuais. O sufixo “ismo” sempre se refere a doença, então o termo correto, já que vc não é contra é homossexualidade. Já sobre seu espanto sobre a classificação é outra aberração, já que as crianças, diferente dos adultos, não tem pré conceitos, o correto é o pai ou responsável conversar com ela, para que cresça um adulto consciente, e sabendo conviver com as diferenças. Possivelmente se seus pais tivessem feito isso, quando vc era mais jovem, não teria crescido com esse tipo de pensamento antiguado. Veja o filme e saberá que ele deveria servir de matéria em todas as escolas.

      • JH

        Servir de matéria também já é forçar a barra né, camarada? Hoje são contra o ensino religioso nas escolas, mas são a favor de utilizar um filme sobre homossexuais como material de ensino… Aí è osso.