JANELA INDISCRETA (Crítica)

JANELA INDISCRETA

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Rear Window
Ano do lançamento: 1954
Produção: EUA
Gênero: Suspense
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: John Michael Hayes, baseado em estória de Cornell Woorich
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Em Greenwich Village, Nova York, L.B. Jeffries (James Stewart), um fotógrafo profissional, está confinado em seu apartamento por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com um binóculo, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um assassinato foi cometido.

Por Marcos Piovesan

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Não me surpreende em nada entre as escolhas dos filmes de Hitchcock que esse tenha sido o mais votado, quase todo mundo já ouviu falar dessa produção, e mesmo quem conhece pouco de cinema, já se deparou com algumas cenas clássicas do mestre do suspense, como mais famosa cito o assassinato no chuveiro em “Psicose”.

Esse grande diretor inovou com roteiros e estilos que marcaram o cinema até nossos dias atuais, e “Janela indiscreta” é uma verdadeira aula de cinema, em se tratando de roteiro bem escrito, planos de câmera, edição e claro uma maravilhosa direção.

Vamos ao cinema para espiar a vida alheia, e nesse filme vemos ela através da janela de um apartamento, sendo convidados a fazer parte da história, como se a personagem principal do filme falasse conosco, dessa forma podemos nos sentir também dentro da trama.

O diretor brinca com a câmera nos transportando para o universo dos “voyers”, fazendo que como expectadores tenhamos a sensação de interagir com o filme, sendo como um “voyer oculto”, em toda a trama há somente um momento que a câmera sai fora do apartamento do fotografo, e sem dúvida é isso que eleva mais o suspense da história e sua tensão crescente.

Enquanto muitos diretores trabalham com diversos cenários, o desafio desse filme é contar uma história através de um cenário apenas, e para isso foi reconstruído um quarteirão inteiro de apartamentos em Nova York.

James Stewart faz o papel de um repórter fotográfico que encontra-se imobilizado em seu apartamento com a perna engessada, sem ter muito o que fazer devido a seu estado, ele observa a vida de seus vizinhos no prédio em frente ao seu.

Temos um desfile de personagens através das janelas, como o casal feliz que compartilha todos os seus momentos de amor, a jovem bailarina vivendo num mundo vazio a procura de um grande amor, o pianista que não consegue terminar sua grande obra por falta de inspiração, a senhora que tem sérias crises nervosas por viver sozinha e um casal que briga constantemente.

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É uma quantidade imensa de pequenas histórias que tem o amor como ponto em comum, o que serve com mote para sua própria história pessoal que é monótona e solitária.

Apesar de namorar uma jovem rica, bonita e inteligente, doida por se casar com ele, mas eles são totalmente opostos e ele acredita que casar deixaria seu dia a dia mais tedioso e sem graça, uma vez que ele viaja por todo o mundo como fotografo acompanhando corridas de carros.

Esse é o grande conflito do casal, que vai se desenvolvendo durante o filme até seu desfecho final, o casal é totalmente oposto, numa das conversas entre eles isso fica mais que evidente, ela traz uma garrafa de vinho para ele e comenta: “È um Montrachet”, em vez de pedir uma taça apropriada, ele responde o seguinte “Então me de um copo bem grande”.

O filme é muito mais visual que verbal, prova disso é que já na primeira cena num plano de sequência em seu apartamento, a câmera passa pelo rosto dele suando e com a perna engessada, depois por uma mesa sobre a qual se vê uma máquina fotográfica quebrada e uma pilha de revistas, na parede fotos de carros de corrida capotando.

Com esse movimento de câmera e sem diálogo algum, somos informados quem é o personagem principal, o por quê dele estar com a perna quebrada, qual sua profissão e como esta o clima fora, simplesmente com os elementos visuais que nos é dado, podemos interpretar esses fatos.

Mesmo assim os poucos diálogos contidos são muito bem construídos e reduzidos ao necessário, mas que passam informações importantes a respeito das personagens, como na primeira cena que sua linda namorada Lisa Fremont (Grace Kelly – eterna princesa de Mônaco), que em suas poucas aparições merece destaque, aparece o fotografo comenta: “È a mesma Lisa que nunca repete um vestido”, ao que ela responde “È o que esperam de mim”.

Assim acompanhando a vida de seus vizinhos e para dar o tom de suspense na história, inúmeros fatos convencem o personagem imobilizado pelo gesso que um homem (Raymond Burr), assassinou sua própria esposa, e ele compartilha suas suspeitas com a namorada e seu amigo detetive (Wendell Corey).

Não vou estragar a surpresa do desfecho final, para quem não assistiu o filme contando o restante, e para quem já viu vai a minha dica, vale a pena rever esse que é um dos melhores clássicos do mestre do suspense.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicações: Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Som

BAFTA
Indicações: Melhor Filme

TRAILER

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