JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL (Crítica)

JogosVorazes a esperanca o final

4emeio

Por Davi Gonçalves

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Deixemos claro desde o início: acreditar que Jogos Vorazes é uma simples franquia teen é um erro grotesco. Apesar dos jovens protagonistas, todo o universo da série girava em torno de temas complexos – os dramas adolescentes só serviam de alegoria para uma narrativa passada num futuro pós-apocalíptico e que inseria assuntos necessários, como política, manipulação da mídia, desigualdade social e, principalmente, revoluções. Logo, confesso de cara que chega a ser um absurdo comparar Jogos Vorazes com outros títulos aparentemente do mesmo gênero. E Jogos Vorazes: A Esperança – O Final encerra a saga da heroína Katniss com propriedade, ainda que não seja tão grandioso quanto merecia.

A história é assumida exatamente de onde acabou o filme anterior – aliás, quando soube que o desfecho seria dividido em dois longas, optei por não falar do primeiro e tentar tratar tudo como uma única obra. Mas não sei se é uma boa idéia, afinal se for assim, lá vai: esse segundo filme é inteiramente dispensável. Já sabemos, obviamente, que se trata de uma estratégia “fácil” para estender a franquia em troca de uns trocados a mais – mas qualquer pessoa em sã consciência, mesmo um fã inveterado, deve admitir que todo o terceiro livro em que o desfecho foi baseado poderia muito bem ter sido resumido em uma única fita. Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 já apresentava sinais de cansaço: deveras arrastado, de longe foi o mais fraco de todos. O Final supera Parte 1, é verdade; mas a sensação de “isso aí só foi criado para me fazer ir até o cinema” permanece durante toda a projeção.

Com pouco mais de duas horas de duração, O Final acompanha a tentativa dos rebeldes em invadir a Capital e tomar o poder – “liderados” por Katniss, que parte na mesma jornada com o intuito de assassinar o Presidente Snow. Mas é claro que tudo não passa de um jogo – e a personagem que deveria ser uma heroína se torna um mero fantoche nas mãos dos poderosos. Katniss jamais assume uma posição firme diante da revolução que está ao seu redor (e que ela mesma teria inflamado, diga-se de passagem). Assim, sua personagem enfraquece, perdendo-se em uma sede de vingança que, mais tarde, acaba por sucumbir. Em outras palavras: o grande nome de todo aquele movimento entra muda e sai calada, de forma totalmente contraditória com a expectativa que tínhamos pelos trailers e pôsteres promocionais. Faltou coragem, ousadia e atitude por parte de nossa protagonista.

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No entanto, esta “falha” no desenvolvimento de Katniss não impede que Jennifer Lawrence chame a atenção, roubando o filme para si. Sou meio relutante com relação à atriz, mas confesso que sim, ela faz um bom trabalho – ganhando, merecidamente, todo o status que possui. Josh Hutcherson tem bons momentos também – uma pena seu personagem não colaborar muito, sendo um simples antagonista sem brilho perto de Kat. Liam Hemsworth, por sua vez, ainda bem que tem um rosto bonito: fraco até doer na alma (me perdoem as fãs, mas não tem como defendê-lo). Dos coadjuvantes, Woody Harrelson faz rir com seu tipo cheio de carisma e ironia, enquanto a oscarizada Julianne Moore empresta bastante sobriedade para Alma Coin.

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final, no geral, apresenta um ritmo particularmente lento em sua primeira metade, ganhando mais agilidade a partir daí, com boas cenas de ação e certo suspense. No entanto, a edição do filme incomoda em alguns instantes, dando a impressão de que a história está sendo contada às pressas e alguma coisa ficou faltando. É notório que o longa sofreu com a divisão do livro em duas sequências; tudo ali poderia ter sido resumido de forma mais satisfatória (não fosse a ganância dos estúdios, mas enfim…). Para além disso, o desfecho é piegas, nem um centímetro à altura da saga – digno de Crepúsculo, aliás. No entanto, encerra bem este universo. Poderia ter sido maior, mas está compatível com o que foi apresentado no filme anterior, superando-o como um produto de “entretenimento”. E apenas isso: Jogos Vorazes, apesar de tudo, é ainda um puro entretenimento adolescente que, infelizmente, perdeu suas forças ao longo do caminho, desperdiçando a chance de amadurecer e tornar-se uma excelente experiência cinematográfica.

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SINOPSE

Ainda se recuperando do choque de ver Peeta (Josh Hutcherson) contra si, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é enviada ao Distrito 2 pela presidente Coin (Julianne Moore). Lá ela ajuda a convencer os moradores locais a se rebelarem contra a Capital. Com todos os distritos unidos, tem início o ataque decisivo contra o presidente Snow (Donald Sutherland). Só que Katniss tem seus próprios planos para o combate e, para levá-los adiante, precisa da ajuda de Gale (Liam Hemsworth), Finnick (Sam Claflin), Cressida (Natalie Dormer), Pollux (Elder Henson) e do próprio Peeta, enviado para compôr sua equipe.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Francis Lawrence” espaco=”br”]Francis Lawrence[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Danny Strong e Peter Craig
Título Original: The Hunger Games – Mockingjay: Part 2
Gênero: Aventura, Ficção científica, Guerra
Duração: 2h 17min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 18 de novembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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