MOMMY (Crítica)

MOMMY

4estrelas

Por Igor Pinheiro

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O que mais me deixa curioso com Mommy é a minha sensação em relação ao filme. Assim que assisti, há uns dois meses, no Festival do Rio, achei um longa bom, e só. Parte disso vem da minha implicância com o Xavier Dolan (vou falar sobre isso depois), então deixei passar. Com o passar do tempo, comecei a gostar mais do filme e não sei a explicação para isso.

Apesar disso, é bom deixar claro que é mais do mesmo. Pelo menos para quem conhece o trabalho do Dolan, principalmente em Eu Matei Minha Mãe. Filho problemático, mãe forte, gritaria, gritaria, gritaria. Resumidamente, é isso, mas prefiro Mommy. Quando nos aproximamos das cenas finais e a mãe, interpretada pela excelente Anne Dorval, se mostra uma personagem cada vez mais complexa e bem construída, vamos vendo ao que filme veio. E ele veio para incomodar.

Essa é a principal sensação que o filme dá: incômodo. Mas é um incômodo bom. O que me irrita no Dolan é que tanto no roteiro quanto visualmente, parece que ele quer colocar informação demais em seus trabalhos. Parece que ele quer colocar tudo o que ele aprendeu na faculdade de cinema em prática, de uma vez só. Vamos com calma… Outro ponto negativo do roteiro é, no começo, parecer que vai abordar alguns temas que acabam sendo mostrados durante o filme de forma superficial. Enfim, como eu já disse, passei a gostar mais com o tempo sem saber o motivo, mas não tinha achado ruim a princípio.

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A estética adotada é bem curiosa e pode afastar uma parte do público. Durante todo o filme o que vemos é apenas o pedaço central da tela mostrando o vídeo, como se tudo estivesse sendo gravado em pé. Apenas em dois momentos a tela se abre, momentos em que os personagens principais se encontram em alguma espécie de êxtase emocional. A segunda parte me abalou bastante, com toda a imaginação da mãe mostrando como ela imagina o resto de sua vida e depois voltando à realidade. Por um momento pensei que aquilo estava realmente acontecendo.

Esses momentos são destacados ainda mais pelos atores. Anne Dorval, já citada, está ótima. Antoine-Olivier Pílon merece ser notado como o filme problemático e Suzanne Clément rouba o filme para ela em diversos momentos no papel da vizinha tímida com o casamento certinho, que vai se soltando durante o tempo. A química entre os três é sensacional e se torna um fator crucial para o filme.

A trilha sonora é outro fator que merece destaque. De Celine Dion até Lana Del Rey (na ótima cena final e créditos), passando por Oasis, tudo nos envolve e nada é comercial, por mais que os nomes citados indiquem o contrário. As músicas instrumentais originais também são excelente e nos conduzem bem nos já citados momentos de êxtase.

Vale muita a pena, apesar de frustrar um pouco, principalmente por nos deixar para baixo com seu final. Ou só eu fiquei para baixo? Mas acontece. Talvez a duração tenha me irritado um pouco, ainda mais por se tratar de um filme parado. Não, eu gosto de filme parados. Talvez eu assista de novo e tente ver se realmente gosto mais do filme ou se é porque fui esquecendo os pontos que me desagradaram. Enfim… De novo, vale a pena conferir.

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SINOPSE

Diane Després (Anne Dorval) é viúva e sente-se sobrecarregada tendo que criar sozinha seu filho Steve (Antoine-Olivier Pilon), violento e problemático. Em um ato de coragem ela tira o garoto da escola e é surpreendida pela boa vontade da vizinha, Kyla (Suzanne Clément), professora que demonstra interesse em ajudar a complicada família.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Xavier Dolan
Título Original: Mommy
Gênero: Drama
Duração: 2h 18min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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