MOTORRAD (Crítica)

Kadu Silva

O silêncio como protagonista

Já comentei sobre isso em alguma crítica a pouco tempo, mas repito, felizmente o mercado nacional está se abrindo para novas experiências cinematográficas. Motorrad é um filme de suspense e terror repleto de conceitos e ideias acima da média para o gênero e isso no âmbito mundial.

No filme Hugo (Guilherme Prates) é um jovem que tem como grande ambição entrar para o grupo de motocross de seu irmão mais velho Ricardo (Emílio Dantas), para isso ele rouba peças no ferro-velho para construir uma moto para ele, numa de suas investidas para furtar uma das peças, ele conhece uma misteriosa garota, nesse momento a vida de Hugo entra numa onda de acontecimentos sádicos e sobrenaturais.

É curioso como surgiu a ideia inicial do filme, o produtor LG Tubaldini Jr. que é motociclista e que costuma fazer ralis na Serra da Canastra, achou que fazer um filme de gênero usando aquele local e motos poderia render uma obra interessante, dessa forma o diretor Vicente Amorim e o roteirista L.G. Bayão se juntam para começar a construir o conceito da história, nesse momento eles lembram do cartunista Danilo Beyruth, quanto todas essas mentes estão juntas é que eles pensam em fazer uma história de terror e dessa forma surgiu Motorrad (na entrevista acima eles explicam em detalhes).

O Danilo criou os personagens e a identidade do filme e assim o Bayão criou um roteiro pautado no silencio e na construção de sensações, sim, o filme praticamente não tem diálogos, tudo é mostrado de forma enxuta, quase totalmente sensorial, fato esse que eleva o tom de terror e de medo constante.

O interessante da obra é que ela pode ser vista apenas como um entretenimento de terror gore, sem pudor de mostrar as mortes, ou ter uma reflexão mais profunda sobre a trajetória espiritual do protagonista, em ambos os casos o filme é brilhante, para isso Vicente Amorim, não usa os clichês fáceis do gênero, pelo contrário, ele os usa para subverter a expectativa do público diante do que vai acontecer.

O elenco jovem é outro acerto da obra, já que para um filme que busca no olhar e nas expressões a linguagem para a narrativa, a escolha dos atores se torna fundamental, todos estão excelentes, mas Carla Salle rouba a cena na construção dessa misteriosa garota.

Não se pode esquecer do brilhante trabalho de Gustavo Hadba na fotografia, na trilha sonora e efeitos sonoros fundamentais para criar o clima de tensão durante todo o filme e logico a acabamento primoroso dos efeitos visuais, que beiram a perfeição.

Motorrad é uma joia rara em nosso cinema nacional e que merece ser descoberta por todos.

Pôster de divulgação: MOTORRAD

Pôster de divulgação: MOTORRAD

SINOPSE

Um dos grandes desejos de Hugo (Guilherme Prates) é conseguir fazer parte do grupo de motocross do seu irmão mais velho. Decidido, ele rouba algumas peças para que possa montar sua motocicleta. Quando consegue o feito, ele encontra com a turma do irmão em uma cachoeira remota, onde fazem uma trilha e se deparam com um antigo muro. Hugo sugere que eles desmontem o muro e sigam a aventura, mas acabam encontrando a dona do ferro-velho de onde Hugo roubou as peças. Ela os convida para um caminho ainda mais radical, só que a diversão vira uma corrida pela sobrevivência quando eles passam a ser perseguidos por motoqueiros sádicos e sobrenaturais.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Vicente Amorim” espaco=”br”]Vicente Amorim[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: L.G. Bayão
Título Original: Motorrad
Gênero: Suspense
Duração: 1h 32min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 1 de março de 2018 (Brasil)

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