KILLER JOE – MATADOR DE ALUGUEL (Crítica)

KILLER JOE

Como uma história simples se torna grande em boas mãos

William Friedkin para quem não lembra realizou O Exorcista, filme polêmico que mostrava uma garota possuída pelo demônio, e que debochava da santidade de um padre. O filme foi tão chocante na época que algumas cenas foram cortadas para que pudesse passar no cinema, e logico que isso aguçou a curiosidade da população e o filme foi um tremendo sucesso.

Friedkin gosta de utilizar em seus filmes personagens controversos e fortes, revelando assim o lado obscuro dos seres humanos, nesse seu filme Killer Joe – Matador de Aluguel, que somente agora 2 anos depois de sua estreia chega aqui no Brasil, o cineasta novamente escancara numa comédia de humor negro o lado mais sujo e desprezível do ser humano que é a busca a qualquer custa por dinheiro.

A trama é bem simples um traficante de drogas de 22 anos, Chris (Emile Hirsch) é roubado por sua própria mãe e assim fica devendo para um poderoso traficante, com isso resolve contratar Joe (Matthew McConaughey) um detetive de policia que por uma boa grana faz “bicos” como matador de aluguel. Chris descobre que sua mãe possui um seguro de vida de 50 mil dólares e Joe é a solução para seus problemas. No entanto Joe quer uma parte do pagamento adiantado ou se não ter Dottie (Juno Temple) a virgem irmã de Chris, como garantia sexual. Nesse cenário grotesco onde tudo pode ficar ainda pior é que a trama se desenrola.

O roteiro é baseado numa peça de Tracy Letts, e foi ele mesmo que escreveu o roteiro do longa-metragem. Letts abusa do ambiente marginal, sem pudor e sem mascaras, tira de todos os personagens qualquer carisma ou encanto, seu foco é descobrir o véu que existe em famílias formadas por elementos desestruturados. Por isso que o filme no primeiro ato tem um ritmo mais lento e intimista, pois é necessário conhecer com cuidado as características que formam esses personagens para que suas ações futuras tenham mais impacto no desfecho da história.

E Friedkin domina como pouco essa proposta de lentamente introduzir as características dos personagens e assim familiariza-lo com a plateia, mesmo que seja em forma de repulsa, o público se sente conectado pelas próximas atitudes de cada um dos personagens, ainda mais porque a cada nova atitude, vemos o quanto esse ambiente hostil é capaz de levar seus membros a ações desmedidas e de pouca previsibilidade.

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Interessante como o cineasta sabe conduzir a trama no ritmo perfeito, sem contar também como cada dialogo vem carregado de duplo sentido e pitadas picantes – por falar nisso, Friedkin domina a arte de fazer o público se excitar em cenas sensuais que dirige – ele opta por levar a plateia a idealizar o que esta sendo feito e mesmo sem nenhuma cena de sexo explicito a sensação que temos é que estamos diante de um ato sexual real sem cortes.

Evidente que para uma história com uma dinâmica desse tipo, o elenco tem que ser de primeira e de fato isso acontece, todos estão incríveis e entregues. Mas dois se destacam um pouco mais, talvez pela força dos personagens ou pelo cuidado todo especial dos atores. Primeiro Thomas Haden Church que faz o pai de Chris um homem que parece não ter reação diante de nada que acontece ao seu redor, sua passividade é latente, mas sua presença cênica chama atenção. Mas o show a parte é na interpretação magnifica de Mathew McConaughey que é a representação do homem rude, sem coração, sem caráter que só pensa em seu prazer pessoal, mas um belo personagem interpretado pelo ótimo ator.

Pelo tema pesado e de difícil digestão o filme teve grande dificuldade de se vender, mas conseguiu fazer barulho em vários festivais por onde passou – seu estudo humanístico sobre a falta de ética e puder é o principal chamariz dessa história que nas mãos de um competente e experiente diretor se transformou em algo muito interessante. Vale a pena conferir!

DESTAQUE

Para a clara (ou não) referência a várias obras de Quentin Tarantino – a cena final então é uma homenagem rasgada a isso – sensacional, diga-se de passagem.

SINOPSE

Em Dallas, Joe (Matthew McConaughey) é um detetive, mas também um assassino por encomenda. Quando Chris (Emile Hirsch), um traficante de 22 anos, tem seu estoque roubado pela própria mãe, ele deve rapidamente encontrar 6 mil reais, senão será assassinado. Chris recorre então a “Killer Joe”, lembrando que o seguro de vida de sua mãe vale 50 mil dólares. Inicialmente Joe recusa, porque só é pago adiantado, mas ele abre uma exceção contanto que Dottie (Juno Temple), a sedutora irmã mais nova de Chris, sirva de “garantia sexual” até o dia do pagamento.

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ELENCO

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DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”William Friedkin” espaco=”br”]William Friedkin[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Tracy Letts
Título Original: Killer Joe
Gênero: Drama, Policial
Duração: 1h 43min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

4estrelas

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