LUCY (Crítica)

LUCY

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Por Emílio Faustino

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Há uma corrente cientifica que afirma que o ser humano utiliza apenas 10% de sua capacidade cerebral. O desafio audacioso desse filme foi elaborar uma ficção cientifica que mostra como seria se uma pessoa passasse a acessar 100% do seu cérebro. O resultado disso?! Um filme 100% imperdível!

“A ignorância traz o caos, não o conhecimento” é com frases inspiradoras como esta, que “Lucy” faz um verdadeiro manisfeto pró-conhecimento, em um mix de ação e ficção, que cumpre bem a função de entreter e de quebra nos da margem para várias divagações.

O longa estrelado por Scarlett Johansson (A Viúva Negra de Os Vingadores) e Morgan Freeman (Um sonho de liberdade) no elenco, “Lucy” conta com direção de Luc Besson, responsável pelo roteiro de “Busca Implacável” e pela direção de “O Quinto Elemento” e “Nikita”, de 1990 – filme que deu origem a série de TV “Nikita”. (Taí um cara que gosta de ver as mulheres no comando botando pra quebrar).

Na trama, que estreia em 28 de agosto, Scarlett Johansson vive uma jovem que acidentalmente se envolve em uma negociação de drogas no mercado negro. Depois de absorver a substância que carrega em seu estômago, ela se transforma em uma guerreira implacável capaz de evoluir além da lógica humana. Morgan Freeman, por sua vez, atua como um cientista que estuda os limites do cérebro humano e auxiliará Lucy a controlar suas novas habilidades.

Confesso que quando vi a Scarlett Johansson atirando em todo mundo no trailer do filme, eu pensei: “Mas gente! É o filme a Viúva Negra só que com outro nome”, e embora exista alguns momentos em que se nota certa semelhança entre as personagem, a trama se distancia bastante do que já vimos e consegue construir uma personagem autoral.

De cara o que chama atenção no filme é a edição que ajuda a criar uma identidade visual impar e dita de forma muito boa o ritmo acelerado do filme. O tempo inteiro somos surpreendidos com cortes das cenas da trama principal, para imagens de animais em seu habitat natural.

Essas imagens aparentemente desconexas, se revelam como um contraponto do dois extremos da escala da evolução, que surgem na trama com o propósito de mostrar que embora tenhamos evoluído tanto, de certa forma ainda compartilhamos da mesma essencial dos demais animais.

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Um exemplo dessa brincadeira que o filme executa muito bem, é a cena que a personagem esta prestes a sofrer uma emboscada. Antes da emboscada se revelar é feito um corte de imagem, para a cena de um rato prestes a ser pego por uma ratoeira recheada de queijo. (Eu não sei como vai funcionar para as demais pessoas, mas eu achei muito espirituosa essa sacada)

Os destaques da edição não param por ai, diferentemente da maioria dos super heróis que ganham seus poderes todos de uma vez, “Lucy” evolui de forma progressiva, e acompanhamos o estágio de sua capacidade de utilizar o cérebro através do número da porcentagem que saltam a tela.

Primeiro 0% quando ela tem um momento estúpido, depois 10%, 20%, 30% até chegar no tão esperado 100%. A cada vez que os dizeres da porcentagem saltam a tela o telespectador se pergunta: “E agora o que mais ela conseguirá fazer?!”, e sem duvida essa foi a grande sacada do filme que faz com que as pessoas se prendam a história do inicio ao fim.

Recentemente tivemos no cinema uma ficção cientifica estrelado por Jhonny Depp chamada Transcendence, que curiosamente também contava com o a participação de Morgan Freeman, e a impressão que fiquei é que tudo aquilo que Transcendence errou, ao construir uma trama vaga e pouco envolvente, “Lucy” acertou. Parece até que o Besson foi lá e disse: “Não gente, não é assim que faz, é assim” e fez o filme dele.

Além de uma ficção cientifica bem argumentada e porque não dizer plausível, “Lucy” também agradar os fãs de uma boa ação ao nos brindar com a ótima cena de perseguição de carro e das lutas quando acaba de receber seus poderes.

E como não falar da bela Scarlett Johansson? Ela parece estar vivendo um período iluminado da sua carreira. Depois de nos dar a voz mais sexy em “Her”, e estrelar um dos melhores filmes do ano “Sob a pele”, ela mais uma vez da conta do recado, com a sua personagem que se divide em dois momentos: antes e depois de acessar mais que os 10% do cérebro.

A mudança é brutal, muita embora a parte dos 20% pra frente muito se assemelha com a personagem que ela fez em “Sob a pele”, uma figura um tanto quanto blasé que não parece fazer uso dos sentimentos… (Sim, no filme fica claro que quanto mais racionalizamos, menos vemos sentido no sentir).

A trilha sonora do filme é muito boa, e faz uso desde sons não convencionais como ruídos até música clássica. Outro ponto que chama atenção, são os diálogos que são bastante espirituosos e inteligentes.

Assim como acostumamos a ver nos filmes assinados por Tarantino, esse filme também consegue nos fazer rir nos momentos mais improváveis, como no meio daquele momento de tensão que de repente acontece algo que te faz rir e se sentir até mal de estar rindo da situação. O que denota todo controle e tato do diretor ao brincar com nossas emoções.

Se o filmes tem defeitos? Tem sim senhor, o principal problema esta no roteiro. Em determinado momento a personagem resolve ir atrás dos responsáveis que a colocaram naquela situação e vai matando todo mundo por onde passa, porém quando ela chega nos chefões os deixa vivos. Oi?!! Como uma personagem que usa mais que 10% do cérebro consegue ser tão estúpida?

Enfim… Infelizmente foi esta a forma que encontraram de criar uma situação conflito no final do filme, com a volta do chefão que a nossa gênia deixou vivo. Tirando esse aspecto, o filme é impecável e vale e muito a pena ser visto no cinema, tanto pela história, quanto pela qualidade das imagens. É o tipo de filme que se a gente vê pela TV depois se arrepende de não ter visto no cinema.

E sabe o mais engraçado desse filme? É que alguns filmes depois que vemos nos fazem ter vontade de viver uma grande história de amor, outros de seguir atrás dos sonhos, esse filme, porém, nos deixa com uma vontade enorme de adquirir mais e mais conhecimento.

Ainda que se trate de uma ficção, “Lucy” é uma grande inspiração para a nossa realidade. Afinal, não precisamos ter superpoderes para saber que o conhecimento transforma, né?

Uma ultima curiosidade: “Lucy” é o nome do primeiro ancestral bípede do homo sapiens encontrado na Etiópia. E claro que a escolha desse nome não se trata de uma coincidência. Vejam o filme e entendam o porque!

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SINOPSE

Quando a inocente jovem Lucy aceita transportar drogas dentro do seu estômago, ela não conhece muito bem os riscos que corre. Por acaso, ela acaba absorvendo as drogas, e um efeito inesperado acontece: Lucy ganha poderes sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Luc Besson
Título Original: Lucy
Gênero: Ação, Ficção Científica
Duração: 1h 29min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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2 Comentários

  1. Claudio

    A trama me lembra o filme ‘Sem Limites’ de 2011, em que um escritor consegue tbm uma droga experimental e fica com 100% de sua capacidade mental.

  2. carlos

    Ótima crítica