MAMA (Crítica)

MAMA

Um terror acima da média

Existem alguns gêneros cinematográficos que carregam uma grande dificuldade de se tornarem originais, até porque a parcela do público que gosta do estilo em geral não estão abertos as novidades, fato que acaba tornando muitas produções copias delas mesmos.

O terror é um desses estilos que sofre com essa “maldição” e acaba por se tornar sempre um clichê onde o que vale é dar sustos no público e nada mais.

Mama se destaca exatamente por tentar sair disso. Existe realmente um grande esforço nesse sentido, mas como o filme é produzido em Hollywood nem todo pode sair como acredito eu, o diretor imaginou.

Talvez poucas pessoas saibam, mas Mama é um filme que surgiu de um curta como mesmo nome realizado pelo diretor estreante em longa-metragem Andrés Muschietti. Em 2008 esse curta participou de alguns festivais e se destacou pela estética e originalidade, foi então que o antenado Guillermo Del Toro convidou o diretor argentino para fazer um longa do curta, mas Muschietti não pode fazer exatamente o que queria e teve que criar o longa seguindo as regras “comerciais” que dessem ao filme um grande retorno para o estúdio – ainda assim o diretor conseguiu realizar um filme de terror muito acima da média das últimas produções que estrearam no circuito comercial nos últimos anos.

A trama não é original – vemos o pai de Victoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nelisse) fugindo com as filhas após ter assassinado dois homens e a mãe das garotas, ele então encontra uma casa abandonada e lá acaba misteriosamente morrendo, enquanto as filhas ainda pequenas se encontram sozinhas, passe-se cinco anos e seu tio Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) acaba encontrando as duas garotas, ainda vivendo na cabana em um estado lastimável.

Lucas junto de sua namorada Annabel (Jessica Chastain) adotam as meninas, tentando assim readapta-las a sociedade, mas uma entidade chamada “Mama” vem junto com as garotas, e como esperado começa assim surgir estranhos acontecimentos na casa, então Lucas e Annabel terão que tentar entender se isso é fruto da imaginação das meninas ou algo sobrenatural.

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Mesmo utilizando essa manjada trama, Muschietti consegui desenvolver um roteiro bem interessante, onde o terror se sustenta por uma história que lembra uma fabula macabra, meio gótica, e com traços espíritas, fato primordial para fazer da projeção um filme realmente assustador.

Como eu já citei “talvez” em função de certas adaptações no roteiro para deixa-lo mais comercial, vemos novamente cenas clichês, situações desnecessárias e o mais grave, um desenrolar da trama que se perde em sua lógica. Para não ficar tão vago vou citar algumas situações sem mostrar spoilers, por exemplo, por que o personagem precisa ir na cabana abandonada a noite, se ele sabe que lá não tem energia elétrica e assim vai ficar exposto a um ambiente sem iluminação completa? Pra que é necessário utilizar armários como “casa” de fantasmas? Essas são algumas questões que acabam surgindo durante o filme, mas o que mais incomoda é que o roteiro não consegue desenvolver bem a conclusão da trama, quando não consegue mostrar ao público que existe uma real disputada entre Mana e Annabel pelo amor das crianças, principalmente porque a personagem de Jessica Chastain não é bem desenvolvida a ponto de conseguir estabelecer com as meninas esse laço amoroso que daria para a cena final um impacto maior do que realmente o que vemos em tela – uma pena!

Por falar em Jessica Chastain, um fator positivo do filme é o elenco, ela e todos os atores adultos estão excelentes na trama, mas o que mais impressiona é a atuação das duas garotas – de onde surgiu essas meninas? É de ficar boquiaberto, as meninas foram muito bem dirigidas, então o que vemos sãos duas ótimas interpretações, que se destaca no drama e no mistério que envolve a trama. Os olhares, a postura corporal, o tom de voz, tudo foi muito bem realizado pelas garotas.

Ainda chama atenção o ambiente criado pelo diretor, os elementos góticos e de uma verdadeira fabula estão na trama, além da fotografia mas carregada, tudo foi desenvolvido para dar para a narrativa uma linguagem autoral e nesse quesito o filme acerta em cheio.

Portanto Mama, mesmo não sendo perfeito é um filme de terror extremamente assustador e que consegue estar um nível acima das várias produções do gênero que estrearam nos últimos anos. É realmente imperdível!

DESTAQUE

Sem dúvida vale destaque a trilha sonora que foi desenvolvida por Fernando Velázquez, ele consegue utilizar as músicas para construir o terror e o clima fantasioso da trama, bem diferente dos últimos filmes que usavam isso para dar sustos.

SINOPSE

Quando o pai de Victoria e Lilly mata a mãe das garotas, as crianças fogem assustadas para uma floresta. Durante cinco anos, ninguém tem notícia do paradeiro delas, até o dia em que elas reaparecerem, sem explicarem como sobreviveram sozinhas. Os tios das duas, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) e Annabel (Jessica Chastain) adotam Victoria e Lilly e tentam dar uma vida tranquila às duas, mas logo eles percebem que existe algo errado. As duas conversam frequentemente com uma entidade invisível, que chamam de “Mama”. Lucas e Annabel não sabem se acreditam nas meninas, ou se devem culpá-las pelos estranhos acontecimentos na casa.

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ELENCO

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DIRETOR

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Andres Muschietti, Barbara Muschietti, Neil Cross
Título Original: Mama
Gênero: Terror
Duração: 1h 40min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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