HOMEM COMUM (Crítica)

HOMEM COMUM

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Por Kadu Silva

Qual o sentido da vida?

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É incrível, quando você se depara com uma produção, que a princípio, você não daria muita importância, mas que de repente, ela toca profundamente sua alma. Afinal acompanhar a vida de um homem comum, num documentário, não teria muita relevância, visto apenas pela sinopse, que apresenta o longa-metragem. No entanto, o filme de Carlos Nader, consegue dialogar com o espectador sobre a vida e suas inesperadas reviravoltas, de uma forma, humana, sincera e emocionante.

O longa narra 20 anos da vida de um caminhoneiro paranaense e a relação inesperada, desta vida com o longa dinamarquês de Carl Dreyer, A Palavra.

O diretor Carlos Nader, explica, que na verdade o longa, acabou acontecendo naturalmente, já que inicialmente sua ideia era apenas, usar os caminhoneiros como fonte de pesquisa, sobre o sentido da vida, mas a trajetória de Nilson acabou chamando a atenção dele, e sem planos, ele acabou filmando por 20 anos os principais acontecimentos da vida desse homem comum.

O interessante da produção, é saber se comunicar de forma clara com a plateia. Existe até uma metalinguagem, colocando a vida do personagem principal, como se fosse um filme. Nader em diversos momentos questiona os entrevistados, você não acha, que as vezes a vida parece um filme? É exatamente assim, que ele, com os diversos registros da existência de Nilson, retrata, quase como uma ficção a vida deste homem.

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Apesar da criativa ideia do longa, o documentário, apresenta um problema, que talvez, os menos experiências em cinema, podem sentir. Toda vez, que o longa, muda das imagens reais, para intercalar com a do filme dinamarquês, a narrativa perde forma, existe uma desconexão, por mais que um complemente o outro, é inegável, que a história do caminhoneiro é muito mais atrativa, o espectador se identificação muito mais fácil pelo retrato real.

Tecnicamente o filme é excelente, trilha sonora, montagem, arquivo das imagens, tudo parece ter sido pensado, desde o início, mas Nader, deixa claro que não.

É interessante ressaltar também que o filme, coloca para discussão, a divindade, se Deus é mesmo o responsável pela vida, e se ele é capaz de fazer o que quer com o nosso destino. Em uma cena, espetacular um ator, compara o seremos humanos as formigas, pela fragilidade. E a fragilidade se mostra presente na deterioração evidente, que Nilson apresenta, ao longa dos anos, chega a ser chocante aos olhos do espectador, que um homem, cheio de vitalidade, pode se transformar em um homem tão debilitado, ressaltando nossa pequenez diante do tempo.

Homem Comum é um filme despretensioso, mas que consegue retratar os altos e baixos momentos da vida de forma brilhante!

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SINOPSE

Partindo da mais essencial de todas as perguntas, “qual o sentido da vida?”, Homem Comum traça uma relação inesperada entre a vida de um desconhecido cidadão paranaense e a obra-prima de Carl Dreyer, A Palavra, considerado um dos 25 melhores filmes de todos os tempos.

Pode haver algo em comum entre os últimos 20 anos da vida supostamente real de um caminhoneiro brasileiro e as duas horas supostamente ficcionais de um filme dinamarquês dos anos 50?

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Carlos Nader
Título Original: Homem Comum
Gênero: Documentário
Duração: 1h 24min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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