LOLO, O FILHO DA MINHA NAMORADA (Crítica)

Davi Gonçalves

Você certamente já viu essa história no cinema: um personagem se sente ameaçado com a relação entre duas pessoas e faz de tudo para destruir o relacionamento. Vamos mais além: um filho que não suporta o namorado da mãe e quer a todo custo afugentar o rapaz. No caso de Lolo, novo filme de Julie Delpy, é o tal Lolo do título quem fica incomodado com o namoro da mãe Violette, uma moderna parisiense produtora de eventos de moda, e Jean René, um pacato programador de sistemas que acaba de se mudar para a capital francesa.

Um filho (com evidente Complexo de Édipo) tentando sabotar a relação da mãe, como já dito, não é algo original. O que falta em Lolo, no entanto, é profundidade para se tratar este tema – que tem grande potencial a ser explorado, diga-se de passagem. Talvez este seja o “problema” que dificulte a criação de uma proximidade do público com o longa. Mas, ainda assim, há de se elogiar Lolo em um aspecto: seu visível caráter “comercial”. Lolo é uma comédia que foge dos padrões franceses do estilo, se assemelhando muito ao gênero cômico norte-americano, porém com um toque de extravagância que acaba tornando o filme um tanto quanto “estranho”, mas interessante. Ou seja, Lolo é uma produção com forte apelo para o público que espera uma comédia despretensiosa – por vezes vazia, sim, mas com capacidade para divertir o espectador que se propõe a assisti-la (ainda que algumas piadas sejam vulgares, fáceis ou recheada de clichês e sem o menor requinte).

Delpy é quase neurótica na pele de Violette, mesmo que sua personagem seja inconstante: uma mulher confiante e firme, mas que ao mesmo tempo se mostra totalmente ingênua e imatura diante do filho mimado. Dany Boon é o tipo mais equilibrado da fita, praticamente o único ser “normal” em uma trama repleta de loucos. Já Vincent Lacoste é quem rouba a cena a cada aparição. Ele faz de Lolo um sociopata incrível, um aspirante a artista com o ego lá no alto para quem o mundo deve girar ao seu redor – e isso inclui a exclusividade quando se trata da mãe. Lacoste é, definitivamente, o alívio de um filme que não tenta inovar em nada e veste a camisa de ser uma comédia que busca o riso fácil e rápido. Há quem possa se incomodar ou sentir culpa? Sim, de fato. Lolo não tem impacto emocional algum, mas não deixa de ser agradável devido à sua despretensão – e isso é o que muitos procuram no cinema.

LOLO O FILHO DA MINHA NAMORADA

SINOPSE

De férias no sul da França, Violette, sofisticada parisiense quarentona que trabalha no mundo da moda, encontra Jean-René, um modesto técnico de informática recém-divorciado. Contra todas as probabilidades, acontece uma química de verdade entre eles. No fim do verão, Jean René não perde tempo em se juntar a sua amada em Paris, mas suas diferentes origens sociais e Lolo, o filho dela de 19 anos, não tornarão as coisas tão fáceis.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Julie Delpy, Eugénie Grandval
Título Original: Lolo
Gênero: Comedia
Duração: 1h 40min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 25 de agosto 2016 (Brasil)

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