MENTE CRIMINOSA (Crítica)

Juca Claudino

“Mente Criminosa” já parte da proposta de fazer um cinema blockbuster massificado, senso comum e com uma linguagem padronizada. E além disso, não busca construir nenhum grande diferencial ou algo chamativo que o destaque no cenário cinematográfico (a não ser, okay, seu elenco recheadíssimo – mas pensando que desde o filme de 1932 “Grande Hotel” o público já está acostumado com isso). É um filme que busca o divertimento banal. Claro que isso tudo não torna nenhum filme “melhor” ou “pior” do que outro dentro da minha função como crítico (a não ser que você tenha algum tipo de preconceito…). Todavia, esse longa dirigido por Ariel Vromen abusa da pieguice e de clichés para construí-lo, tendo como resultado um filme que apresenta algumas irregularidades.

O filme gira em torno de Jericho (Kevin Costner), e conta sua história de redenção – ou seja, sua elevação de uma figura humana para uma figura idealizada (sim, isso é bem brega). Quando um agente da CIA, Bill Pope – vivido por Ryan Reynolds, que mais faz uma ponta no filme do que um papel propriamente dito embora seja ele o principal rosto que aparece no pôster -, é assassinado enquanto tentava destruir um diabólico plano que teria consequências globais de destruição (sim, isso é bem brega), sua memória e habilidade são implantadas na mente de um prisioneiro com sanidade mental abalada (exatamente Jericho Stewart) a fim de que este pudesse não só pensar de acordo com o que a aceitação social pede mas também ajudar a combater este criminoso megalomaníaco ao qual Bill combatia e que pode ser uma grande ameaça ao planeta.

Bom, o grau de surrealidade da situação dá um tom perturbador aos primeiros 40 minutos que fazem destes o melhor momento do filme. O resultado dessa implantação (de uma mente dentro de outra) é uma pessoa (no caso, o Jericho) que começa a pensar, sentir e agir de duas formas distintas ao mesmo tempo, e ela odeia saber que uma é totalmente oposta a sua verdadeira identidade. Aqui, Jericho ainda não ascendeu ao status de herói, ou seja, ainda tem as imperfeições e as pulsões humanas. Logo, conseguimos observar um misto de ódio e vingança emergindo por entre seus sentimentos graças ao sinistro episódio que vivia – ódio pois aquilo lhe perturbava, vingança pois essa perturbação foi lhe imposta por alguém (no caso, a CIA em parceira com o cientista interpretado por Tommy Lee Jones). Mais que isso, todos os personagens que, de forma ou outra, se envolvem com Jericho depois de ter passado pela transfusão de memória sentirão os efeitos sinistros disso tudo, o que gera um espaço para a construção de um thriller funcionalmente contagiante. Porém, uma vez explicitado o pretexto do personagem protagonista, ainda falta o transformar em herói e acabar com um plano maligno prestes a matar milhares de pessoas. Fim do thriller psicológico, o personagem de Costner vai cada vez mais ficando superficial, e é aí que o filme fica previsível e desproporcionalmente repleto de clichés em uma visão do senso comum sobre o bem vencendo o mal.

Após esse breve momento sobre as primeiras reações de Jericho, o filme opta por uma fórmula do cinema de ação convencional e se afirma como isso. Ainda tem algumas cenas e situações que, de tão megalomaníacas ou ultra pretensiosas, destoam do tom do filme, ficando meio inverossímeis. Até a própria representação inicial de Jericho, na tentativa de mostrar sua insanidade, acata a uma animalização inclusive bizarra. O recheado elenco está bem (os experientes Gary Oldman e Tommy Lee Jones, além de Gal Gadot que brilhou imensamente na sua atuação em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” – talvez a única unanimidade do longa da DC), algo que ajuda bastante o filme a ter um sabor a mais. Um sabor que ao longo do filme consegue entreter (de forma irregular, já que não temos nada no longa que demonstre um grande aperitivo por criar impactos emocionais contundentes), sem pretender ficar na memória da sétima arte de um jeito ou de outro.

MENTE CRIMINOSA

SINOPSE

Os segredos, memórias e habilidades de um agente da CIA morto são implantados em um prisioneiro imprevisível e perigoso com a intenção de ajudá-lo a interromper uma trama diabólica.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ariel Vromen” espaco=”br”]Ariel Vromen[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Douglas Cook e David Weisberg
Título Original: Criminal
Gênero: Ficção científica, Suspense
Duração: 1h 53min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 14 de abril de 2016 (Brasil)

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