Minha Filha (Crítica)

Igor Pinheiro

A ausência de personagens masculinos com relevância para a história e a temática da maternidade são fatores que marcam Minha Filha de uma maneira que não seria a mesma se o filme fosse dirigido por um homem. O trabalho de Laura Bispuri como roteirista e diretora em seu segunda longa envolve e se soma ao ótimo trabalho das três atrizes protagonistas, resultando em uma produção bastante sensorial e emocionante em vários níveis.

Em uma primeira impressão geral, a história de Minha Filha pode parecer. Uma menina, Vittoria (Sara Casu), é criada por sua mãe adotiva, a religiosa e apegada Tina (Valeria Golino). Ao começar a se aproximar de sua mãe biológica, Angelica (Alba Rohrwacher), uma mulher cheia de dívidas, com a qualidade de vida precária e que recorre à prostituição, a pequena menina começa a questionar suas próprias relações de afeto e como os outros a veem no mundo.

A conexão entre as duas mães nunca fica clara, mas as semelhanças das duas diante de vidas extremamente diferentes nos leva a refletir sobre o que é básico nas relações de maternidade. E os encontros sempre intensos das duas mostra que não há certo ou errado e em momento algum o papel de alguma delas é julgado negativamente pelo roteiro.

Minha Filha (Crítica)

É verdade que o filme ganha mais força ao mostrar o ponto de vista de Vittoria e seus momentos de auto descobrimento, mas por mais que trate apenas de três personagens, a trama não fica monótona e o ritmo se mantém, apesar de algumas desaceleradas.

Laura abusa de planos-sequência longos, planos próximos dos personagens e paisagens paradisíacas da Sardenha que nos deixam até brincar com o clichê que diz que “ser mãe é padecer no paraíso”. Todos os recursos visuais chegam até a incomodar em alguns momentos, mas tudo é proposital nessa trama cheia de altos e baixos emocionais.

Embalado por uma trilha sonora tipicamente italiana e de gosto duvidosa, Minha Filha ganha pontos em sua simplicidade e boa técnica, apelando de forma muito positiva para um tema tão sensível. É uma delícia acompanhar Angelica e Tina entendendo os papéis de mãe e Vittoria começando a descobrir seu próprio caminho.

Pôster de divulgação: Minha Filha

Pôster de divulgação: Minha Filha

SINOPSE

A guarda de uma menina está sob disputa de duas mães, a de criação e a biológica que almeja tê-la de volta. No centro do conflito, Vittoria (Sara Casu) se vê obrigada a lidar com questões existenciais muito acima do seu nível de maturidade, prestes a fazer uma escolha que a afetará a sua vida para sempre.

DIREÇÃO

Laura Bispuri Laura Bispuri

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Laura Bispuri
Título Original: Figlia Mia
Gênero: Drama
Duração: 1h 37min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 11 de outubro de 2018 (Brasil)

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