MULHERES NO PODER (Crítica)

Kadu Silva

Ótimo como ideia, mas medíocre em sua execução

O Brasil hoje é governado por uma mulher, inegavelmente um forte avanço em termos de mentalidade social (isso independente de tudo que está ocorrendo no nosso cenário político atual), mas ainda ao seu lado governando, a maioria são homens. Buscando uma sátira e ao mesmo tempo uma reflexão o diretor Gustavo Acioli sugere um país governado em sua maioria por mulheres, tendo o homem, apenas em cargos menores. É uma tentativa de mostrar como as mulheres se sentem hoje com o poder estando nas mãos de homens machistas e que abusam de seu poder das mais lastimáveis maneiras.

No Brasil feminista imaginado pelo diretor, conhecemos duas figuras centrais a senadora corrupta Maria Pilar (Dira Paes) e a ministra Ivone Feitosa (Stella Miranda), que se unem para superfaturar uma licitação de um novo projeto e assim ganhar uma verba extra para elas e seus aliados. E para chegar ao objetivo pretendido ambas não medem esforços e armações, mas em terra de corrupto tudo pode acontecer até ser traída por quem se diz aliado.

O roteiro de Gustavo Acioli (Incuráveis), apresenta diversos erros difíceis de entender. Primeiro não se sabe qual o gênero escolhido, comedia, drama, fantasia, ele flerta por todos sem conseguir se firmar em nenhum. Ele tenta ser um “ato” de reflexão para mostrar como as mulheres se sentem sendo menosprezada por homens no poder, mas nunca de fato consegue atingir o objetivo. E além disso apresenta uma trama extremamente previsível devido as escolhas ao longa da projeção.

Talvez a ideia do projeto era fazer um tipo de humor que os humoristas do Portas do Fundo fazem com maestria, que é inverter os papeis para que o agressor veja como é ser agredido, usando para isso um humor negro, potencializado pelos exageros em algumas situações, no Mulheres ao Poder o roteiro se leva muito a sério e o humor aparece em cenas isoladas e de ponto impacto para o arco dramático. O único momento que o roteiro soube desenvolver bem a proposta é na relação da senadora vivida de uma forma extremamente carismática e envolvente por Dira Paes (À Beira do Caminho) com seu secretário João Velho (Jogo das Decapitações), ele mesmo sendo um profissional altamente capacitado, se submete a um cargo muito inferior, ganhando bem menos que a senadora, para se manter empregado, e ainda sofrendo constantemente com o abuso sexual realizado por ela. Nesse dueto se encontra os pequenos momentos de humor em todo o filme.

Acioli além dos erros apontados acima, ainda abusa dos clichês, ou seja é um filme que tem uma ótima ideia em sua matriz, mas em sua execução não soube colocar em pratica as ideias pretendidas.

Eu ainda tentei fazer uma leitura que o filme poderia querer dizer que não existe essa divisão de gênero e que, poder seja na mão de homens ou de mulheres é uma arma difícil de se controlar, mas ainda assim o filme não consegue encontrar as qualidades pretendidas.

Mulheres no Poder é um filme que poderia ser uma obra muito interessante como exercício reflexivo, mas não atinge nem de perto dessa intenção.

MULHERES NO PODER

SINOPSE

Senadora corrupta, Maria Pilar (Dira Paes) vê uma grande oportunidade de ganhos na licitação do projeto Brasil Brasileiro. Após entrar em contato com a ministra Ivone Feitosa (Stella Miranda) em busca de maiores informações, Maria é orientada a conversar com a secretária-executiva do ministério, Madalena (Milena Contrucci Jamel), para acertar uma armação. Mal sabe ela, porém, que Madalena tem seu próprio plano para se dar bem sozinha…

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Gustavo Acioli” espaco=”br”]Gustavo Acioli[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Gustavo Acioli
Título Original: Mulheres no Poder
Gênero: Comedia
Duração: 1h 27min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 12 de maio de 2016 (Brasil)

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