MEU PÉ ESQUERDO (Crítica)

MEU PE ESQUERDO

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FICHA TÉCNICA

Título Original: My Left Foot: The Story Of Christy Brown
Ano do lançamento: 1989
Produção: Irlanda, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Gênero: Drama
Direção: Jim Sheridan
Roteiro: Shane Connaughton, Jim Sheridan e Christy Brown

Sinopse: Christy Brown (Daniel Day-Lewis), filho de uma humilde família irlandesa, nasce com uma paralisia cerebral que lhe tira todos os movimentos do corpo, com a exceção do pé esquerdo. Com o controle deste único membro ele torna-se escritor e pintor.

Por Jason

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A safra de filmes de 1989 é excepcional. De Nascido em 4 de Julho, que deu o Oscar de Melhor direção para Oliver Stone e trouxe Tom Cruise talvez na melhor interpretação de sua carreira, ao simpáticoFlores de Aço, que lançou Julia Roberts como estrela -, passando por Sociedade dos Poetas Mortos, Campo dos Sonhos, Tempo de Glória, Cinema Paradiso, As Aventuras do Barão Munchausen, Batman, Indiana Jones e a última cruzada, dentre outros – e que inclui o excelente “Meu pé esquerdo”.

Na trama, baseada em fatos, Christy Brown nasceu com uma deficiência física e mental. A família dele era enorme e sua mãe não parava de dar a luz, cada vez mais, a novas crianças – foram catorze filhos. Todos moravam numa casa pequena, onde dormiam amontoados em um único quarto e passavam as maiores privações. Na casa não havia carvão para mantê-los aquecidos no inverno e, após o patriarca ser demitido, a família se alimentava apenas com mingau. Christy, por ter paralisia cerebral e ter coordenação motora apenas no pé esquerdo, vivia se arrastando pelo chão. Ele era visto como um estorvo na vida do pai e como uma cruz na vida da mãe pelos vizinhos. Durante a infância, era hostilizado pela sua condição e incompreendido.

A mãe, determinada a ajudá-lo, passava todo o tempo com ele, brincando e cuidando mesmo enquanto grávida, o que a forçava até mesmo a carregá-lo nas costas – e isso quase a matou. Ela economizava dinheiro escondido para comprar uma cadeira de rodas para o rapaz e, depois de crescido, foi ela que foi buscar acompanhamento médico para ele ao perceber que ele podia fazer pinturas com o pé esquerdo e falar, entendendo o que estava acontecendo ao seu redor e não apenas sendo uma pessoa inválida como os outros o consideravam, inclusive seu pai. No começo, ele rejeita a ideia por achar que só há crianças no hospital, mas a doutora Eileen prossegue com suas atividades e insiste em ajudá-lo, atendendo em casa e usando sua terapia para ensiná-lo a conversar e desenvolver seus talentos. Graças as suas pinturas, conseguiu se manter e manter a sua família – e graças aos seus esforços e suas demonstrações de inteligência, conquistou e se casou com sua enfermeira.

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Meu Pé Esquerdo traz o talento inquestionável de Daniel Day Lewis, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Ator. É um desafio e tanto para o ator, que desaparece dentro do personagem em uma interpretação sobrenatural. Daniel consegue passar toda a dor e sofrimento do personagem, toda a esperança e desequilíbrio, suas dificuldades e sua superação, em uma atuação marcante e impressionante. Seu acesso de fúria num jantar que faz a doutora perder a cabeça é uma dessas cenas que grudam na cabeça do espectador. Marcante e emocionante também é o momento em que o menino, com todas as dificuldades, consegue escrever pela primeira vez a palavra “mãe” usando um giz e chama a atenção de toda a família mostrando que não é um inválido como eles pensavam.

Brenda Fricker não fica atrás. A atriz traz uma performance excelente como a mãe de Christy, já que ela é a única a acreditar no filho e a amá-lo de forma incondicional e que, mesmo trazendo uma personagem ignorante, consegue ter a clareza suficiente para saber que há em seu filho uma esperança de normalidade que nunca se concretizará. Em seu esforço, ela faz uma mãe que seria capaz de dar a própria vida pelo filho, uma pessoa forte o bastante para superar as dores diárias de cuidar de catorze filhos, suportar a filha adolescente que está grávida e os acessos de fúria de um marido cuja maior parte do tempo se resume a se afogar em bebida. Tamanha performance daria a ela o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante no ano seguinte.

Jim Sheridan, de Terra dos Sonhos e Em nome do pai, dirige o filme de maneira seca, sem apelar para dramalhões ou momentos lacrimejantes e apelativos, o que ajuda a transformar Christy em um personagem tátil, corajoso, bem resolvido e decidido, do tipo que não requer pena do espectador e sim apenas sua compreensão – entregando um resultado no mínimo inesquecível.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Ator – Daniel Day-Lewis e Melhor Atriz Coadjuvante – Brenda Fricker

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado

BAFTA
Ganhou: Melhor Ator – Daniel Day-Lewis e Melhor Ator Coadjuvante – Ray McAnally

Indicações: Melhor Filme, Melhor Maquiagem e Melhor Roteiro Adaptado

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Ator/Drama – Daniel Day-Lewis e Melhor Atriz Coadjuvante – Brenda Fricker

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Ganhou: Melhor Filme Estrangeiro

TRAILER

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