JACKIE BROWN (Crítica)

JACKIE BROWN

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Jackie Brown
Ano do lançamento: 1997
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Elmore Leonard e Quentin Tarantino

Sinopse: Comissária de bordo (Pam Grier) trafica dinheiro para os Estados Unidos, a mando de um vendedor de armas. Quando dois policiais oferecem um acordo para que ela entregue o bandido, a mulher decide dar a volta em todos os envolvidos, com um olho na liberdade e outro numa mala cheia de dinheiro.

Por Guilherme Pereira

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Após surpreender Hollywood com Cães de Alguel, seu primeiro filme, e revolucionar o cinema independente com Pulp Fiction, os olhos de todo amante de cinema estavam focados em qual séria o próximo projeto do diretor Quentin Tarantino. Em 1997, Tarantino presenteou o mundo com Jackie Brown, seu terceiro filme como diretor.

O filme conta a história de Jackie Brown (Pam Grier), uma comissária de bordo que trafica dinheiro para os Estados Unidos sob o comando do traficante de armas Ordell Robbie (Samuel L. Jackson). As coisas começam a se complicar quando dois policiais acabam descobrindo o esquema e propõem um acordo para que Jackie entregue o seu “chefe” a troco de sua liberdade. Jackie se vê em um dilema e então decide dar um golpe em todos os envolvidos para poder ter sua liberdade e uma maleta cheia de dinheiro. O filme ainda trás no elenco Robert De Niro, Bridget Fonda, Michael Keaton, Chris Tucker e Robert Forster, que recebeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante pelo papel de Max Cherry. O filme é baseado no livro Rum Punch do autor Elmore Leonard.

Como todos sabem, Tarantino é um DJ do cinema. O conhecimento que Tarantino têm das mais diferentes formas e estilos faz com que o diretor reconstrua momentos de outros filmes dentro de sua própria linguagem de um modo inimaginável. O gênero que Tarantino escolhe para homenagear neste filme em questão nada mais é do que o blaxploitation dos anos 70.

Ao adaptar o livro, Tarantino mudou a etinicia da personagem principal para negra e também o nome da personagem principal foi mudado de Jackie Burke para Jackie Brown. O pôster original do filme e o tipo de fonte utilizada nos créditos iniciais se assemelham ao do filme Foxy Brown de 1974. Foxy Brown foi interpretada por Pam Grier, a Jackie Brown. O filme ainda traz diversas tomadas, ângulos, montagens, diálogos e figurino que submetem a filmes como Dolemite (1975), Sheba Baby (1975), Black Caesar (1973), Shaft (1971) e Coffy (1973).

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Mesmo com tantas referencias, na minha opinião Jackie Brown não chega a ser um baxpoitation, tendo em vista que muitos elementos do gênero não estão presentes no filme. Jackie Brown nada mais é do que uma comédia de ação, onde Tarantino usou elementos da blaxpoitation para contra a história.

O filme é repleto de cenas clássicas, como a hilária cena onde Samuel L. Jackson coloca Chris Tucker no porta-malas de um carro ou a cena de abertura que remete ao filme A Primeira Noite de Um Homem de 1967. Mas o clímax de Jack Brown, na minha opinião, está entre um dos melhores momentos da carreira do diretor. Os enquadramentos e a tensão criados visualmente por Tarantino durante a cena do grande golpe são simplesmente de tirar o fôlego. O uso da trilha sonora do filme Coffy (blaxpoitation também estrelao por Pam Grier) é utilizado de maneira magistral por Tarantino.

A trilha sonora do filme, como não é surpresa para ninguém, conta com diverças misturas de gêneros e estilos. A trilha incluí músicas de Johnny Cash, Randy Crawford, The Grass Roots, The Supremes, Guess Who, Foxy Brown (a rapper, e não a personagem do filme de 74) e The Delfonics. Essa salada mista de diferentes estilos quando justapostas com as imagens de Tarantino e com o enredo do filme, formam uma maravilhosa poesia cinematográfica.

Tarantino, obviamente, também não deixou de se auto-homenagear nesse filme. A câmera “no porta-malas” está presente no filme, junto com tomadas fechadas em pés femininos, tomadas longas e personagens cantando junto com o radio. Em Jackie Brown Tarantino foi mais além ainda: A personagem principal usa um figurino praticamente idêntico ao de Mia Wallace.

Como já deu pra perceber, sou fã incondicional de Tarantino, e posso passar horas e horas analisando cada obra sua. Mas, deixo aqui a minha recomendação de Jackie Brown, filme que considero como o mais acessível de toda filmografia do diretor. É o menos sangrento e o menos “sujo”. Na minha opinião, eu acho que o próximo filme de Quentin Tarantino tem de ser algo na linha de Jackie Brown. E pra terminar, quero deixar todos com inveja e comentar que assisti ao filme em 35mm no cinema New Beverly em Los Angeles, cinema cujo Tarantino é dono. Assim como Tarantino, eu sou “old school” e prefiro mil vezes a experiência de assistir a um filme em película do que uma projeção digital.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicação: Melhor Ator Coadjuvante – Robert Forster

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Ator – Comédia/Musical – Samuel L. Jackson e Melhor Atriz – Comédia/Musical – Pam Grier

FESTIVAL DE BERLIM
Ganhou: Melhor Ator – Samuel L. Jackson

TRAILER

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