IRMÃS DIABÓLICAS (Crítica)

IRMAS DIABOLICAS

4emeio

FICHA TÉCNICA

Título Original: Sisters
Ano do lançamento: 1973
Produção: EUA
Gênero: Suspense
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Brian De Palma e Louisa Rose

Sinopse: Irmãs siamesas, criadas por freiras num orfanato, são finalmente separadas depois de vários anos vivendo literalmente unidas. Mas a separação causa um transtorno irreparável e as irmãs passa a rivalizar uma com a outra. É nesse cenário que surge um assassinato, e uma das gêmeas está diretamente ligada ao crime.

Por Jason

IRMAS DIABOLICAS02

Danielle (Margot Kidder, a eterna Lois Lane de Superman) é suspeita de ter assassinado seu namorado. Aparentemente, ela foi vista cometendo o crime pela sua vizinha e repórter Grace (Jennifer Salt). No entanto, as investigações se complicam quando é revelado que Danielle tem uma irmã gêmea, Dominique, que pode estar envolvida com o episódio.

De Palma se usa de tudo para criar suspense. Ele divide a câmera ao meio num momento chave: de um lado, vemos a ação dentro do apartamento de Danielle, com o ex marido limpando a cena do crime. Do outro lado, a repórter que presenciou o assassinato tentando convencer os policiais a caminho do apartamento. Uma vez lá, a câmera de De Palma une as duas cenas em uma só, um recurso interessante que seria usado em filmes como Carrie, com grande resultado também. Não satisfeito, usa o ponto de vista da testemunha ocular, como nos filmes de Alfred Hitchcock (Janela Indiscreta) e em filmes que ele mesmo dirigiu (Dublê de Corpo, onde um vizinho também presencia um assassinato).

IRMAS DIABOLICAS03

Com o corpo escondido dentro do sofá do apartamento de Danielle, os policiais e a repórter procuram pelo apartamento e nada encontram. A partir daí a repórter bisbilhoteira sai para investigar por conta própria e provar que o que viu foi real. Encontra um personagem que lhe mostrará a verdadeira identidade de Danielle, que foi separada depois de adulta de sua irmã siamesa e supostamente uma delas sofre de distúrbios psicológicos. Distúrbios psicológicos aliás são temas constantes da carreira de De Palma. Aqui não é diferente: da personagem principal, passando pela neurótica psicótica por limpeza que tem medo de pegar germes e doenças, todos fazem parte do panorama de loucura pilotado por De Palma e todos os espectadores estão sujeitos as reviravoltas de suas tramas.

Tratada como louca, Grace precisa escapar do hospício para onde foi parar enquanto mistura delírios com a própria realidade e incorpora a própria irmã de Daniele, suas dores e devaneios – a partir daí só vendo o filme para testemunhar no que isso vai resultar. Irmãs diabólicas também é um filme sobre perda de identidade. Tanto Daniele quanto Dominique são tratadas como se fossem opostas, mas podem ao final ser a mesma pessoa, podem ser a própria Grace ou pode ser tudo fruto da desordem de psíquica de uma delas, porque nos últimos momentos, De Palma já embaralhou o jogo e confundiu o espectador, deixando todos sem saber quem realmente é culpado e quem realmente é louco nessa trama toda.

Desconte a péssima trama investigativa policial, a interpretação caricata de Jennifer Salt e seja feliz.

IRMAS DIABOLICAS01

TRAILER

Comente pelo Facebook

1 Comentário

  1. Ricardo Tenório Rodrigues

    Procurei durante bastante tempo esse filme menor do De Palma. Consegui comprá-lo há algum tempo atrás. Pena que minhas expectativas não foram tão boas em relação ao filme.
    A trama é retirada de um artigo que o próprio De Palma roteirizou, e tem realmente uma história intrigante, mas acho que a forma como De Palma conduziu o filme foi que não ficou muito boa. Ele acertou na montagem, no elenco e nos detalhes do roteiro, em que cada momento eleva ainda mais o suspense e sem falar naquela trilha sonora do parceiro de costume de Hitchoock Bernard Herman que faz o filme ficar ainda mais insano.
    Infelizmente, o ritmo do filme é muito arrastado o que atrapalha o resultado final.
    Mesmo assim, é um bom exercício de suspense, no qual De Palma, usa e abusa dos enquadramentos de cenas e da divisão da câmera ao meio para contar a história, técnica esta, que usaria em longas posteriores como Carrie – A Estranha, A Fúria, Vestida para Matar, Um Tiro na noite e Dublê de Corpo.