Lizzie (Crítica)

Nelson Granja

Estrelado por Chloë Sevigny e Kristen Stewart, filme examina um dos mais notórios casos de homicídio do século XIX em uma nova abordagem e tem estreia programada para 03 de janeiro no Brasil.

Em 1892, Lizzie Borden foi acusada de assassinar seu pai e madrasta depois que ambos foram encontrados mortos em sua casa. Borden, cuja conduta após a morte de seus pais foi considerada por alguns como “estranha” em sua falta de emoção e que era conhecida por ter um relacionamento tenso com sua família, foi presa e indiciada por um grande júri. Em 1893, ela foi absolvida dos assassinatos, pois as provas apresentadas contra ela eram em sua maioria circunstanciais. Mesmo assim, Borden se tornou uma sensação nacional e seu julgamento, um circo midiático para a época, foi descrito pela revista TIME como “um negócio maior do que a Feira do Mundial” daquele ano.

De vilã estereotipada à vítima humanizada

A história de Borden tem sido o material de origem para musicais, uma minissérie da vida e agora um filme que retrata a misteriosa mulher como uma vítima do patriarcado e machismo. Borden é sempre lembrada com o final sangrento de seus pais, mas em “Lizzie”, são os homens que estão perpetuando a violência. O pai de Lizzie é mostrado como um homem controlador e cruel cujas ações vão desde enlouquecedora, como restringir a independência de suas filhas, até vil: ele repetidamente agride sexualmente Bridget Sullivan, personagem de Kristen Stweart, a empregada da família.

Por quase uma década, a atriz e produtora Chloe Sevigny sonhava em trazer um das historias mais conhecidas dos Estados Unidos para a tela grande, um filme biográfico de Lizzie Borden que investiga profundamente a psique e as motivações do notório crime do machado. Por se tratar de um projeto pessoal de Sevigny, a atriz se concentrou em dar a personagem humanidade revelando uma mulher gentil que demonstra afinidade com os animais, paixão pela música clássica e uma crescente afeição por Sullivan e estranha que se apega ao fato de que os homens de sua vida serão apenas instrumento de sua repressão. Borden e Sullivan têm um relacionamento amoroso e juntas orquestram os sangrentos assassinatos como um ato final de autolibertação.

“Eu amo toda a sequência de assassinatos”, disse Seviny em entrevista ao HuffPost. “Você quase quer que ela tenha esse momento catártico. É sexual”.

Dirigido por Craig William Macneill (“O Mundo Sombrio de Sabrina”), “Lizzie” foi indicado ao grande prêmio do júri no Festival de Sundance de 2018.

SINOPSE

1892, em plena Era Vitoriana. Lizzie Borden (Chloë Sevigny) é uma mulher solteira que ainda vive sob a rigidez de seu pai, Andrew (Jamey Sheridan), por mais que tenha atitudes consideradas ousadas para a época. Tal situação vive provocando atritos entre pai e filha, ampliados pelo frágil estado de saúde dela. Menosprezada como filha e como mulher, Lizzie aos poucos se aproxima de Bridget Sullivan (Kristen Stewart), uma jovem criada que trabalha há pouco tempo para a família.

DIREÇÃO

Craig Macneill Craig Macneill

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Craig Macneill
Título Original: Lizzie
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h 45min
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 3 de janeiro de 2019 (Brasil)

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