MARAVILHOSO BOCCACCIO (Crítica)

Kadu Silva

Pacato e pouco ousado

Ter a oportunidade de assistir filmes com outros sotaques entre os lançamentos comerciais do circuito brasileiro de cinema é sempre muito enriquecedor, em geral é uma oportunidade de conhecermos mais de culturas distantes ou mesmo se sentir, mesmo que em poucas horas em lugares deslumbrantes (no nosso imaginário). Maravilhoso Boccaccio é uma produção italiana filmada nas belas paisagens interiorana de Florença, muito bem explorada pelos diretores Vittorio e Paolo Taviani, mas infelizmente esse é uma das poucas qualidades desse longa.

A trama acontece em 1348 no auge da peste negra, que estava brutamente exterminando os cidadãos de Florença na Itália. Um grupo de 10 jovens, sete mulheres e três rapazes decidem fugir para uma casa no campo, para tentar esperar o momento de voltar a cidade. Nesse período eles resolvem contar histórias para passar o tempo, todas envolvendo o amor, para tentar esquecer os horrores que a peste estava causando próximo a eles.

O roteiro de Vittorio e Paolo Taviani foi baseado na obra-prima Decameron de Giovanni Boccaccio (para quem não sabe é uma coleção de novelas escritas entre 1348 e 1353, consideradas um marco literário por trazer uma ruptura entre a moral medieval e o início do realismo). Apesar dessa ousadia, o roteiro dos Taviani peca em não modernizar o texto, pelo contrário, ele é até covarde em retratar as histórias que são contadas pelos personagens ao longa da projeção.

Se não bastasse o texto démodé, a condução dos atores é completamente teatral e exagerada, não que isso seja um problema, mas nesse caso dá ainda mais distanciamento para a plateia.

A produção dá para quem assiste a sensação de estar diante de um filme antigo, onde os pudores morais da sociedade regiam os conteúdos áudio visuais. Para um longa lançando em pleno século XXI é talvez um grande erro, mas também podemos considerar uma ousadia em trazer algo tão pacato e sem paixão para os dias de hoje, é questão de interpretação.

Com mais de duas horas de duração, o filme só consegue a atenção da plateia na mais ousada das histórias contadas pelos jovens, onde duas freiras acabam sendo pegas com amantes em pleno convento, as demais são monótonas e sem vida, problema evidenciado pela montagem pouco inspirada de Roberto Perpignani.

O elenco é formado por praticamente todos atores pouco conhecidos do grande público brasileiro, o de mais expressão por já ter filmes rodados em Hollywood é Riccardo Scamarcio (Pegando Fogo), que por sinal se destaca na sua trama que lembra o conto de fadas A Bela Adormecida ou mesmo Romeu e Julieta de William Shakespeare.

Como já citei, a fotografia é o grande triunfo do filme, as locações hipnotizantes do interior de Florença na Itália, dá para o espectador um gostinho do que é estar nos belos campos toscanos.

Maravilhoso Boccaccio, poderia ter a ousadia que fez de sua obra base se tornar um marco, mas preferiu algo pouco expresso e sem relevância.

Maravilhoso Boccaccio

SINOPSE

Em 1348, a peste negra está atingindo brutalmente Florença, na Itália. Tentando fugir do sentimento de morte que ronda o lugar, um grupo de dez jovens, 7 mulheres e 3 homens, decide fugir para uma casa no campo, onde eles contam diversas histórias para passar o tempo, todas elas envolvendo o amor. Entre algumas questões morais e as tarefas necessárias para sobreviver, eles aguardam a decisão de quando vão voltar para a cidade.

DIREÇÃO

Vittorio Taviani, Paolo Taviani

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Vittorio Taviani, Paolo Taviani
Título Original: Maraviglioso Boccaccio
Gênero: Drama
Duração: 2h 1min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 5 de maio de 2016 (Brasil)

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