JURASSIC PARK – PARQUE DOS DINOSSAUROS (Crítica)

JURASSIC PARK

FICHA TÉCNICA

Título Original: Jurassic Park
Ano do lançamento: 1993
Produção: EUA
Gênero: Aventura
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Michael Crichton e David Koepp, baseado em livro de Michael Crichton

Sinopse: Um parque construído por um milionário (Richard Attenborough) tem como habitantes dinossauros diversos, extintos a sessenta e cinco milhões de anos. Isto é possível por ter sido encontrado um inseto fossilizado, que tinha sugado sangue destes dinossauros, de onde pôde-se isolar o DNA, o código químico da vida, e, a partir deste ponto, recriá-los em laboratório. Mas, o que parecia ser um sonho se torna um pesadelo, quando a experiência sai do controle de seus criadores.

Por Douglas Müller

JURASSIC PARK02

Bem-vindos ao Parque dos Dinossauros!!

Saía para brincar, e, numa tentativa de incorporar o lado explorador que toda criança carrega consigo, estava decidido a pegar minha pá de brinquedo e começar a remover a terra do quintal de casa, a fim de encontrar vestígios de criaturas que viveram a milhares de anos atrás. Obviamente uma tentativa frustrada, pois, poucos centímetros de terra retirados nunca iriam revelar o que evidenciaria restos de dinossauros. Porém, tendo ainda a gratificação de possuir toda a inocência e positividade que uma criança possui, atribuía a pequenas pedras brancas, a função de que, um dia pertenceram ao esqueleto que suportava tais criaturas já extintas da face da Terra. Com isso, já me dava por feliz. Tal admiração que muita criança tem por dinossauros e o reflexo da infância nos adultos, é que fazem todos considerarem Jurassic Park um filme mágico e encantador.

A história nos leva a uma ilha paradisíaca, chamada de Ilha Nublar, próxima a Costa Rica na América Central. Lá, vários cientistas comandados pelo excêntrico empresário John Hammond (Richard Attenborough) conseguem, através da engenharia genética, recriar os dinossauros através do sangue dos mesmos contidos nos insetos que os picaram a milhares de anos – e que por sua vez ficaram retidos nas seivas das árvores. Assim, com a seiva enrijecida, formou-se uma espécie de casulo em que os insetos ficariam – muito semelhante a um estado de criogenia – conservando-os por milhares de anos.

Hammond então consegue criar seu sonho que é montar o Parque dos Dinossauros, para que as pessoas pudessem ver estes serem, que há muito dominaram o planeta. Contudo, após a morte de um funcionário por uma espécie de dino chamada velociraptor, o advogado Donald Gennaro (Martin Ferrero) exige que especialistas visitem o parque para darem seus pareceres finais e assim, decidir se o parque será aberto ou fechado. Gennaro então convida o matemático Ian Malcon (Jeff Goldblum) e Hammond convida o casal de paleontólogos, Dr. Alan Grant (Sam Neill) e Dr. Ellie Sattler (Laura Dern), além de seus sobrinhos, Tim (Joseph Mazzello) e Lex Murphy (Ariana Richards).

Eles embarcam numa aventura sem igual, quando, por uma pane no parque causado por um funcionário, os dinossauros saem de suas cercas. Agora eles precisam se unir para escapar com vida daquele que seria o melhor dia de suas vidas.

A história em si é muito boa, pois somos apresentados a diversas pessoas, cada um com uma personalidade forte e diferente, causando boas cenas e diálogos. As atuações são um show a parte, principalmente de Neill e das crianças, Jospeh e Ariana que apresentam uma química extraordinária. Química esta que é alavancada com o roteiro, pois, onde antes víamos um Alan que não gostava de crianças e tentava repeli-las, depois do “acidente” ele vira um anjo protetor, dispondo até de seus ombros, como uma última tentativa de arranjar conforto, para que o casal de irmãos durma tranquilamente ou, pelo menos tente. Richards também convence com seu John Hammond, uma vez que fica evidente seu fascínio pelos dinossauros – sendo a cena em que ele desabafa com a Dr. Ellie – o clímax emocionante do longa.

JURASSIC PARK03

Em se tratando de roteiro, o mesmo foi muito bem formulado. Primeiramente a razão pela qual os dinossauros puderam ter sido recriados foi muito plausível – tanto é que, saímos do cinema com a idéia de que isso poderia ser trazido à tona com mais alguns anos de pesquisa e desenvolvimento da tecnologia. Outro artifício muito bem empregado é a divisão do grupo depois do ataque do Tiranossauro Rex. Onde antes tínhamos todos unidos procurando apreciar as atrações do parque, temos depois, dois grupos sobreviventes, um composto por Dr. Allan, Tim e Lex e outro composto pela Dr. Ellie, Ian e o guarda florestal Robert Muldoon (Bob Peck). Com isso, o espectador pode apreciar uma variedade maior de lugares e dinossauros, enriquecendo ainda mais o longa.

A fotografia do filme merece destaque, pois, Dean Cundey soube aproveitar com precisão dos vários momentos do filme, seja do enquadramento dos lugares abertos, dos mais fechados (como na cena dos irmãos tentando se esconder de 2 velociraptors na cozinha), e do close dos dinossauros, com destaque a cena do ataque inicial pelo Rex, intensificando ainda mais a a situação.

Um dos pontos mais fortes do filme é a trilha sonora, regida por John Willians. Com um portifólio de sucessos, Willians consegue criar “o som dos dinossauros”, pontuando cada canção, ajudando assim a realçar as cenas, principalmente as que demandam uma grande carga emocional, causada pelo perigo eminente. Além da música tema do filme, que exibe uma beleza imensurável, fazendo-nos, como prova disso, nunca mais esquecê-la e assim tornado se uma das canções mais famosas e conhecidas da história do cinema.

Como sempre o melhor é deixado por último, comento então sobre os efeitos especiais. A Industrial Light & Magic fez um trabalho divino criando os dinossauros por computação gráfica, juntamente com a Stan Winston que concebeu a parte animatrônica dos dinossauros. Tanto uma como a outra se completam com uma perfeição nunca antes vista nos cinemas. As cenas com os dinossauros, especialmente o primeiro encontro do recém chegado grupo com o Braquiossauro (vulgo “pescoçudo”) é tão linda e tão bem feita que chega a soar poética, combinando computação gráfica, com edição, fotografia e trilha sonora. Os efeitos possuem uma característica tão verossímil que, após anos sem assistir ao filme, tive a certeza de que seria invadido por um sentimento de quase deboche ao pensar que, para os dias de hoje, aqueles efeitos seriam totalmente ultrapassados. Pois, o espanto foi grande ao constatar que, mesmo quase 15 anos depois, vejo que aquelas cenas são melhores do que muitas cenas em computação gráfica encontradas nos filmes atuais.

Quem está por trás de todo esse sucesso é, nada mais nada menos que Steven Spielberg. Um diretor com visão, audacioso e sempre tentando ser inovador, sempre em busca de algo puro e fantasioso para encantar o público. Já o tinha realizado com E.T. – O Extra Terrestre, mas aqui, rompe as barreiras ao trazer um tema tão fascinante de volta a vida. Não é a toa que seu nome é certamente um dos mais conhecidos na indústria do cinema, e o fez por merecer.

Concluindo, Jurassic Park é um filme mágico, fantasioso, com um potencial de nos levar ao âmago e assim, fazer-nos reviver os sonhos de criança e permitindo-nos revisitar épocas em que a inocência e a fantasia davam um toque especial em nossas vidas. Com um trabalho artístico impecável, somos realmente transportados para aquele mundo, pois nada parece montagem, tudo é tão real quanto um dia fora. Fica claro que, Steven Spilberg é o real John Hammond do filme, fazendo o impossível para nos levar nessa viagem há milhões de anos atrás e assim, despertar no público o John Hammond que certamente todos carregam ou um dia já carregaram consigo.

JURASSIC PARK01

PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhores Efeitos Especiais, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Som

TRAILER

5estrelas

Comente pelo Facebook