MIRACLE MILE (Crítica)

Gui Pereira

‘Miracle Mile’ é um filme de suspense apocalíptico dos anos 80 que não fez muito sucesso na época de seu lançamento, no entanto, a sua trama é extremamente atual e relevante para os dias de hoje.

O filme, que se passa em sua maior parte em tempo real, conta a estória de Harry (Anthony Edwards, o eterno Goose de Top Gun), um sujeito de passagem por Los Angeles, que se apaixona por Julie (Mare Winningham) durante um passeio num museu. O romance alá “amor à primeira vista” é apenas plano de fundo para o desencadear da trama. Julie é uma garçonete que trabalha no período da noite, ela marca um encontro com Harry ao final do seu turno na madrugada. Harry acaba perdendo o horário e chega atrasado. Ele então decide fazer uma refeição durante a madrugada enquanto tenta ligar para Julie no telefone público que fica logo na entrada da lanchonete. Depois de deixar um recado na secretária eletrônica de Julie, o telefone público toca. Harry atente, com esperança de que Julie esteja retornando a ligação. Para sua surpresa, do outro lado da linha, um sujeito, que se identifica como um militar, desesperadamente avisa que uma ogiva nuclear está a caminho de Los Angeles e que a cidade precisa ser evacuada e, em seguida ouvimos tiros de metralhadora. Um rapaz pega o telefone e pede para que Harry esqueça tudo que escutou. A partir daí, Harry começa a pensar se a informação é verídica ou se não passou de um trote.

A principal cena do filme acontece logo após essa conversa telefônica. Harry retorna para a lanchonete e, consumido pelo medo, começa a conversar e debater a hipótese com os poucos clientes presentes no local. A cena em questão é magistralmente dirigida pelo diretor Steve de Jarnatt (em seu segundo e último filme antes de se tornar um diretor de TV). Orquestrada como uma peça de teatro, a cena apresenta os personagens que são representações perfeitas de cidadãos comuns e seus medos da ameaça nuclear da União Soviética durante a Guerra Fria. Harry conta detalhadamente como foi sua conversa ao telefone e, uma das clientes na lanchonete (uma poderosa boker de Wall Street) identifica como verídica a ameaça devido ao seu passado trabalhando para um laboratório nuclear. Eles então planejam evacuar a cidade em um avião particular da própria. Mas, Harry decide ir até o apartamento de Julie para tentar encontra-la e evacua-la da região.

MIRACLE MILE (Crítica)

A partir de então, o filme se torna uma luta contra o tempo, e testemunhamos o desespero dos personagens e suas reações perante a um boato cujo não sabemos se é real ou não. O tema em si é muito atual. A algumas semanas atrás o Mundo testemunhou um alarme falso que indicou que um míssil estava a caminho do Avaí. Fora isso, a Coréia do Norte está constantemente ameaçando atacar os Estados Unidos e vice-versa.

Vale lembrar que por se tratar de um filme B independente, ele sofre com momentos clichés e desnecessários para a trama, mas a atuação de Anthony Edwards e a direção incrivelmente segura de Jarnatt fazem com que a experiência do filme seja prazerosa durante a sua projeção.

O filme passou quase uma década em desenvolvimento em diversos estúdios e quase foi produzido com o título de ‘Twilight Zone – The Movie’ antes de Steven Spielberg abraçar o projeto como produtor. O atraso e medo do investimento no filme aconteceu pelo fato de os grandes estúdios considerarem o projeto deprimente demais para o grande público. O filme somente ganhou financiamento depois que o famoso produtor David Hemmings decidiu apostar no filme.

Um ponto alto do filme são os efeitos especiais. Devido ao baixo orçamento (e também a tecnologia digital precária da época) os realizadores decidiram apostar em efeitos especiais práticos, o que contribui (e muito) para o bom envelhecimento do filme. Quando o caos se espalha pela cidade, os moradores do bairro de Miracle Mile em Los Angeles, tentam a qualquer custo evacuar e saquear tudo o que veem pela frente, resultando em perseguições, incêndios e lutas. Tudo isso extraordinariamente coreografado e filmado. Ponto positivo para a estreia do diretor de fotografia Theo van de Sande em seu primeiro filme nos Estados Unidos.

O filme, diferente do que se imagina quando se pensa em filmes de ação, não utiliza a técnica de montagens rápidas alá MTV. Ele aposta em cenas longas, com bastante movimento de câmera e blocking dos atores. O que mais uma vez impressiona nas decisões feitas pelo diretor Steve de Jarnatt.

Nos tempos atuais, repletos de “fake News” e compartilhamentos constantes de informações sem fundamento nas redes sociais, Miracle Mile é mais relevante do que muitos filmes produzidos hoje em dia. É curioso ver como as fofocas se espelham e as consequências que elas podem trazer para as nossas vidas. Miracle Mile é um filme que passou desapercebido na sua estreia. Ele ganhou recentemente um lançamento em DVD e Blu-Ray pela distribuidora Kino Lorber, especializada em trazer essas relíquias esquecidas para o mercado de home-video e streaming. Esse é o momento perfeito para o filme ser descoberto pelo grande público.

Pôster de divulgação: MIRACLE MILE

Pôster de divulgação: MIRACLE MILE

SINOPSE

Anthony Edwards atende um telefonema em um orelhão, no qual um homem lhe diz que a Guerra Nuclear acabou de começar e que uma bomba atômica chegará em sua cidade dentre 70 minutos. Uma onda de pânico invade a cidade, devido ao rumor sobre este perigo nuclear, e Anthony tem pouco tempo para procurar salvar sua namorada e fugir da cidade.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Steve De Jarnatt
Título Original: Miracle Mile
Gênero: Drama, Ação, Ficção Cientifica
Duração: 1h 27min
Classificação etária: Livre
Lançamento: 19 de maio de 1989 (Brasil)

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