MELHOR É IMPOSSÍVEL (Crítica)

MELHOR E IMPOSSIVEL

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: As Good As It Gets
Ano do lançamento: 1998
Produção: Estados Unidos
Gênero: Romance , Comédia dramática
Direção: James L. Brooks
Roteiro: James L. Brooks e Mark Andrus

Sinopse: Em Nova York um escritor grosseiro e sarcástico (Jack Nicholson) tem como alvos principais um artista gay (Greg Kinnear), seu vizinho, e uma garçonete (Helen Hunt) que o atende diariamente e se desdobra para cuidar do filho que tem asma crônica. O destino vai fazer com que eles fiquem muito mais próximos do que poderiam imaginar.

Por Kadu Silva

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Afinal, qual a melhor forma de tratar e lidar com uma pessoa que sofre de problemas psíquicos? Dependendo do grau, há quem defenda que a melhor solução seja a internação. Há que a condene, afirmando que humanidade, afeto e delicadeza são suficientes para a cura. Fazendo um paralelo com o mundo cinematográfico, há quem defenda que o tom mais dramático e direto consegue transmitir a mensagem de forma mais clara. Outros acreditam que buscar a leveza e a sutilidade – e quem sabe até um pouco de humor – possa sensibilizar o público de forma definitiva.

Uma mescla disso tudo é o que faz o filme Melhor é Impossível, do diretor James L. Brooks (Laços de Ternura). Embora tenha optado pela delicadeza na construção do longa, o Transtorno Obssessivo-Compulsivo (TOC) do personagem Melvin (Jack Nicholson) não tem nada de sutil e é um tapa da cara do público em alguns momentos. O resultado é tocante e poderoso.

Melvin é um sujeito que não mede esforços para despejar a quem se aproxima toda a sua ira sarcástica. Um dos seus principais alvos é o vizinho homossexual Simon (Greg Kinnear) e seu cãozinho. Melvin vive só em seu apartamento, onde escreve romances feministas. Só sai de casa para almoçar, no mesmo restaurante todos os dias, sem pisar nesse trajeto em nenhuma listra. No restaurante ele faz questão de se sentar na mesma mesa todos os dias e só admite ser atendido pela mesma garçonete, Carol, interpretada pela atriz Helen Hunt – uma mulher sofrida que vive para cuidar do filho, vítima de uma rara doença respiratória.

O excelente roteiro desenvolve com maestria a personalidade de cada um dos personagens, ajudado por um elenco inspiradíssimo que expõe as fragilidades de todos nós. A humanidade transpira na tela, conseguindo a rápida identificação com o espectador.

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Jack Nicholson não poderia ser melhor escalado. Ao encarnar Melvin, o ator soma este a um histórico de personagens loucos e divertidos da carreira. O mix de experiência, aliado ao talento de Nicholson, transformam o protagonista em um personagem complexo: embora grosseiro, sarcástico e maníaco, Melvin encanta o público, que se sensibiliza pelo seu drama. Ao longo do filme, Melvin se revela uma alma bondosa, impulsionada a princípio pela sua aproximação com o cão do vizinho, com quem ele tanto implicava. Depois vem o despertar do amor pela garçonete, e o desejo de se transformar em uma pessoa melhor. Em busca desse objetivo, Melvin resolve retomar seu tratamento com o psiquiatra e volta a tomar seus medicamentos. Um recado explícito de que o tratamento do transtorno depende muito do engajamento do próprio paciente para que dê certo.

Embora o longa destaque o TOC engraçado de Nicholson, o roteiro consegue mostrar pequenos transtornos e falhas em todos os personagens, deixando a mensagem de que somos, afinal, anormais quando olhados de perto.

Além da grande atuação do elenco, merece destaque a direção de James L. Brooks, que opta por rodar praticamente todo o filme em plano americano (quando enquadra a personagem dos joelhos para cima). Isso ressalta ainda mais a atuação individual, a grande força do filme. O diretor também utiliza bastante o recurso do zoom em momentos de emoção, ao som da trilha precisa e sensível de Hans Zimmer (O Rei Leão e Missão Impossível), tudo para despertar no público a empatia.

Narrativa essa que teve um auxílio para lá de fundamental com o montador Richard Marks (O Poderoso Chefão II), que conseguiu equilibrar drama e humor, tornando a história leve e envolvente.

Há quem diga que a trama é previsível. De fato é. Mas Brooks se mostra eficiente no que pretendia e pouco preocupado sobre isso. A ponto de, no final do filme, você ter a certeza de que o titulo, “Melhor é Impossível”, nunca soou tão perfeito.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Ator – Jack Nicholson e Melhor Atriz – Helen Hunt

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante – Greg Kinnear, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Filme Comédia/Musical, Melhor Atriz em Comédia/Musical – Helen Hunt e Melhor Ator em Comédia/Musical – Jack Nicholson

Indicações: Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante – Greg Kinnear

SAG
Ganhou: Melhor Ator – Jack Nicholson e Melhor Atriz – Helen Hunt

Indicação: Melhor Ator Coadjuvante – Greg Kinnear

TRAILER

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2 Comentários

  1. Alexandre Figueiredo

    Jack Nicholson é, de fato, um dos grandes atores de Hollywood. Vê-lo atuando é sempre um prazer.

  2. Jorge nascimento

    cONCORDO QUE O Nicholson é um grande ator, MAS A NOTA NEGATIVA NO FILME, NA MINHA OPINIÃO, É RESSALTAR O “T” DO “toc” – transtorno! o correto seria “neurose obsessiva — uma de nossas estruturas!!!. (eM MAIÚSCULAS, POIS O SITIO AQUI NÃO ESTÁ ACEITANDO MINÚSCULAS.).