MEU NAMORADO É UM ZUMBI (Crítica)

MEU NAMORADO UM ZUMBI

Divertida crítica a sociedade moderna

Quem diria que Shakespeare serviria de inspiração para um romance tão inusitado como de uma humana por um zumbi – pois é Meu Namorado é um Zumbi utiliza como referencia Romeu e Julieta para desenvolver essa história que aparentemente parece rasa e sem propósito, mas caros amigos, o filme é repleto de referencias, critica social e filosofia, obvio, tudo de forma leve, afinal o intuito desse longa é a diversão.

A trama acontece após o apocalipse na terra, onde os poucos humanos existentes vivem isolados, pois a terra está dominada por zumbis. O então zumbi R (Nicholas Hoult) começa a se questionar sobre sua vida, até que numa busca por alimentos, que no caso é o cérebro humano, ele conhece Julie (Teresa Palmer) uma humana que faz parte de um grupo especializado em exterminar os zumbis, mas inesperadamente foi amor à primeira vez.

R aos poucos consegue a confiança de Julie e essa aproximação cada vez maior trás uma transformação inesperada no jovem zumbi que começa a apresentar sinais vitais. Essa “paixão” é o antídoto para que os outros zumbis entrem numa cadeia de transformação, gerando assim uma revolução na terra.

O roteiro e a direção ficaram a cargo de Jonathan Levine, que se baseou no livro Sangue Quente de Isaac Marion, ele conseguiu um roteiro mediano, já que apresenta passagens brilhantes e alguns problemas sérios.

A adaptação tem o foco de entreter, mas diante de uma história que flerta por tantos campos de analise mais profunda Levine tentou introduzir de forma leve, é verdade, esses conceitos, a começar pela forma como é desenvolvida a personalidade de R, sua imagem reflete muito o modo como alguns jovens vivem hoje em dia, quase dentro de um mundo particular sem contato nenhum com outras pessoas com gírias curtas, que parecem um dialeto a parte, sem perspectiva nenhuma, uns verdadeiros zumbis “vivos”. Ele mostra também que na sociedade moderna cada vez mais, anda se isolando, com medo da violência – vivemos quase presos, cercado por muros altos e inúmeros sistemas de segurança, no filme isso é também mostrado. Ainda existe o lado filosófico do preconceito pelo diferente, quando não há espaço para que se conheça o que não faz parte do sistema comum. Vale mencionar também no campo filosófico e meio lúdico, que o amor é uma “arma” poderosa contra os grandes males do mundo. Isso para dizer o que está mais aparente, mas o filme ainda apresenta várias outras camadas que poderiam ser analisadas.

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É evidente que sentimos falta de um aprofundamento maior disso, já que tudo é muito superficial, mas é a estratégia usada para fazer do filme algo popular, e ai acontece o problema sério citado acima no roteiro, pois a trama é tão rápida que falta mais dados para deixar tudo mais envolvente para o espectador, uma pena. Isso acarreta ainda em soluções que se mostram desnecessárias para desenvolver a trama, como por exemplo, o que acontece quando o zumbi come o cérebro humano – ter as lembranças e sentimentos da vitima parecem um modo frágil de tentar explicar o romance entre o zumbi e a humana, que se vermos com cuidado acontece de forma “humana”, o chamado amor à primeira vista – se isso se fosse mantido o resultado seria ainda mais interessante para o desenvolvimento do romance.

Toda essa história que equilibra vários gêneros, especialidade de Levine, é embalada por uma trilha sonora genial. São canções que auxiliam para o bom desenvolvimento da trama e para dar o ritmo necessário para tudo que vai surgindo.

O elenco mesclado de jovens atores com veteranos dão conta do recado de forma brilhante. Nicholas Hoult consegue não tornar caricato esse zumbi que tinha tudo para isso, já que há muito humor na forma de contar a trama, sua composição foi brilhante, seu par romântico Teresa Palmer se torna perfeita já que consegue a química necessária para que gere no público a torcida pelo romance do casal. Mas Rob Corddry consegue roubar a cena, criando um zumbi divertido, amigo com carisma gigante, caindo no gosto da plateia já em sua primeira aparição.

Ainda vale destaque para a maquiagem, que aqui realmente teria que ser brilhante para não se tornar over. Temos ainda um excelente trabalho de direção de arte, transformando locais públicos em lugares abandonado de forma super competente – algo que Hollywood faz com brilhantismo quase sempre.

Estão vendendo o filme como um novo Crepúsculo, mas engana-se quem acha que a trama é tão rasa como a dos vampiros, além do romance bem desenvolvido há uma mensagem por trás do filme que por si só já vale a pena conferir. É uma ótima surpresa!

DESTAQUE

Para a fotografia, que ganha destaque principalmente nos flashbacks que acontecem durante a projeção.

SINOPSE

Em um cenário pós-apocalíptico, o zumbi R (Nicholas Hoult) passa por uma crise existencial e criando laços de amizade com uma humana chamada Julie (Teresa Palmer), uma de suas vítimas por quem acaba se interessando amorosamente. O problema é que este relacionamento acaba causando uma reação em cadeia em outros mortos-vivos, mas o general Grigio (John Malkovich) não está interessado neste tipo de mudança e sim no total extermínio da ameaça zumbi.

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ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Nicholas Hoult (R)” espaco=”x”]01 Nicholas Hoult[/do][do action=”cast” descricao=”Teresa Palmer (Julie)” espaco=”x”]02 Teresa Palmer[/do][do action=”cast” descricao=”Rob Corddry (M)” espaco=”x”]03 Rob Corddry[/do][do action=”cast” descricao=” John Malkovich (General Grigio)” espaco=”br”]04 John Malkovich[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Jonathan Levine” espaco=”br”]Jonathan Levine[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jonathan Levine
Título Original: Warm Bodies
Gênero: Romance, Comedia
Duração: 1h 37min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: Livre

TRAILER

4estrelas

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1 Comentário

  1. Daiane

    Finalmente, alguém que tenha uma crítica válida.
    Todos os sites que acessei até agora lidaram com a análise com se o filme fosse literal. e não é, ele é poético e metafórico.
    adorei esse filme e cai muito bem com o mundo de hoje.