MEU NOME É JACQUE (Crítica)

Igor Pinheiro

Jacqueline Rocha Côrtes, mulher trans, brasileira, portadora do HIV, casada, mãe, trabalhou por anos como representante do governo brasileiro e na ONU, e a lista poderia continuar. O documentário Meu Nome é Jacque, de Angela Zoé, é um filme de coragem, contando uma grande história de uma grande mulher lutando por seus direitos e contra preconceitos.

O acerto e o erro do filme são o mesmo: a humanização da personagem. Ao mesmo tempo que o foco total em Jacque causa o não-aprofundamento em temas como o HIV e a mudança de gênero, esse perfil da protagonista nos mostra que no fim de tudo seu maior desejo é criar seus filhos com tranquilidade, o que está fazendo muito bem hoje em dia, apesar de, como manifestou durante o evento de pré-estreia, ter vontade de voltar às lutas sociais quando os filhos crescerem.

Um dos personagens secundários que mais chamam atenção no filme é, sem dúvidas, o irmão de Jacque. Dentro de uma família bastante inteligente e esclarecida, ele mostra que sempre aceitou sem problemas a irmã desde pequena, quando não aceitava seu corpo masculino. Mas, em outro trecho, diz que ela sempre gostou de “coisas de menina” e era diferente dos outros meninos, definições que não deveriam existir em um mundo perfeito.

De qualquer forma, a mensagem mais importante é a de que Jacque, que é parte da minoria da comunidade LGBT, uma vez que não enfrenta grandes problemas em relação à aceitação própria e de sua família, usa esse fator de forma que possa fazer algo em função dos que não tem a mesma “sorte”. E faz esse papel com sucesso.

Assim como é o caso do irmão de Jacque, podemos ver o desconhecimento e falta de informação como inimigo da maioria das lutas de causas sociais. No próprio site da GloboFilmes (http://globofilmes.globo.com/filme/meunomeejacque/) vemos na descrição do filme a afirmação de que Jacque vive com Aids, o que não é verdade já que o próprio longa mostra que ela toma todos os medicamentos que controlam o HIV.

Super válido nos dias de hoje, em que as discussões sobre os temas abordados no filme são de suma importância para a mudança da consciência da sociedade, Meu Nome é Jacque traz, acima de tudo, uma mulher com sonhos que não se preocupa com o que os outros pensam enquanto faz o possível para realizá-los sem machucar ninguém e ajudando quem conseguir.

MEU NOME E JACQUE

SINOPSE

O documentário “Meu Nome É Jacque” aborda a diversidade através da história de vida de Jacqueline Rocha Côrtes, uma mulher transexual brasileira, que vive com HIV há 22 de seus 56 anos. Militante pela causa, Jacque tem a vida marcada por lutas e conquistas como representante do governo brasileiro na Organização das Nações Unidas. Hoje, casada e mãe de dois filhos, mora numa pequena cidade, levando uma vida voltada para a maternidade e a família. Ao acompanhar o cotidiano de Jacque e revisitar sua trajetória, este documentário apresenta os inúmeros desafios que foram rompidos pela personagem, levantando uma reflexão sobre o preconceito, a homofobia e a identidade de gênero.

DIREÇÃO

Angela Zoé

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Angela Zoé
Título Original: Meu Nome É Jacque
Gênero: Documentário
Duração: 1h 12min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 21 de abril de 2016 (Brasil)

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