MINHA MÃE (Crítica)

MINHA MAE

3estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Ma Mère
Ano do lançamento: 2004
Produção: França
Gênero: Drama
Direção: Christophe Honoré
Roteiro: Christophe Honoré

Sinopse: Pierre, um adolescente de 17 anos, deixa a avó em Paris para ficar com os pais nas Ilhas Canárias. Após a morte do marido, a mãe de Pierre decide mostrar sua verdadeira natureza para acabar com as ilusões do filho. Ela lhe apresenta um mundo noturno e sem moralidade, repleto de exploração sexual, exibicionismo e doenças.

Por Davi Gonçalves

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A obra do cineasta francês Christophe Honoré já rendeu todo tipo de filme – ótimos (Canções de Amor, Em Paris), bons (A Bela Junie, Bem Amadas) e ruins (Homem ao Banho). Pode-se dizer que Minha Mãe (Ma Mère, 2004) está entre na linha tênue que separa o bom do ruim – traduzindo-se em um filme cuja pretensão de chocar e ser elevado a status cult o torne indigesto para alguns e clássico instantâneo para outros.

Baseado no livro de Georges Bataille (de 1955), a trama gira em torno de Pierre, jovem de 17 anos, que tem uma verdadeira adoração por sua mãe, Hélène. Após a morte do pai, a mãe decide quebrar o mistério e revelar ao filho sua verdadeira natureza: uma mulher imoral, para quem o sexo é pura banalidade. Despertado em sua sexualidade, Pierre é orientado pela mãe em práticas sexuais pouco comuns – mas, após uma sessão de orgias, mãe e filho se separam, tentando amenizar o que sentem um pelo outro e abrindo espaço para vivenciar novas experiências.

O incesto entre mãe e filho não é um assunto propriamente novo no cinema – apesar de sempre causar certo desconforto no espectador. Em Pecados Inocentes, de 2007, a personagem de Julianne Moore tem uma relação pouco convencional com o filho Tony (Eddie Redmayne). O que diferencia ambos os filmes, no entanto, é que em Minha Mãe o excesso de cenas de sexo é claramente uma forma de chocar o espectador. Ou seja, Honoré, ao que tudo indica, não pretende chamar a atenção do público com conteúdo – mas sim com cenas de sexo que, em alguns momentos, podem causar asco em uma plateia mais “puritana”.

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Minha Mãe é, sob vários aspectos, portanto, um filme “forte”. Não é para qualquer um. Honoré constrói uma narrativa perturbadora e até mesmo incômoda, sem a intenção de explicar, mas apenas mostrar. Seus personagens não levantam debates sobre o que é certo ou errado: eles apenas estão ali, para viver suas histórias da forma mais intensa possível. Não há julgamentos ou questionamentos: há apenas o prazer – e isto é o que torna o relacionamento entre mãe e filho tão artificial. O roteiro parece perdido, assim como suas personagens que não tem rumo certo. Falha no roteiro que sequer desenvolveu suas personagens e abrem diversas lacunas – como a verdadeira relação entre marido e mulher ou entre pai e filho ou ainda a origem do comportamento promiscuo de Hélène. Felizmente, são os atores que conseguem dar ritmo ao filme. Enquanto Garrel está linear, Isabelle Hupert consegue causar certa repugnância ao longo da história, com sua personagem distante, insatisfeita e imoral. Outra boa surpresa do elenco é Joana Preiss, a amante de Hélène e Pierre – o trio protagoniza uma tórrida cena de ménage à trois dentro de um táxi.

Com uma fotografia bem colocada (constante nos filmes do diretor), Minha Mãe é um daqueles filmes que exigem que você, espectador, esteja aberto a todo e qualquer tipo de acontecimento. Com um final surpreendente (aliás, apesar do que se sugere, há pouco contato entre mãe e filho), o filme parece um mural construído com diversas cenas interessantes e avulsas mas, como produto final, compõe um bom trabalho – para ser apenas observado, nunca julgado. Há, ainda, outro argumento que muitos poderão levar em consideração ao assistir Minha Mãe: Louis Garrel. O ator francês, que é um dos maiores expoentes de sua geração (além de prezar por uma beleza particular), aparece nu em vários momentos do filme. Espere: eu disse que Garrel aparece nu neste filme? E desde quando isso é novidade no currículo do ator?

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TRAILER

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