LOU (Crítica)

Andressa Gomes

Nos últimos anos, as cinebiografias vêm marcando presença nas principais premiações relativas a indústria cinematográfica, o que para alguns críticos, não é visto com bons olhos, dentre outros motivos, pela falta de precisão histórica, omissão e alteração de certos fatos. Aqueles que se importam muito com esse aspecto, certamente não se incomodarão ao assistir o drama baseado na vida da filósofa, escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé. A obra, de forma eficiente, consegue narrar, balancear e relacionar eventos e aspectos importantes de sua vida pessoal e profissional, e proporcionar um bom produto de entretenimento também para aqueles que não a conhecem.

O filme começa na década de 30, na Alemanha, em plena ascensão do Nazismo e é estruturado em flashbacks que acontecem a medida que Lou revela episódios sobre sua vida a um rapaz que pretende escrever um livro. Desde jovem, fica clara sua natureza livre e contestadora com relação a religiosidade, papeis de gênero na sociedade e instituições como o casamento. Um grande destaque é dado a sua amizade e parceria intelectual com Paul Rée e Friedrich Nietzsche, e o triangulo amoroso que eles formaram. Durante grande parte de sua vida, uma das principais ideias defendidas era de libertar totalmente sua criatividade intelectual renunciando ao prazer erótico, o que viria a mudar quando conhecesse Rainer Maria Rilke, poeta com quem teve um relacionamento.

LOU (Crítica)

A narração em flashbacks, ainda mais se tratando de cinebiografias, é clichê e convencional, no entanto, o roteiro e a direção são competentes em reforçar Lou como uma importante figura do século XIX e XX. Alguns diálogos são demasiado explicativos e a filosofia em alguns momentos, fica reduzida a simples frases de efeito, por outro lado, cabe destacar o uso inteligente e hábil de cartões postais dos principais lugares que Lou passou, com objetos estáticos, para marcar transições de tempo e nos levar de uma cena para outra. Seu encontro e trocas com Freud, ainda que abordadas de forma interessante, poderiam ser mais exploradas, assim como o fascinante tema da psicanalise, enquanto método.

Cabe destacar o elenco, afinado e no tom certo: Alexander Scher, como Nietzsche, Philipp Haub como Paul Rée, e Julius Feldmeier como Rainer Maria Rilke foram escolhas acertadas. As atrizes que dão vida a Lou, em diferentes fases da vida, Nicole Heesters, Katharina Lorenz, Liv Lisa Fries e Helena Pieske, mantem a personagem consistente e coerente. As performances se encaixam e tornam todas as situações críveis. De um modo geral, trata-se de um bom filme que, definitivamente, nos inspira a pesquisar e conhecer mais da vida e filosofia da autora.

Pôster de divulgação: LOU

Pôster de divulgação: LOU

SINOPSE

A escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé decide reescrever suas memórias aos 72 anos. Ela relembra sua juventude em meio à comunidade alemã de São Petersburgo. Desde criança, sonhava em ser intelectual e estava determinada a nunca se casar ou ter filhos. Além de trabalhar com nomes famosos, ela escreve sobre os relacionamentos conturbados com Nietzsche e Freud, além da paixão por Rilke e conflitos entre autonomia e intimidade, junto com o desejo de viver sua liberdade.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Cordula Kablitz-Post
Título Original: Lou Andreas-Salomé
Gênero: Drama
Duração: 1h 53min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 11 de janeiro de 2018 (Brasil)

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