LUA DE FEL (Crítica)

Lua de Fel

FICHA TÉCNICA

Título Original: Bitter Moon
Ano do lançamento: 1992
Produção: França / Inglaterra / EUA
Gênero: Drama
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Gerald Brach, John Brownjohn, Roman Polanski

Sinopse: Um casal de ingleses, Nigel (Hugh Grant) e Fiona (Kristin Scott Thomas), embarcam num cruzeiro marítimo onde conhecem a sensual Mimi (Emmanuelle Seigner), uma francesa casada com o americano Oscar (Peter Coyote), homem preso a uma cadeira de rodas. Ao notar o interesse que Nigel sente por Mimi, Oscar resolve contar sua história com ela, como se conheceram e se amaram loucamente até a paixão doentia se transformar em um ritual de humilhação.

Por Loverci Ferreira

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Esta aí um filme que não me canso em ver, não sei exatamente precisar o que mais gosto nele, talvez é a forma com que as personagens são mostradas com seus medos, desejos e maldades sem nenhum pudor é o que mais me atrai.

A história baseada no romance de Pascal Bruckner, adaptado para o cinema por Gérard Brach, John Brownjohn e Roman Polanski é o que mais prende a atenção durante a apresentação do filme com viradas que não prevemos onde vão chegar.

Temos um elenco afinado com ótimas interpretações, nesse filme formou-se o casal romântico Hugh Grant e Kristin Scott Thomas, que iriam repetir a formula em “Quatro casamentos e um funeral” e se tornariam grandes estrelas de Hollywood nos filmes seguintes.

Mas o que mais me chama a atenção entre os atores é a atuação da francesa Emmanuelle Seigner, depois desse filme não lembro de ter visto nada mais com essa atriz, até assistir “Piaf-um hino de amor” e vê-la novamente numa grande atuação interpretando a prostituta “Titine” que protege a “Edith” ainda criança.

Essa grande atriz é casada com o diretor Roman Polanski desde 1989 e são poucos os filmes em sua carreira, mas nesses dois filmes ela mostra como sua atuação consegue nos prender na história.

O diretor mergulha no universo dos desejos sexuais, de forma bonita e pesada ao mesmo tempo, o casal principal vive uma intensa relação de amor é ódio, uma espécie de “sadomasoquismo”.

Por mais que eu goste muito do filme não vejo nada de extraordinário na direção de Roman Polanski, o que ele tem como base é um ótimo roteiro, tão bom como quando ele dirige a grande história de “Oliver Twist”.

Acredito que um ator ou diretor não salva um roteiro ruim e o contrário também pode ocorrer, se não tiver um bom trabalho de todas as partes o roteiro pode passar despercebido por melhor que seja e todos em “Lua de fel” cumprem de forma muito boa o seu papel.

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A história se passa em dois tempos e é narrada por um dos protagonistas, no primeiro momento temos um casal de ingleses Nigel (Hugh Grant) e Fiona (Kristin Scott Thomas) viajando num cruzeiro marítimo para comemorar o seu aniversário de casamento, eles acabam conhecendo a linda Mimi (Emmanuelle Seigner), francesa casada com o americano Oscar (Peter Coyote), homem preso a uma cadeira de rodas.

Logo o marido da sensual jovem percebe o interesse de Nigel por sua esposa e aproveitando a oportunidade começa a contar a história de amor e luxúria que cercou a vida de ambos.

A história deles começa quando Oscar por uma sorte do acaso encontra a bela jovem no ônibus com um semblante triste, mesmo assim ele não consegue tirar os olhos dela que nada percebe, na hora que o cobrador se aproxima para pegar o bilhete de transporte com ela, Oscar percebe que ela não o tem e discretamente dá seu próprio bilhete, sem o comprovante de transporte ele acaba descendo na próxima parada.

Ter encontrado essa jovem uma única vez se torna uma obsessão para ele e todos os dias ele espera nos pontos de ônibus para ver se encontra ela novamente, o tempo passa e a vida segue, mas ele acaba não esquecendo sua musa e um dia quando esta num restaurante com uma das suas tantas amantes encontra ela novamente atendendo como garçonete.

Naquele momento ele percebe que não pode deixar que ela desapareça de sua vida novamente, logo marcam um encontro e ele vai busca-la na academia onde ela faz dança, uma de suas grandes paixões.

O primeiro encontro logo cela uma grande paixão entre os dois, ela para de trabalhar como garçonete e vai morar com ele, apenas continuando a frequentar as aulas de dança, com o tempo os amantes começam a experimentar um frenesi de “vulgaridades” em se tratando de sexo que são muito precisas e bem colocadas pelo roteirista e diretor.

Uma das melhores sequências é quando eles tomam café da manhã juntos após uma longa noite de sexo, ela bebe leite direto da garrafa e em seguida derrama o liquido pelo peito nu oferecendo ao amante que sorve gota a gota com muita volúpia.

Tudo vai bem entre eles, mas Mimi acaba desenvolvendo uma paixão doentia por ele e uma vez que Oscar percebe que ela já esta completamente apaixonada por ele e comendo em sua mão seu interesse vai diminuindo.

Para tentar sair da rotina o casal começa a visitar sexy shop e ir atrás de suas mais loucas fantasias, chega ser hilário ver uma cena de sadomasoquismo em que ele com máscara de porco se arrastando pelo chão e ela como fazendeira “dominatrix” reprime o bichinho sujo.

Outra cena muito interessante acontece quando ele esta amordaçado e amarrado numa cadeira, ela dança semi-nua de forma sensual para ele e brinca com uma navalha passando por seu corpo até rasgar sua camiseta, juro que pra mim aquela cena parece totalmente improvisada, tamanho é o pânico que conseguimos ver no olhar de Oscar que não tem como se livrar dela, não posso deixar também de citar a primeira vez que ela dança para ele com velas espalhadas pelo chão, é de uma sensualidade incrível.

Só que com o tempo o relacionamento deles vai esfriando, as coisas não são mais como antes e ele sugere que os dois se afastem, ela enlouquece perante a ideia e chega ao extremo de admitir o que ele quiser no relacionamento somente para continuar ao seu lado.

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Sabendo disso ele começa a destruir a auto estima dela lentamente, esfregando mulheres em sua cara e a humilhando de todas as formas, assim aquela mulher linda e sensual se torna uma gorda relapsa.

Numa virada cruel do destino ela acaba engravidando e quando ela conta a novidade ele ordena que ela tire esse filho, pois será o melhor para ambos, resultando num processo de aborto que quase custa a sua vida.

Sensibilizado pela situação triste em que ela se encontra ele acaba comprando uma passagem para que eles viagem juntos, ela fica feliz com a ideia de um novo recomeço entre eles, só que sentados a espera da decolagem do avião ele acaba fingindo que esta passando mau e saí da aeronave deixando ela partir sozinha nessa viagem.

O tempo passa novamente e a vida de Oscar segue assim como suas conquistas, ele se entrega a todo que aparece no seu caminho sem ter mais notícias dela.

A história é cheia de viradas imprevisíveis, um dia ele muito bêbado sai de um bar e acaba sendo atropelado, acaba parando no hospital com a perna quebrada e adivinha quem aparece do nada para visitá-lo?

Sim Mimi, novamente linda depois de um longo tempo fora, o diálogo entre os dois é muito bem construído e ela conta o que fez durante esse tempo longe dele e se mostra uma amiga sem ressentimentos.

Agora a você leitor vai uma dica, nunca se engane com a bondade de uma mulher traída e humilhada, em mais uma virada do destino ela oferece a mão a ele que deitado na cama se estica para aceitar o cumprimento, ela acaba puxando ele que caí no chão com a perna que já estava quebrada.

Quando ele acorda depois de um tempo, Mimi encontra-se parada ao seu lado com um olhar angelical, logo ela da a notícia que ele nunca mais vai andar na vida, mas que a vantagem disso tudo é que ela ira cuidar dele.

Esse cuidar significa, ela retribui tudo que ele lhe fez de mau com todas as forças, deixa ele congelando na banheira, não deixa ele atender telefonemas, transa com um amigo de dança na frente dele e chega ao absurdo de dar uma arma de presente para ele no dia do seu aniversário.

Quando parece que eles já não tem para onde ir mais, acabam oficializando sua relação e casando seguindo depois para uma viagem de Lua de mel, ou seria Lua de fel ?

Nigel muitas vezes não quer mais ouvir a história desse interlocutor, mas ao mesmo tempo se vê cada vez mais envolvido querendo saber tudo sobre essa bela mulher que acompanha o marido enfermo numa viagem.

Fiona por sua vez, percebe o interesse do marido não pelo companheiro de viagem, mas sim por sua bela esposa.

Como trilha sonora principal temos “Vangelis”, muito conhecido na época por ser um dos percursores do estilo new age.

Confesso que não gosto muito de fazer resenha de filmes que tenho que falar sobre a história, acredito que às vezes para o leitor que não viu o filme pode atrapalhar o momento surpresa que o cinema nos oferece, por isso na maioria das vezes me prendo mais em detalhes técnicos e em poucas páginas.

Por isso já contei muito da trama e para por aqui, mas a história não termina nesse momento, pois voltamos para o conquistador Nigel e seu objeto de desejo no tempo atual, será que ele conquista Mimi? O que acha sua mulher Fiona sobre isso? E o final do marido paralítico?

Enfim para vocês saberem como termina a história, minha dica é que assistam o filme, para os que já viram sempre é bom rever um clássico desses que conta com ótimas atuações, roteiro e dirigido por um dos grandes mestres do cinema: Roman Polanski.

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TRAILER

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