INSUBORDINADOS (Crítica)

INSUBORDINADOS

3estrelas

Por Assis Junior

INSUBORDINADOS02

Janete (Silvia Lourenço) é introduzida de forma misteriosa ao expectador numa cena onde entrevista uma senhora sobre seus gostos cinematográficos. Tudo o que podemos identificar é que ela passa todos os seus dias exilada em um hospital. Não temos certeza se ela é uma médica, uma enfermeira, uma jornalista. Mas logo as coisas se esclarecem: o pai de Janete, um ex-coronel da polícia militar, está internado.

Várias pessoas participam da rotina diária de Janete, como médicos, enfermeiras, um faxineiro, o funcionário da lanchonete, entre outros. E ao se dar conta desse movimento, ela começa a escrever uma história inspirada nos personagens de seu dia-a-dia na tentativa de se entreter. É a partir desse ponto que o filme se perde. A projeção se torna uma mistura da realidade de Janete no hospital e a história criada por ela, onde encarna a pele da delegada Diana em sua rotina policial. Acontece que a trama da delegada Diana e seus companheiros policiais são mirabolantes além da conta, e fica difícil nos conectarmos com esses personagens. Somos confrontados com o amadorismo de Janete como escritora, e como consequência o filme se torna enfadonho.

INSUBORDINADOS01

Mas nem só de equívocos se trata a conexão de Janete com a sua ficção. A moça inicia um processo de realização de desejos através de sua obra. Ao se interessar por um rapaz que visita o hospital para uma cirurgia, logo um encontro casual é inserido na trama da delegada Diana, que conhece um rapaz enquanto faz seus exercícios matinais em uma praça. Ao se sentir exilada dentro do hospital pela obrigação de cuidar de seu pai, Janete cria uma trama equivalente onde uma colega cobra uma antiga dívida. E o que essa amiga exige de Diana é que ela ponha fim à vida de sua mãe, internada em estado vegetativo. É uma forma de demonstrar o fardo que o pai da moça se tornou ao longo do tempo, apesar de todo o carinho e devoção demonstrado através de flashbacks.

“Insubordinados” merece aplausos pela ótima atuação de Silvia Lourenço, que consegue nos inserir na pele de Janete, e que mesmo com todos os defeitos da segunda trama ainda sim consegue nos transmitir a essência de Diana, um alter ego da primeira criado para realizar os seus desejos mais profundos. O trabalho de fotografia da obra do diretor Edu Felistoque é extraordinário, nos dando belos panoramas da cidade de São Paulo em preto e branco, fria e solitária como a vida encarcerada de nossa personagem. O roteiro peca ao intercalar a ficção da personagem de Silvia na telona, pelo fato de a história fictícia não ser tão bem elaborada, porém é bem-sucedido ao nos transportar para a mente solitária de Janete.

“O duro de ser sozinha é que não tenho descanso de mim. Tem dia que nem eu me aguento. Tem um tipo de solidão que a gente se acostuma, acaba até gostando. Mas às vezes a vida fica tão vazia, tão desabitada que dá a impressão de que a gente não existe. Que nada existe. Que a realidade é uma coisa inventada pela nossa cabeça.”

INSUBORDINADOS03

SINOPSE

Janete (Sílvia Lourenço), aos 32 anos está presa por ter que cuidar de seu pai, um coronel da Polícia Militar aposentado, que está internado em estado terminal. Enquanto espera pela morte do pai, Janete só consegue escrever. Ela cria uma trama policial, transferindo todas as suas aflições para a ficção.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Edu Felistoque” espaco=”br”]Edu Felistoque[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Sílvia Lourenço
Título Original: Insubordinados
Gênero: Drama
Duração: 1h 33min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

Comente pelo Facebook