Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo! (Crítica)

Ricardo Rocha

“You can dance, you can jive, Having the time of your life, See that girl, watch that scene Dig in the dancing queen.”

Dancing Queen – ABBA

Como uma música lançada em 1976 por um grupo de suecos consegue ser até hoje, encantadora e ao mesmo tempo contagiante? “Dancing Queen” – a música mais famosa e conhecida do ABBA, assim como uma das músicas mais conhecidas no mundo  é usada de maneira pontual e finalmente como um respiro de alívio para trama que soa um tanto agridoce, mas que quando nos faz ouvir esse hino, nos sentimos de volta ao filme de 2008, e representa tudo que “Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo” tenta ser ao longo de suas quase 2h. Um filme despretensioso, carismático, e cheio de pieguices e breguices vindo direto do armário de roupas extravagantes que a banda usava na década de 70. 

Mas a grande pergunta que não quer calar: Mamma Mia! Um dos maiores sucesso de bilheteria daquele ano, tendo arrecado mais de $600 milhões mundialmente, merecia uma continuação? 

Ok. Eu como fã do ABBA, que inclusive adquirir o gosto através de minha mãe. Gostaria sim, de ver mais músicas, ou melhor, ouvir mais músicas sendo cantadas e interpretadas através de uma história, e já que a rainha do cinema americano Meryl Streep mandou muito bem, lá no primeiro filme, porque não trazer ela de volta e ouvimos mais músicas contagiantes e cheias de sentimento do ABBA? Foi exatamente essa expectativa que me levou ao cinema, que me deu um calorzinho no coração. Mas aí…

Voltamos para a famosa ilha grega onde tudo começou lá em 2008. Desta vez Sophie (Amanda Seyfreid) está sem seu amado Sky (Dominic Cooper) por qual vimos todo um casamento sendo orquestrado e montado no filme anterior, como tudo é festa, e já que não temos um novo casamento. Sophie então vai elaborar uma grande festa para a reinauguração do hotel de sua mãe, Dona Sheridan (Meryl Streep). Ela pretende homenagear a mãe e mostrar que ela pode dá continuidade aos projetos anteriores e construir sua vida ali, naquela ilha. Claro que ela vai ter a ajuda de Sam Carmichael (Pierce Brosnan) e das amigas fies de sua mãe Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski) as duas mantendo sempre o tom cômico do filme no time certo.

Em paralelo a isso, voltamos ao passado, lá nos anos 70, onde calça boca de sino era a moda, e os cabelos vinham naturalmente ao mundo dos selvagens. Lá encontramos Dona Sheridan (Lilly James) recém formada da faculdade, ela é suas amigas, estão prontas para  desbravar o mundo e cantar com suas vozes afiadas. E no meio do caminho, ela acaba conhecendo os 3 caras que mudaria sua vida pra sempre, Bill, Harry e Sam. Os supostos pais de Sophie, que viria a ser mote do filme que vimos anteriormente. Entre essas duas linhas temporais caminhando por lugares já conhecidos da incrível ilha grega, vemos através das músicas do ABBA, muitas delas desconhecidas pelo grande público, já que as mais famosas foram usadas no primeiro filme. Para fazer uma espécie de prequel/sequência com direito a participação de Cher, sendo ela mesmo, ou melhor, a mãe nefasta e perua de Dona. As músicas descrevem bem o estado de espirito de seus personagens ao mesmo tempo que avançam a história, como se elas tivessem sido escritas exclusivamente para o filme. Exemplo disso é a música “One Of Us” que retrata de forma melancólica a distância que o casal Sophie e Sky estão vivendo naquele momento diante dos últimos acontecimentos. (sem dúvida uma das melhores sequência do filme)

Dirigido por Ol Parker (O Exótico Hotel Marigold, 2011), aqui ele tenta imprimir um tom mais épico, e ao mesmo tempo mais intimista entre as relações de personagens. Desde da primeira apresentação musical com “When I Kissed The Teacher” onde vemos toda uma desconstrução de cena na faculdade que parece ter sido retirado de um High School Musical da vida (ainda que aqui ele nos apresente alguns ângulos inusitados de câmera e uma dimensão infinitamente maior), logo nesta primeira apresentação ele já nos dar o tom de todo o filme. Tudo será muito brega, muito colorido, muito coreografado, e muito exuberante. É um verdadeiro carnaval fora de época, um brinde saudosista ao jeito brega que o ABBA nos apresentou lá nos anos 70. Mas vendo tudo isso não é ruim. Pois essa é a proposta do filme, das músicas, e dos cenários escolhidos, mas é precisamente nos momentos onde ele tenta ser menos, que temos as melhores cenas e nos prendemos a maravilhosa música e todo a construção da cena, assim como as amigas de dona cantando “Angels eyes” junto com Sophie, ou quando a versão mais nova de Dona canta “Andante, Andante” novamente com suas amigas é que o filme cresce e nos pega na mão. Aliás, Lilly James que já nos mostrou sua bela voz na versão Live action de “Cinderela” (2015), aqui rouba o filme com seu carisma, e nos faz acreditar maravilhosamente numa versão mais nova e descolada de Meryl Streep, uma mulher a frente de seu tempo, que decide levar tudo sempre com uma canção e seu macacão jeans.

O grande motivo para este filme existir, além das maravilhosas músicas do ABBA, é justamente a relação entre mãe e filha criada no primeiro filme, e que aqui nos brinda com uma cena que se você estiver envolvido pode ter fazer cair umas lágrimas, e como essa relação cresce, mesmo sem a presença de Meryl Streep, é o que me causou todo um estranhamento e uma não aceitação involuntária com o filme. E sua falta  é compensada somente graças a todo elenco que volta com uma química pouco visto em musicais, e todo esforço e carisma de Lilly James. Mas há um presente guardado com a música “My Love, My Life” – que te espera para fechar essa continuação que ninguém imaginou, mas está aí para fazer nos divertir, dar umas boas risadas (quando a piada funciona, nem sempre) e nos fazer sair querendo ouvir mais ABBA.

Como havia dito lá no começo o refrão da música “Dancing Queen” resumo todo este filme que você com certeza não vai querer perder.

“Você pode dançar, você pode se esbaldar. Aproveitar o melhor momento de sua vida. Veja aquela garota, veja aquela cena. Curta a rainha da dança.”

Pôster de divulgação: Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo!

Pôster de divulgação: Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo!

SINOPSE

Um ano após a morte de Donna (Meryl Streep), sua filha Sophie (Amanda Seyfried) está prestes a reinaugurar o hotel da mãe, agora totalmente reformado. Para tanto convida seus três “pais”, Harry (Colin Firth), Sam (Pierce Brosnan) e Bill (Stellan Skarsgard) e as eternas amigas da mãe, Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), ao mesmo tempo em que precisa lidar com a distância do marido Sky (Dominic Cooper), que está fazendo um curso de hotelaria em Nova York. O reencontro serve para desenterrar memórias sobre a juventude de Donna (Lily James), no final dos anos 70, quando ela resolve se estabelecer na Grécia.

DIREÇÃO

Ol Parker Ol Parker

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ol Parker
Título Original: Mamma Mia! Here We Go Again
Gênero: Comédia Musical
Duração: 1h 54min
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 2 de agosto de 2018 (Brasil)

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