INVENCÍVEL (Crítica)

INVENCIVEL

3estrelas

Por Pedro Vieira

APESAR DAS BOAS INTENÇÕES, DRAMA DE JOLIE ACABA POR SE TORNAR CANSATIVO E COMUM

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“Invencível” (Unbroken) poderia ser mais um desses filmes que chegam aos cinemas despercebidos se não fosse um detalhe: é o segundo longa dirigido por Angelina Jolie. Em sua nova empreitada, a diretora deixa de lado os temas polêmicos, como os que pairavam sobre o seu “Na terra de amor e ódio”, e parte para um drama de guerra baseado em fatos com um apelo muito maior perante o público norte-americano.

O roteiro toma como base o livro homônimo de Laura Hillenbrand, no qual é narrada a história do ex-atleta olímpico Louis Zamperini (Jack O’Connell) durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto fazia parte do exército americano, Zamperini passou dias preso em um bote em meio ao mar e foi feito prisioneiro pelo exército japonês. É fácil se afeiçoar pelo protagonista: a história de tons heroicos possui os elementos dramáticos certos para fazer com que o espectador torça pelo personagem que permanece integro e inabalável perante as maiores adversidades. Não é nada que o cinema – ou qualquer outra mídia – já não tenha mostrado, mas o filme não parece muito preocupado em ser algo inédito. Na verdade, a maior preocupação aqui está em tentar fazer o público se emocionar a maior parcela possível de tempo em que ele estiver dentro da sala de cinema.

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As escolhas de Jolie perante a direção demonstram bem isso. Planos fechados que focam no rosto dos atores ou cenas em ângulos mais aberto ao por do Sol, acompanhados de uma trilha sonora que evoca um estado de superação e grande emoção, ocorrem o tempo todo. O tom melodramático do filme é assim alimentado e aos poucos vai deixando a projeção cada vez mais cansativa.

Não que a diretora erre com o filme: as cenas são todas bem fotografadas, se misturando perfeitamente com a direção de arte; o elenco escalado, composto de atores emergentes como O’Connell, Domhnall Gleeson e Garrett Hedlund, atua precisamente bem e é um dos principais pontos positivos do longa. Entretanto, o clima altamente dramático adotado não dá descanso ao espectador e nem uma verdadeira identidade ao longa, que parece uma produção qualquer, ainda que bem feita e com boas intenções.

Como um produto da indústria cinematográfica, “Invencível” possui qualidade, porém, não tem uma personalidade própria. O público deverá gostar da história e até se emocionar, mas não será um longa que marcará de forma que espectadores o guardarão na mente com boas recordações. Com isso, Jolie, mesmo possuindo certa afinidade atrás das câmeras, ainda não mostrou a que veio como diretora. Resta aguardar que em sua próxima empreitada ela demonstre uma capacidade maior não em só filmar bem um filme, mas em trazer a ele algum diferencial marcante.

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SINOPSE

O drama retrata a história real do atleta olímpico Louis Zamperini, que sofre um acidente de avião, e cai em pleno mar. Ele luta durante 47 dias para reencontrar a terra firme, e quando consegue, é capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: William Nicholson, Richard LaGravenese, Joel Coen e Ethan Coen
Título Original: Unbroken
Gênero: Drama
Duração: 2h 17min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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