JOGOS VORAZES – EM CHAMAS (Crítica)

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Por Pedro Vieira

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Desde que a onda de adaptações de livros juvenis começou em Hollywood, lá no início da década passada, muita coisa foi produzida para esse público, que abraçava tais filmes como se fossem obras-primas, mesmo aqueles mais medianos. Difícil era ver alguma produção que repetisse o que podemos chamar de efeito “Harry Potter”, e agradasse público e a crítica. A série “Jogos Vorazes” parece ter conseguido isso em seu primeiro longa, que chegou aos cinemas meio desconhecido, mas com uma base de fãs sólidas e despertou o interesse dos cinéfilos por sua trama inteligente e sua protagonista determinada e corajosa – bem diferente das mocinhas indefesas que vemos por aí. Mais de um ano depois, muitos já tiveram contato com a história de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), o que faz com que sua continuação, “Jogos Vorazes: Em Chamas” (The Hunger Games: Catching Fire), seja um dos filmes mais aguardados deste ano.

Aqui, a história da vencedora do 74º Jogos Vorazes continua. Agora ela faz parte do seleto grupo de vitoriosos do Distrito 12, mas suas ações nos jogos serão sempre lembradas, principalmente pelos outros distritos, que começaram a fazer levantes, acreditando que Katniss veio para se tornar a líder de uma futura revolução contra a Capital. Ela não tem essa pretensão, principalmente após o presidente Snow (Donald Sutherland) ameaçar sua família, fazendo com que a jovem sucumba às suas ordens. Entretanto, mesmo buscando agradar Snow, Katniss não prevê que o presidente e o Idealizador dos Jogos, Plutarch Heavensbee (Phillip Seymour Hoffman), planejam coloca-la de volta nos jogos, esperando que dessa forma ela finalmente morra junto de sua imagem de símbolo revolucionário.

O filme começa muito bem, com um clima pesado que rapidamente prende a atenção do espectador. A partir daí as coisas vão acontecendo com bastante agilidade, o que por um lado é bom, pois não deixa o seu público aborrecido, mas por outro faz tudo passar tão rápido, que sobra pouco tempo para uma reflexão mais bem elaborado sobre alguns pontos importantes da trama.

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Um desses pontos é justamente o quesito psicológico da protagonista e que era um problema no primeiro filme. É difícil transpassar todos os pensamentos e sentimentos de uma personagem complexa como é o caso de Katniss para a imagem. Dessa forma, em alguns momentos a personagem parece fria em relação aos acontecimentos ao seu redor, enquanto em outros se pode presenciar perfeitamente as consequências do trauma dos Jogos Vorazes sobre seu estado mental.

As coisas melhoram quanto Katniss vai para a arena, aonde não só a personagem ganha mais vigor, como também Jennifer Lawrence, em mais uma bela atuação, pode chorar e se expor à vontade em relação à violência ao seu redor – mesmo que isso signifique causar mais violência. Sam Caflin e Jena Malone, que interpretam respectivamente Finnick e Joahnna, também estão bem em seus papéis, enquanto os veteranos, Hoffman, Sutherland, Woody Harrelson (Haymitch) e Elizabeth Banks (Effie) dão suporte para os jovens atores. Enquanto isso Josh Hutcherson, que deveria fazer o papel do protagonista masculino da trama, aparece apagado, sendo apenas lembrado pelo fato de seu personagem ser o alvo de toda a preocupação que aflige Katniss.

A direção de Francis Lawrence continua com bom trabalho deixado por Gary Ross no filme anterior, sabendo dirigir bem as cenas de ação e trabalhando bem com o tom mais pesado que seu antecessor, mas peca por errinhos bobos. A inserção de uma música desnecessária em uma cena do casal protagonista, que tenta elevar o clima romântico da narrativa – que é bem fraco tanto no filme quanto no livro – se torna incoerente em relação aos outros fatores da história. Ou ainda a necessidade de explicar coisas subentendidas para o público, como quando Peeta crítica o fato de passarem fome nos distritos, enquanto na Capital as pessoas vomitam para comer mais, fica parecendo uma aula de Ciências Sociais.

Felizmente, tudo isso é esquecido apenas alguns segundos depois, devido à sua narrativa inteligente. Bem fiel ao livro que lhe deu origem, “Jogos Vorazes: Em Chamas” vai agradar desde os fãs até os espectadores mais exigentes, já que além de ótimo entretenimento, também possui sua carga de reflexão.

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SINOPSE

Este é o segundo volume da trilogia Jogos Vorazes, baseada nos romances de Suzanne Collins. A saga relata a aventura de Katniss (Jennifer Lawrence), jovem escolhida para participar aos “jogos vorazes”, espécie de reality show em que um adolescente de cada distrito de Panem, considerado como “tributo”, deve lutar com os demais até que apenas um saia vivo. Neste segundo episódio da série, após a afronta de Katniss à organização dos jogos, ela deverá enfrentar a forte represália do governo local, lutando não apenas por sua vida, mas por toda a população de Panem.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Yael Shafrir, Michael Mayer
Título Original: The Hunger Games: Catching Fire
Gênero: Aventura
Duração: 2h 26min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 anos

TRAILER

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