HORAS DE DESESPERO (Crítica)

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Por Elisabete Alexandre

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No dicionário Michaelis: xenofobia – sf. Aversão às pessoas e coisas estrangeiras. Isso foi tudo o que eu consegui pensar ao assistir Horas de Desespero.

Dirigido por John Erick Dowdle (Quarentena), o filme conta a história de Jack Dwyer (Owen Wilson, de Meia-Noite em Paris), que vai morar em um país do leste Asiático com a família, esposa e suas duas filhas, após receber uma proposta irrecusável de emprego. No dia seguinte a chegada deles ao local, eles se veem presos em meio a uma Guerra Civil, resultante de um Golpe de Estado.

Sempre me incomodou, e sempre vai me incomodar, essa superioridade que os americanos sentem para com países latinos, africanos, asiáticos e todos os outros que não fazem parte do chamado “países de Primeiro Mundo”. Não estou sendo hipócrita, é só observar um pouco. Americanos são os corretos, os outros, corruptos. Americanos são limpos (só que não), nos outros, falta o mínimo de saneamento básico. Americanos são a ordem, os outros, a desordem. Enfim, poderia continuar essa lista e ela ficaria enorme, mas aonde quero chegar é que eles sempre apontam as “irregularidades do estrangeiro”, enquanto não enxergam seus próprios problemas. Ok, deixarei de lado essa análise sociocinematogáfica e falarei do péssimo roteiro que esse filme tem.

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Quando você inicia o desenvolvimento de um roteiro, ainda ali no argumento (resumo da história), começa-se também um pesado, e muitas vezes maçante, processo de pesquisa, independente no assunto que irá abordar na história. John e seu irmão Drew, responsáveis pelo roteiro de Horas de Desespero, aparentemente não se importaram muito com essa parte. Há tanta incoerência que em determinado momento do filme eu peguei o meu celular e comecei a verificar e-mails. Sério, a narrativa da história estava me incomodando demais! E não era só eu, escutei risadas. Sim, risadas. E até aonde consigo lembrar, esse não é um filme do gênero comédia (mesmo que tenha o Owen Wilson no elenco). Então, eu tive certeza: o problema não era comigo, eu não estava sendo chata, tinha algo de errado, realmente.

Inclusive, um dos personagens, Hammond (Pierce Brosnan, quatro vezes 007), parece que está ali justamente para tentar resolver alguns desses ‘furos’ no roteiro, mas ele é tão mal desenvolvido que não dá para entender quem ele é, o que está fazendo ali, enfim, nada. Ele simplesmente aparece, fala umas coisas, faz outras e é isso. O que era, talvez, para justificar algumas partes, acabou por tornar-se mais uma incoerência, no meio de tantas outras.

Enfim, o filme foi uma total decepção e um grande desperdício de orçamento, na minha opinião. Aliás, a minha única estrela é para o Owen Wilson, porque eu gosto dele. Mas não nesse filme, não. Em Horas de Desespero, Owen é só mais um erro. Gosto dele nos filmes do Wes Anderson, e em Meia-Noite em Paris, claro. Mas mais nos do Wes, com certeza.

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SINOPSE

Jack Dwyer (Owen Wilson) está começando uma nova fase da vida com sua família: aceitou uma proposta de emprego e está indo morar em um país do leste Asiático. O que ele não esperava é que, logo após a chegada deles ao novo lar, um Golpe de Estado os coloca em meio a uma Guerra Civil.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”John Erick Dowdle” espaco=”br”]John Erick Dowdle[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: John Erick Dowdle e Drew Dowdle
Título Original: No Escape
Gênero: Ação
Duração: 1h 43min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 18 anos (confirmar)
Lançamento: 08 de outubro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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1 Comentário

  1. AFM

    Zapeando cheguei em um canal do cabo que exibia esse filme (Horas de desespero). Fiquei logo enojado com a insistência do roteiro em querer mostrar um país arcaico e precário que espanta o “gringo” superior. Mas confesso que depois senti uma pontinha de satisfação. Porque, na verdade, o sudeste asiático é hoje uma continuação do Japão e da China, com arranha-céus mais altos que os dos EUA, vias expressas imensas, indústrias sofisticadas. Se o filme datasse de 1974, talvez até desse para entender. Mas sendo de 2014, parece mais despeito frente à nova região mais moderna do planeta do que um mero esnobismo de “rico”. E, no fundo, medo, também. Que bom.