La Casa de Papel – 1ª Temporada | (Crítica)

Bruna Oliveira

“La Casa de Papel” aposta em uma narrativa que geralmente funciona muito bem, que já deu certo inúmeras vezes no cinema, e mostra que também pode dar certo como série televisiva, apesar dos muitos equívocos na narrativa.

Assim, o espectador é envolvido em uma trama onde oito ladrões arquitetam um audacioso roubo à Casa de Moeda da Espanha, e acompanha o desenrolar do plano e todas suas consequências.

Apesar do envolvimento que a série provoca logo no primeiro episódio, a produção e a direção erram em muitos pontos, e a narrativa dá um tom de dramalhão à série e aposta em várias reviravoltas, mas que muitas vezes são desnecessárias para a história e não causam muito impacto.

Quanto ao roubo em si, o melhor a se fazer é se envolver na história sem questionar muito, já que a série traz situações completamente absurdas, sendo que algumas beiram o ridículo e forçam a barra, já em outros momentos, o absurdo até funciona, mas exige que o público embarque em uma ideia pouco plausível e em um plano mirabolante, mas cheio de falhas.

O elenco até se esforça, mas quase todos os atores deixam a desejar e alguns entregam atuações duvidosas. Quanto à construção dos personagens, nota-se que a série tenta dar um tom profundo aos dramas pessoais de cada um e tenta mostrar o lado humano que cada um possui, tentando causar e estabelecer uma empatia entre os personagens e o público, o que ocorre até certo ponto e funciona com alguns personagens que cativam e nos faz torcer para que o plano dê certo, mas falha em outros momentos, e muitos dos personagens causam o efeito contrário e uma antipatia imediata, que só cresce com o desenrolar da história, seja pelas escolhas pouco inteligentes ou pela falta de conexão que estabelecem.

La Casa de Papel - 1ª Temporada | (Crítica)

Necessário pontuar, que a série tem uma preocupação com a construção de personagens femininas, apresentando algumas boas personagens que demonstram força, gostam de se impor e roubam à cena em muitos momentos, em contrapartida, todo esse esforço se perde com o fraco desenvolvimento de uma das personagens centrais e mais importantes da trama, a Inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño), cujo desenvolvimento contraria tudo o que foi apresentado nesse quesito.

A série apresenta muito erros na construção narrativa e aposta em situações risíveis, mas uns dos pontos mais negativos e desnecessários são os romances que se estabelecem na trama, romances que não são bem-vindos, apenas acrescentam um tom melodramático ao plano em ação, e para agravar, alguns dos casais não possui nenhuma química, o que torna tudo ainda mais raso e artificial.

A produção em si, dá a impressão de um orçamento modesto, mas bem aproveitado, dentro dos próprios parâmetros estabelecidos pela série, não é uma grande produção, mas não dá pra exigir grandes resultados dos quesitos técnicos.

Com um roteiro repleto de furos (não dá nem para pontuar todos eles), nota-se que a série não tenta em nenhum momento corrigir tais falhas, ficando a sensação, que essa é uma série que não foi feita para ser levada a sério, e assume os absurdos que traz na narrativa.

Assim, “La Casa de Papel” é uma série que fez muito barulho, causou expectativas, mas que não corresponde a toda comoção que foi criada à sua volta.

Pôster de divulgação: La Casa de Papel

Pôster de divulgação: La Casa de Papel

FICHA TÉCNICA

Título Original: La Casa de Papel
Ano: 2017
País: Espanha
Criação: Álex Pina
Direção: Álex Pina
Elenco: Úrsula Corberó, Alba Flores, Miguel Herrán e grande elenco
Duração: 15 episódios de 47 a 60 minutos cada

Comente pelo Facebook