KUBO E AS CORDAS MÁGICAS (Crítica)

Pedro Vieira

KUBO É UMA OBRA MADURA E PROVA DO TRABALHO TÉCNICO INCRÍVEL DA LAIKA

Cada filme do estúdio Laika presenteia o público com uma animação de qualidade impecável e roteiro cativante. Entretanto, é muito provável que nenhuma produção anterior do estúdio tenha sido tão difícil de ser realizada quanto “Kubo e as Cordas Mágicas” (Kubo and the Two Strings), um fato que se deve à complexidade técnica exigida pelo longa.

Seguindo uma estética que toma como base pinturas japonesas, o longa que acompanha a busca do jovem Kubo por três artefatos mágicos é uma aventura cheia de sequências de ação. Somente as magníficas cenas de luta no ar, que lembram batalhas de animes, já seriam trabalhosas o bastante para serem realizadas em animação stop-motion. Porém, o filme ainda explora ambientações e personagens gigantescos, tão ricos em detalhes que o esforço necessário para que eles se tornem reais é ainda maior, sendo essencial o emprego de uma fotografia fenomenal durante a concretização desses elementos.

Não é à toa que para que todas as sequências do filme fossem possíveis, o estúdio teve que em determinados momentos unir o stop-motion à outras técnicas de animação, como o CGI (já comumente usado em produções anteriores) e os desenhos feitos à mão. Trata-se de um trabalho artístico de dar inveja a qualquer animador da Disney e da Pixar, e que deve ter sido tão cansativo quanto a jornada do protagonista da animação. Todo esse esforço técnico é acompanhado de uma história tocante e cheia de simbolismos – como o símbolo do olho que revela o conhecimento e a sabedoria – e que envolve perda e aceitação.

Trabalho de estreia na direção de Travis Knight (animador presidente da Laika), é muito provável que Knight já tenha aberto o estúdio tendo em mente o desenvolvimento de “Kubo”, como se os outros projetos fossem testes para a produção deste último, uma vez que o diretor não economiza em efeitos nas ótimas sequências de ação que dirige. Ele oferece ao público uma das narrativas mais maduras do estúdio, ainda que peque em alguns detalhes do seu desenvolvimento.

Enquanto o 1º ato expõe eficientemente o tom sério do filme, o início do 2º ato se mostra confuso em sua necessidade de apresentar personagens secundários de forma rápida – como é o caso da Macaca e do Besouro que acompanham Kubo – fazendo parecer que os protagonistas já conhecem seus novos companheiros há um longo tempo. Quando o espectador se acostuma a esses novos personagens, o longa ganha maior veracidade, mas não sem antes apelar para algumas saídas fáceis para as adversidades nas quais coloca seus protagonistas. Há também um uso excessivo de fades e os plot-twists do roteiro são um tanto previsíveis, mas nada que prejudique o filme como um todo. O maior problema, talvez, seja a dureza e seriedade da história do longa, que pode afastar as crianças mais novas, ainda que traga sequências cômicas cativantes. Crianças maiores e adultos, entretanto, irão se divertir bastante.

Um fator interessante é o respeito à cultura japonesa, com o filme expondo diferentes elementos da sociedade oriental, como o uso da técnica dos origamis durante a narrativa e a ideia de um Rei da Lua – na mitologia japonesa o deus da Lua é masculino. A trilha sonora inspirada na musicalidade do Japão também é muito bem executada, e o longa não deixa de utilizar alguns momentos de silêncio tocantes – algo que o diretor deve ter pego emprestado de grandes realizadores japoneses, como Kurosawa.

Surpreendente por tratar de temas pouco usuais dentro do mundo das animações norte-americanas e por se apresentar como um tributo às produções orientais, “Kubo e as Cordas Mágicas” é apaixonante e mais um grandioso trabalho para a lista de produções da Laika.

KUBO E AS CORDAS MAGICAS

SINOPSE

Kubo vive uma normal e tranquila vida em uma pequena vila no Japão com sua mãe. Até que um espírito vingativo do passado muda completamente sua vida, ao fazer com que todos os tipos de deuses e monstros o persigam. Agora, para sobreviver, Kubo terá de encontrar uma armadura mágica que foi usada pelo seu falecido pai, um lendário guerreiro samurai.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Travis Knight” espaco=”br”]Travis Knight[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Marc Haimes e Chris Butler
Título Original: Kubo And The Two Strings
Gênero: Animação, Aventura
Duração: 1h 42min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 13 de outubro de 2016 (Brasil)

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