MAPAS PARA AS ESTRELAS (Crítica)

 

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Por Igor Pinheiro4estrelas

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Cronenberg gosta de perturbar, disso a gente sabe. E durante as quase duas horas de Mapas Para as Estrelas, temos a total percepção disso. Isso não é ruim, muito pelo contrário, porque eu tinha uma implicância séria com o diretor desde Cosmópolis (que eu nunca consegui assistir inteiro). O longa mais recente do diretor, entretanto, acabou sendo uma boa surpresa.

Ambientado em uma Hollywood um pouco surreal (que alguns estão chamando de nua e crua, mas não sei se isso é verdade), acompanhamos a vida de duas famílias bastante problemáticas, uma com um famoso ator pré-adolescente que teme perder seu sucesso, e a outra com uma atriz quarentona em decadência, que, na vase de polêmicas, ainda mantém a fama.

Os personagens são bem elaborados e a forma como suas histórias se entrelaçam é muito boa, algo parecido com o que já vimos o diretor fazer em Crash – No Limite. E isso se mantém bem até o final. A parte incômoda fica com algumas cenas específicas, não só pela violência (bastante presente no filme), mas também por algumas atitudes dos personagens, que fazem refletir sobre como agiríamos em algumas situações, diminuindo a tênue linha que separa o certo do errado.

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Grande parte da boa qualidade do longa, sem dúvidas, se dá por conta do elenco. Julianne Moore, que já ganhou prêmios pelo papel, é o grande destaque. Sempre gostei muito dela e acredito que seja uma de suas melhores atuações, com destaque para a ótima cena em que ela sai cantando de casa (guardem esse momento), uma das melhores do ano. Robert Pattison e John Cusak surpreendem, apesar da sempre suspeitável escolha de filmes que costuma fazer. Mia Wasikowska merece um detaque a parte, porque seria a melhor do filme se não fosse por Moore. Eu não conhecia tanto seu trabalho além de Alice, e me surpreendi. E quero deixar elogios à Sarah Gadon, que me agradou bastante em O Homem Duplicado e agora tem uma pequena participação em Mapas. Agradável, mesmo que a cena não seja muito boa na questão da qualidade (na verdade, por se tratar de uma representação de filme antigo, mas com aspecto em HD, vai entender…).

Em meio a cortes de clímax, trilha sonora confusa e cenas chocantes, Cronenberg nos entrega um bom filme, que não chega a ser o melhor da carreira, mas merece destaque. Nos perturba? Sim. Nos constrange? Sim. O final nos incomoda por horas depois que o filme acaba? Sim. Mas isso é Cronenber, o que não quer dizer que é bom. E nem ruim, mas doa a quem doer.

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SINOPSE

Agatha Weiss (Mia Wasikowska) acabou de chegar a Los Angeles e logo conhece Jerome Fontana (Robert Pattinson), um jovem motorista de limusine que sonha se tornar ator. Eles começam a sair juntos e flertar um com o outro, por mais que Agatha mantenha segredo sobre seu passado. Não demora muito para que ela comece a trabalhar para Havana Segrand (Julianne Moore), uma atriz decadente que está desesperada para conseguir o papel principal da refilmagem de um sucesso estrelado por sua mãe, décadas atrás. Paralelamente, o garoto Benjie Weiss (Evan Bird) enfrenta problemas ao lidar com seu novo colega de elenco, já que é a estrela principal de uma série de TV de relativo sucesso. Entretanto, como esteve internado recentemente, está sob a atenção especial de sua mãe (Olivia Williams) e dos produtores da série, que temem um escândalo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”David Cronenberg” espaco=”br”]David Cronenberg[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Bruce Wagner
Título Original: Maps To The Stars
Gênero: Drama
Duração: 1h 51min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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