MISTRESS AMERICA (Crítica)

MISTRESS AMERICA

4estrelas

Por Elisabete Alexandre

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O primeiro filme que eu vi do Noah Baumbach foi A Lula e a Baleia, que por acaso estava passando na TV aberta numa madrugada qualquer. Esse tem uma abordagem que passa bem longe da maneira delicada de se contar uma história, ao contrário, ele toca bem na ferida: seres humanos são cínicos, egoístas e mentirosos. Gostei do Noah Baumbach a partir daí.

Em Mistress America, Tracy (Lola Kirke, de Garota Exemplar) é caloura na faculdade, não tem amigos e está em uma cidade estranha para ela, Nova Iorque. Tracy não é o que se pode chamar de aluna aplicada, mas tem uma ambição: entrar para um grupo seleto de escritores formado pelos próprios alunos da faculdade onde estuda, mas para isso ela precisa de uma boa história. Na sua primeira tentativa não foi aceita, desanimada ela liga para a mãe que a incentiva a encontrar a futura-meia-irmã de Tracy, Brooke (Greta Gerwig, de Frances Ha) – o pai de Brooke irá se casar em breve com a mãe de Tracy -, que também mora em Nova Iorque, é mais velha, e pode mostrar algumas coisas da cidade para ela. Mesmo um pouco sem graça, Tracy marca de se encontrar com ela, e para a sua surpresa, Brooke é a personificação de tudo o que Tracy gostaria de ser, ela é moderna, popular, bem sucedida, divertida e autossuficiente. Todavia, não demora muito para que Tracy perceba que a pessoa que Brooke aparenta ser, na verdade, não existe.

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Brooke é uma construção dela mesma.

Em tempos de redes sociais, aparentes “vidas perfeitas”, ou o que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman chama de Modernidade Líquida, Noah parece ser bastante cínico a respeito dessa geração de pessoas que nasceram já no meio disso tudo, onde é mais importante mostrar para os outros que você é tudo o que eles gostariam de ser, ao invés de aceitar a realidade e tentar ser uma versão melhor de si mesmo com o que se tem. Já vimos essa abordagem em Frances Ha, filme que Noah escreveu com a sua namora, Greta Gerwig, assim como Misteres America, mas não espere mais do mesmo, esse filme vai além.

De forma até mesmo caricata, os personagens de Mistress America, não apenas os de 20-epoucos- anos, mas também os de outras gerações, nos fazem rir das situações em que se encontram no filme, e também pela relação que há entre eles, mesmo que aparentemente Tracy e Brooke sejam amigas, a diferença de idade entre elas faz com que sejam pessoas completamente diferentes. Noah e Greta nos trazem um filme com o retrato de um adulto que acabou de passar dos 30 anos, mas que ainda não se sente forte o suficiente para encarar essa nova realidade, e que por ironia do destino acaba aceitando-a por consequência de experiências com pessoas mais novas. Mistress America é uma comédia inteligente, que fará você rir por motivos justos, motivos nos quais você irá se identificar. Vale muito a pena.

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SINOPSE

Tracy é caloura e está sozinha em Nova Iorque, não consegue se enturmar, não conseguiu entrar no grupo de escritores da faculdade, enfim, tudo está dando errado. Por influência da mãe, ela vai se encontrar com a futura-meia-irmã, Brooke, que também mora na cidade. A primeira vista, Brooke é tudo o que Tracy sonha em ser: popular, alegre e auto-suficiente; até ela perceber que a realidade não é bem essa.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Noah Baumbach e Greta Gerwig
Título Original: Mistress America
Gênero: Comédia
Duração: 1h 25min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 18 anos
Lançamento: 19 de novembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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