INVOCAÇÃO DO MAL 2 (Crítica)

Kadu Silva

Mas fantasioso e menos real

Dois destaques do primeiro Invocação do Mal, o roteiro que dava para narrativa um aspecto crível na história apresentada e as referências aos clássicos filmes de terror do passado, foram deixados de lado na continuação que chega 3 anos depois do primeiro lançamento. Invocação do Mal 2 retrata novamente um caso investigado pelo casal Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson), dessa vez 7 anos depois do que conhecemos no primeiro filme. Aqui uma família de classe média de Londres se vê atormentada por um espirito que encarna na jovem Janet (Madison Wolfe) e faz a vida de todos naquela humilde casa um verdadeiro “inferno”.

O roteiro que teve participação de várias pessoas inclusive o diretor James Wan (Jogos Mortais) não consegue o mesmo êxito do primeiro filme, já que dá para a narrativa um tom mais fantasioso, além disso, o casal de investigadores se tornam menos presentes durante o filme, só ganham destaque no terceiro ato, o foco fica durante muito tempo (desnecessariamente) na família. Além disso, guarda-se muito do clímax principal, somente para o desfecho do filme, algo que faz lembrar o (descartável) Atividade Paranormal.

O longa anterior soube como maestria contar uma história que dava medo, ou seja, você ficava tenso durante quase todo o filme pela trama assustadora que era contada, nesse filme o que acontece muito, são cenas que leva a plateia ao susto, solução pouco criativa para uma franquia que tem potencial para algo mais profundo. Além disso, acontecem muitas escolhas clichês para dar a sensação de terror e tensão, chuvas a quase todo momento, porão assombrados e personagens “burros” que vão de encontro ao desconhecido e assim por diante.

Mas o filme tem dois trunfos a seu favor que faz dele um longa acima da média no gênero de terror, a começar pela direção competente e criativa de James Wan (novamente no comando), que sabe usar sua câmera como instrumento na criação do suspense/terror, em planos sequencias geniais, na câmera parada para deixar o espectador imaginar o que está acontecendo, quando ele não vê ou mesmo na câmera na mão para ressaltar o clima de desconforto que a família vivia com os acontecimentos. O outro destaque é para a atriz Madison Wolfe (Joy: O Nome do Sucesso) que rouba a cena ao entregar uma atuação visceral para a jovem possuída Janet, é assustadoramente perfeita do drama aos momentos de atuação assustadora.

Por falar em atuação, o elenco em geral entrega boas performances, destaques para os competentíssimos Vera Farmiga (Os Infiltrados) e Patrick Wilson (Sobrenatural), que repetem seus papeis de forma brilhante.

Tecnicamente vale mencionar, a fotografia que usa do jogo de sombras e luz em perfeita sintonia com a direção de Wan, para causar o ambiente claustrofóbico da casa, a direção de arte que recria a Londres dos anos 70 perfeitamente e a trilha sonora que sabe ressaltar o clima de tensão para a narrativa do longa.

Invocação do Mal 2 é um bom longa-metragem de terror, mas infelizmente não conseguiu igualar a excelência que o seu antecessor obteve em diversos aspectos.

INVOCACAO DO MAL 2

SINOPSE

Sete anos após os eventos de Invocação do Mal (2013), Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) desembarcam na Inglaterra para ajudar uma família atormentada por uma manifestação poltergeist na filha. A trama é baseada no caso Enfield Poltergeist, registrado no final da década de 1970.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: James Wan, Carey Hayes, Chad Hayes, David Leslie e David Johnson
Título Original: The Conjuring 2: The Enfield Poltergeist
Gênero: Terror
Duração: 2h 14min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 9 de junho de 2016 (Brasil)

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